Carro elétrico

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Montadoras tentam viabilizar carro elétrico no Brasil


O Estado de S. Paulo - Publicado: 04 Jul 2013 - 13:52 | Atualizado: 30 Nov -0001 - 21:00
As montadoras devem entregar amanhã ao ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, uma proposta para tornar viável a produção de carros elétricos e híbridos no Brasil. Antes da etapa da produção, contudo, elas querem isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para modelos importados. A justificativa será a de estabelecer a tecnologia no mercado.

O plano prevê uma cota de 500 veículos que entrariam no País neste ano com IPI zero (hoje a taxa é de 13% a 25%), número que aumentaria anualmente até chegar a 2,4 mil unidades em 2017. Essas cotas seriam adicionais àquelas estabelecidas pelo programa Inovar-Auto, que livra uma parcela das importações da alta de 30 pontos porcentuais de IPI em vigor desde o fim de 2011.

A isenção do Imposto de Importação (II) é pedida apenas para as peças de reposição. Carros vindos de fora do Mercosul e do México pagam 35% de II.

Medidas de incentivo à produção, que devem ocorrer só a partir de 2017, ainda não são especificadas no estudo, que será levado ao governo pela diretoria da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

Segundo fontes do setor automobilístico, o entendimento em relação a uma proposta única para viabilizar os carros verdes no Brasil demorou a sair por causa da falta de interesse de montadoras que ainda não têm produtos dessa categoria em grande escala.

No início do ano, a Toyota, sozinha, entregou ao governo uma proposta em que estabelecia prazo de cinco anos para iniciar a produção local de híbridos com motor flex (elétrico e etanol). Pedia, em contrapartida, desoneração de IPI e de II. Desde janeiro, a marca vende no País o híbrido Prius, a R$ 120 mil. Importado do Japão, até agora foram vendidas 170 unidades.

Também estão à venda os híbridos Ford Fusion, Lexus CT200h, Porsche Cayenne S, Mercedes-Benz S400 e o elétrico Nissan Leaf.

Projetos
O consenso obtido entre as filiadas da Anfavea ocorre num momento em que duas marcas já anunciaram intenção de produzir no Brasil veículos movidos a combustíveis alternativos.

A Nissan assinou no dia 17 protocolo de intenções para estudo de viabilidade de produção de carros elétricos no Rio de Janeiro, onde o grupo japonês vai inaugurar uma fábrica em 2014.

O presidente mundial da aliança Renault/Nissan, o franco-brasileiro Carlos Ghosn, esteve pessoalmente como governador do Rio, Sérgio Cabral, para assinar o protocolo. O executivo ressaltou que, sem incentivos governamentais, o carro elétrico não é viável.

Dez dias depois, o grupo árabe Amsia Motors anunciou intenção de investir US$ 450 milhões em uma unidade industrial no Sergipe para veículos híbridos e movidos a eletricidade.

Protocolo de intenções também foi assinado pelo governador em exercício, Jackson Barreto, e o príncipe da Arábia Saudita, Abdul Rahman bin Faisal al Saud, principal acionista da Amsia, que opera em parceria com empresas chinesas.

Em maio de 2010, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, chegou a reunir em Brasília um grupo de empresários e autoridades para lançar um programa de incentivo à produção de carros elétricos, mas o evento foi cancelado cinco minutos antes do horário marcado para começar. Na época, foi dito que o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu mais tempo para conhecer melhor a proposta. Desde então, o tema vem sendo debatido, mas nenhum programa específico foi lançado.

O programa Inovar-Auto, que entrou em vigor neste ano, estabelece que até 2017 os novos carros terão de emitir 12% menos gases poluentes do que os modelos atuais. Quem não atender a norma perderá a isenção dos 30 pontos extras do IPI.

Como a conta será feita com base numa média de emissões de todos os modelos de uma fabricante, carros elétricos e híbridos terão peso importante no cálculo. O governo estuda dar peso maior a esses modelos. O carro elétrico não emite poluentes e o híbrido – que combina motor a combustão e elétrico – também tem emissão zero quando funciona a eletricidade.

'Vendas foram superestimadas', diz analista

A proposta para viabilizar o carro verde no Brasil será levada ao governo num momento em que o mercado mundial de carros puramente elétricos desliza.

Estudo da consultoria Roland Berger mostra que as vendas estão abaixo do previsto pelas fabricantes. Governos reduziram subsídios para o desenvolvimento das tecnologias e o incentivo ao consumidor.

Entre 2013 e 2015, os seis principais fabricantes de carros elétricos – Japão, EUA, Alemanha, França, China e Coreia do Sul – vão produzir, juntos, 1,1 milhão de unidades. As empresas citadas no estudo que já têm produtos no mercado são Toyota, Nissan, Mitsubishi, GM, BMW, Volkswagen, Renault, Hyundai, Kia, BYD e Changan.

Em 2010, quando lançou o Nissan Leaf, primeiro elétrico a ser produzido em escala comercial, o presidente da Renault/Nissan, Carlos Ghosn, disse que a previsão era vender 500 mil unidades em 2012, número que ficou longe de ser atingido.

"As previsões inicias de vendas de carros elétricos foram superestimadas", diz Stephan Keese, sócio da Roland Berger.

Segundo ele, o alto custo da bateria, que encarece o veículo, a baixa autonomia e a falta de infraestrutura para recarregá-las tiram a atratividade dos elétricos. "Ainda será preciso pelo menos mais dez anos para assegurar a competitividade dessa tecnologia".

Empresas também estão desistindo de projetos. Audie Infiniti suspenderam planos de lançar modelos elétricos. O grupo israelense Better Place, fundado em 2007 com ambiciosa proposta de criar uma rede de postos de troca de baterias descarregadas por novas pediu concordata recentemente.

Cleide Silva