Vista como “parte da estratégia de gestão de passivos da Raízen”, a operação foi avaliada no início do mês pela agência de classificação de riscos Moody’s
Após concluir em outubro do ano passado a maior emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) já realizada, de R$ 675 milhões, a Raízen Energia se prepara para uma nova oferta pública, a qual deve captar, ao menos, R$ 500 milhões.
Vista como “parte da estratégia de gestão de passivos da Raízen”, a operação foi avaliada no início do mês pela agência de classificação de riscos Moody’s.
Após concluir em outubro do ano passado a maior emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) já realizada, de R$ 675 milhões, a Raízen Energia se prepara para uma nova oferta pública, a qual deve captar, ao menos, R$ 500 milhões.
Vista como “parte da estratégia de gestão de passivos da Raízen”, a operação foi avaliada no início do mês pela agência de classificação de riscos Moody’s, que atribuiu perspectiva estável e rating provisório Baa3 em escala global e Aaa.br em escala nacional para a emissão sênior sem garantia real.
Redução na despesa financeira anual
Segundo a Moody’s, a operação permitirá uma redução na despesa financeira anual da Raízen e um alongamento no cronograma de amortização dos débitos da empresa, que “provavelmente usará caixa em excesso para pagar dívidas existentes”.
Nos cálculos da agência, em dezembro de 2014 a Raízen possuía R$ 3,4 bilhões em caixa e equivalentes, valor suficiente para cobrir 95% da sua dívida total de curto prazo.
Sem mencionar valores, a Moody’s projetou uma posição de caixa “ainda maior em março”, dados os estoques de etanol de R$ 1,2 bilhão, mantidos “estrategicamente” pela empresa no período de entressafra, de janeiro a março, com o objetivo de serem vendidos a preços mais elevados.
Situação financeira
Segundo a agência, os ratings corporativos de longo prazo da Raízen, inalterados desde 2012, refletem “as boas métricas de crédito da empresa e sua posição sólida nos negócios de produção e distribuição de açúcar e etanol no Brasil”.
No entanto, a posição privilegiada da companhia, cuja nota de crédito (Baa3 na escala global) situa-se em grau de investimento, é praticamente sustentada pelo negócio de distribuição de combustíveis, que apresenta perspectivas mais positivas que o mercado de açúcar e etanol .
“Em nossa visão, enquanto as operações de açúcar e etanol proporcionam potencial para crescimento e margens altas nos próximos anos, o segmento de distribuição de combustíveis é uma fonte estável de geração de caixa e performance operacional”, disse a agência.
Também ajuda a sustentar o rating, na avaliação da Moody’s, a existência das garantias cruzadas entre a Raízen Energia e a Raízen Combustíveis na maioria das dívidas emitidas pelas companhias e o “apoio explícito” proporcionado por ambas as acionistas na forma de uma operação de backstop de U$ 500 milhões.
Em contrapartida, a natureza “volátil” da produção de açúcar e etanol, que chegou a representar 59% do EBITDA da companhia nos últimos 12 meses findos em dezembro de 2014, pressiona os ratings da empresa, frisou a agência.
“Em relação ao negócio de distribuição, o aumento nos preços do combustível no Brasil e outros incentivos sustentaram um aumento na margem dos distribuidores durante o último ano e começo de 2015. Além disso, apesar de esperarmos condições macroeconômicas mais difíceis e baixas atividades industrial e de consumo, a frota brasileira aumentou substancialmente nos últimos anos e apresenta baixo nível de sucateamento, suportando volumes de vendas para a Raízen Combustíveis”, disse.
Já a perspectiva estável incorpora as expectativas da agência de que a estratégia de expansão do negócio de produção de açúcar e etanol e sua política de dividendos serão conduzidas de forma “prudente” e “conservadora”, não comprometendo as “sólidas métricas de créditos” da companhia. A perspectiva estável também leva em consideração a premissa de que os acionistas “irão concordar com pagamentos de dividendos compatíveis com o desempenho financeiro da empresa”.
Perspectivas
No relatório, também foram apontadas as expectativas da agência quanto ao mercado de açúcar e etanol.
“Os prospectos de médio-prazo da indústria sucroalcooleira permanecem positivos, porém os preços do açúcar têm caído desde seu pico em 2011. Esta queda é explicada em grande parte pelo aumento nos estoques e, mais recentemente, pela desvalorização de moedas de países emergentes, tais como o Real, nas quais os custos locais estão denominados”, analisou.
Na avaliação da agência de classificação de riscos, a menor disponibilidade do açúcar brasileiro – resultado da seca que atingiu o Centro-Sul na última safra - foi compensada pela forte produção em outras país, como Índia e Tailândia. “Esses países vêm apresentando fortes resultados na colheita e exportação devido à condições climáticas favoráveis, o que impediu uma queda nos estoques globais de açúcar e consequente recuperação dos preços internacionais”, explicou.
Sensibilidade
Uma elevação nos ratings da Raízen poderá ocorrer se a empresa for capaz de executar sua estratégia de crescimento enquanto mantém sua geração de caixa operacional nos níveis atuais, a dívida total ajustada/EBITDA abaixo de 2.0 vezes e EBITA/despesa financeira igual ou maior que 6.5 vezes numa base sustentável, condicionou a agência.
“Geração de fluxo de caixa livre positivo ou evidências de maior suporte da Shell também poderiam resultar em considerações para uma ação positiva. Um rebaixamento pode resultar da incapacidade de entregar taxas anuais de crescimento orgânico em torno de pelo menos 5% e de manter a margem EBITDA nos níveis atuais”, disse.
Um rebaixamento pode resultar, ainda, da incapacidade de entregar taxas anuais de crescimento orgânico em torno de pelo menos 5% e de manter a margem EBITDA nos níveis atuais. “Além disso, dívida/EBITDA acima de 3.0x, EBITA/despesa financeira igual ou inferior a 5.0x e CFO/Dívida líquida abaixo de 30% em uma base sustentável podem causar um rebaixamento. Uma deterioração no perfil de liquidez também pode causar uma ação de rating negativa”, concluiu a agência.
NovaCana