Segundo previsões da consultoria FCStone e do Banco Pine, os resultados apresentados na moagem de cana durante a 2ª quinzena de julho podem reverter a defasagem do volume processado em relação à safra passada
No início da próxima semana, a União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) deverá divulgar os números referentes à safra sucroalcooleira na segunda quinzena de julho. Segundo previsões da consultoria FCStone e do Banco Pine, os resultados apresentados podem alcançar níveis históricos e reverter a defasagem do volume de cana processado em relação a igual período da safra passada.
“Após a pequena moagem da última quinzena ela deverá crescer de forma retumbante. Além de reverter todos os problemas que ocorreram na quinzena [inicial de julho]”, projeta análise do Banco Pine.
Leia no texto completo:
- o volume de moagem esperado para a segunda quinzena de julho
- a previsão de moagem para as próximas quinzenas comparada ao registrado na safra passada
- o ATR/ton estimado para a quinzena
- a produção de açúcar e etanol para o período
- o por que as usinas tendem a aumentar o mix de açúcar, apesar de condições de mercado adversas e níveis relativamente mais baixos de ATR em relação à safra passada
No início da próxima semana, a União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) deverá divulgar os números referentes à safra sucroalcooleira na segunda quinzena de julho. Segundo previsões da consultoria FCStone e do Banco Pine, os resultados apresentados podem alcançar níveis históricos e reverter a defasagem do volume de cana processado em relação a igual período da safra passada.
“Após a pequena moagem da última quinzena ela deverá crescer de forma retumbante. Além de reverter todos os problemas que ocorreram na quinzena [inicial de julho]”, projeta o estrategista de commodities do Pine, Lucas Brunetti, em relatório publicado no início da semana.
Na segunda quinzena de julho, a estimativa do Banco Pine é que a moagem quinzenal de cana-de-açúcar seja próxima a 48,85 milhões de toneladas, um crescimento significativo frente à quinzena passada, que registrou 29,26 milhões de toneladas.
Até a primeira quinzena de julho as usinas haviam moído 5,9% menos cana em relação à safra passada, observa o relatório dos analistas João Botelho e Vitor Andrioli, da FC Stone. Segundo eles, para que a estimativa da Unica de 590 milhões de toneladas processadas nesta temporada seja atingida, nos próximos meses, o ritmo de processamento tem de ser 10,1% superior ao registrado em 2014/15.
É esperado um impulso nos resultados da segunda quinzena, especialmente, devido à diminuição da alta taxa de chuvas registradas no período. A FCStone acredita que, na média das regiões canavieiras, choveu apenas 4,8 mm no total do período, 87,6% menos que no mesmo período no ano passado e 80,6% a menos que a média histórica. Essa situação contrasta fortemente com a quinzena anterior, quando choveu 61,5 mm, quase sete vezes a média dos últimos dez anos, levando a moagem a ficar em apenas 29,3 milhões de toneladas.
O relatório ainda aponta a possibilidade de esta ser a maior moagem quinzenal da história, ultrapassando os 48,81 milhões da segunda quinzena de agosto de 2013. Já atual o recorde para a segunda quinzena de julho é de 46,3 milhões de toneladas registradas em 2012 (recorde para a quinzena), quando as chuvas totalizaram 8,1 mm. Na safra passada, o mesmo período registrou uma moagem de 36 milhões de toneladas.

Para completar, a INTL FCStone registra que, neste ano, as usinas contam com uma outra vantagem no que se refere à capacidade de moagem: como a maioria das usinas realizou manutenção industrial durante os dias parados devido às chuvas na primeira quinzena, o número de unidades que realizaram paradas na segunda metade do mês deve ser próximo a zero.
ATR defasado
Outro ponto de preocupação que pode ter sido revertido na última quinzena é a concentração de açúcares na cana. Conforme a FC Stone, o ATR médio da temporada está defasado 3,5% em relação à temporada anterior o que, se continuar até o final da colheita, neutralizaria o efeito de uma moagem mais elevada sobre a disponibilidade total de matéria-prima.
No entanto, o Banco Pine estima que a taxa de sacarose da cana-de-açúcar deverá ser maior, pois o stress hídrico da última quinzena ajudou a aumentar consideravelmente o ATR/ton. Espera-se que a segunda quinzena registre a marca de ATR de 136 kg/ton, sendo que no acumulado da safra a média é de 125 kg/ton.
Ainda assim, a produção de açúcar na quinzena deverá crescer 20,4% na comparação anual, bem abaixo do crescimento de 35,6% da moagem de cana, pois a concentração de sacarose está menor do que no último ano, assim como o mix de produção de açúcar pelas usinas.
“Acreditamos que a produção de açúcar atinja 2,69 milhões de toneladas, enquanto a destilação de etanol chegue a 2,24 bilhões de litros, sendo 870 milhões litros de anidro e 1.370 milhões litros de hidratado”, completa o relatório do Banco Pine.
Além desse fator, o Banco Pine observa que a variação marginal dos preços aponta para um incremento da alocação da produção de etanol, pois os preços do açúcar em reais caíram mais do que o valor do etanol. “No entanto, a facilidade da parte industrial em produzir açúcar deverá ser preponderante no final, ou seja, deverá aumentar o mix de açúcar na produção das usinas”, pondera o relatório.
Renata Bossle – NovaCana

