NovaCana

Moagem e lucro da Adecoagro caem no 3º trimestre da safra 2017/18

Empresa alega que chuvas em excesso prejudicaram a produção de sua divisão canavieira

NovaCana 8 min de leitura

Nem só para produzir cana-de-açúcar, etanol e energia opera a Adecoagro – a empresa também atua na produção de grãos e lácteos na Argentina e no Uruguai. Mas, no Brasil, a produção sucroenergética é o carro-chefe do grupo.

Uma característica da companhia é que, diferente da grande parte das usinas brasileiras, a Adecoagro procura não cessar a moagem no período de entressafra. Com o sistema de colheita contínua, implantado em 2016, a empresa afirma que é possível seguir com a moagem graças às diferenças climáticas no cluster de usinas localizadas em Mato Grosso do Sul.

Mas o clima acabou afetando os resultados da companhia mesmo antes do período de parada das usinas do Centro-Sul. Recentemente, o grupo, com três usinas em operação no Brasil, divulgou o resultado financeiro do terceiro trimestre da safra 2017/18 (último trimestre de 2017), encerrado em 31 de dezembro, juntamente com o acumulado de 2017.

O lucro líquido da Adecoagro no trimestre – incluindo todos os segmentos de atuação – foi de US$ 4,9 milhões. O resultado impulsionou o lucro líquido acumulado para US$ 11,7 milhões em 2017, acima dos US$ 3,7 milhões do ano anterior.

Por outro lado, no setor sucroenergético, o resultado não foi tão favorável à Adecoagro.
Confira o porquê, além de informações e gráficos sobre:

- Produção da Adecoagro no setor sucroenergético
- Desempenho financeiro no Brasil
- Ebitda e margem Ebitda
- Dívidas da companhia
- Investimentos

Nem só para produzir cana-de-açúcar, etanol e energia opera a Adecoagro – a empresa também atua na produção de grãos e lácteos na Argentina e no Uruguai. Mas, no Brasil, a produção sucroenergética é o carro-chefe do grupo.

Uma característica da companhia é que, diferente da grande parte das usinas brasileiras, a Adecoagro procura não cessar a moagem no período de entressafra. Com o sistema de colheita contínua, implantado em 2016, a empresa afirma que é possível seguir com a moagem graças às diferenças climáticas no cluster de usinas localizadas em Mato Grosso do Sul.

Mas o clima acabou afetando os resultados da companhia mesmo antes do período de parada das usinas do Centro-Sul. Recentemente, o grupo, com três usinas em operação no Brasil, divulgou o resultado financeiro do terceiro trimestre da safra 2017/18, encerrado em 31 de dezembro, juntamente com o acumulado de 2017. O resultado anual não corresponde ao ano-safra adotado no Brasil, iniciado em 31 de março, mas sim ao ano civil (de janeiro a dezembro).

No contexto amplo, o lucro líquido da Adecoagro no último trimestre de 2017 – incluindo todos os segmentos de atuação – foi de US$ 4,9 milhões. O resultado impulsionou o lucro líquido acumulado para US$ 11,7 milhões em 2017, acima dos US$ 3,7 milhões do ano anterior.

Por outro lado, no setor sucroenergético, o resultado não foi tão favorável à Adecoagro.

adecoagro 4t2017 6 lucro bruto 28032018

O lucro bruto no trimestre foi de US$ 44,63 milhões, valor 44,3% menor que os US$ 80,14 milhões vistos no mesmo período do ano anterior. A queda também se reflete no acumulado do ano de 2017: o lucro bruto foi de US$ 149,13 milhões, valor 15,4% inferior aos US$ 176,19 milhões do acumulado de janeiro a dezembro de 2016.

A culpa é do clima

Segundo o relatório, o desempenho operacional no período foi afetado porque os custos de produção aumentaram com a redução do rendimento nas usinas e com os menores volumes de cana esmagados. Isso ocorreu pelo aumento das chuvas nos meses de novembro e dezembro de 2017, quando uma alta de mais de 30% no índice pluviométrico em relação à média de 10 anos retardou a colheita.

Por consequência, houve queda de 29,4% nos volumes de moagem em relação ao mesmo período da safra anterior. O total de cana esmagada caiu de 3,1 milhões de toneladas para 2,2 milhões de toneladas, causando também uma diminuição da produção de açúcar e etanol.

Isso impactou no indicador do Ebitda. O índice, que mensura o resultado das operações desconsiderando juros, impostos, depreciação e amortização, foi de US$ 81,3 milhões no terceiro trimestre da safra. O valor é 27,4% menor, ou seja, US$ 30,76 milhões abaixo dos US$ 112,06 milhões registrados no mesmo período de 2016/17.

Em compensação, a margem Ebitda subiu em 9,5% – de 43,2% para 47,3% no mesmo período de análise. Isso significa que a queda nos lucros foi menos acentuada que a redução na receita líquida das vendas, indicando que a empresa conseguiu conter o impacto.

adecoagro 4t2017 7 ebitda trimestre 28032018

Levando em conta o resultado anual acumulado de 2017, o Ebitda do setor de açúcar e etanol foi de US$ 247,3 milhões, 6,7% a menos que os US$265 milhões de 2016. Nesse caso, a margem Ebitda também caiu, indo de 46,6% para 42,9%.

adecoagro 4t2017 8 ebitda anual 28032018

De acordo com o relatório da Adecoagro, o objetivo é colher, em 2018, a cana que ficou no campo por conta das chuvas. Com isso, a expectativa é que os próximos resultados aumentem tanto em relação à quantidade de cana esmagada quando no Ebitda.

Queda na produção de açúcar, etanol e energia

Ainda segundo a empresa, a queda na moagem foi parcialmente compensada pelo aumento da eficiência: no terceiro trimestre de 2017/18, a moagem de cana por hora subiu de 1,9 mil toneladas para 2,1 mil toneladas (+7%). Isso, entretanto, não impediu a diminuição nos volumes produzidos.

A produção de açúcar foi de 96,9 mil toneladas, quantidade 54,5% menor que no mesmo período da temporada anterior, quando foram produzidas 212,9 mil toneladas do produto.

Quando o assunto é etanol, a queda foi um pouco menor – de 12,3%. No terceiro trimestre de 2017/18 foram produzidos 106,2 milhões de litros de etanol contra os 121,1 milhões de litros produzidos de outubro a dezembro de 2016.

Já a energia ficou no meio do caminho em relação à queda de produção, apresentando redução de 34,6%. Enquanto em 2017 foram gerados 168,8 GWh no terceiro trimestre, a geração chegou aos 258 GWh no mesmo período de 2016/17.

adecoagro 4t2017 1 produção trimestre 28032018

Desempenho financeiro

A menor produção impactou diretamente na receita de vendas. A receita líquida do grupo na divisão canavieira caiu em 33,7% no terceiro trimestre de 2017/18 em relação ao mesmo período do ano anterior: de US$ 259,4 milhões para US$ 172 milhões.

adecoagro 4t2017 2 receita trimestre 28032018

Separando por produtos, o açúcar foi o que teve queda mais significativa nos valores de venda (-49,6%). Já etanol e energia tiveram reduções de 9,2% e 33,5%, respectivamente.

adecoagro 4t2017 3 receita produtos 28032018

Considerando o volume das vendas dos produtos no trimestre, foram comercializadas 215,9 mil toneladas de açúcar em detrimento das 341,3 mil toneladas no mesmo período do ano anterior (-36,7%). Essa queda menos acentuada que a diminuição na receita indica que também houve uma redução no preço médio de venda do adoçante.

Por sua vez, a comercialização de etanol no mesmo período caiu em 3,1% (de 176,9 milhões de litros para 171,4 milhões de litros) e a de energia diminuiu em 56,2% (de 488,4 GWh para 213,8 GWh). Nesses dois casos, o aumento do preço médio minimizou parcialmente a queda na produção.

adecoagro 4t2017 5 produção anual 28032018

Em compensação, ao considerar o resultado acumulado de janeiro a dezembro, a receita líquida das atividades canavieiras teve um aumento de 1,3%: chegou aos US$ 576,2 milhões, superando os US$568,7 milhões de 2016.

O crescimento, apesar de pequeno, foi reflexo de um compilado de fatores. A Adecoagro produziu mais etanol e aumentou os volumes de venda do produto ao comercializar parte dos estoques, aproveitando os preços mais altos do biocombustível. Além disso, o preço da energia também subiu.

adecoagro 4t2017 4 receita anual 28032018

Dívidas da Adecoagro

A posição das dívidas da Adecoagro no setor de etanol, açúcar e energia aumentaram tanto no curto quanto no longo prazo. Em 31 de dezembro de 2017, elas somavam US$ 681,82 milhões, ante US$ 641,30 um ano antes (+6,32%).

Além disso, ao final de 2017, os débitos a longo prazo chegaram aos US$ 616,9 milhões, valor 165% superior à posição em 31 de dezembro de 2016 (US$ 372,7 milhões). Considerando a dívida em 30 de setembro de 2017, data do encerramento do trimestre anterior, ela aumentou em 7,47%.

Quando o assunto são as dívidas a curto prazo, o cenário é semelhante. Ao final do terceiro trimestre de safra, os débitos acumulavam aos US$ 681,8 milhões, valor 127,75% superior aos US$ 533,2 milhões vistos no mesmo período do ano anterior. Levando em conta o segundo trimestre de 2017/18, as dívidas a curto prazo subiram em 6,32%.

adecoagro 4t2017 9 dividas 28032018

Investimentos no setor sucroenergético

Do capex total da Adecoagro, de US$ 199,7 milhões, 86,4% foram destinados para o setor de açúcar, etanol e energia, ou seja, US$ 172,2 milhões.

Especificamente em relação aos canaviais, o investimento foi de US$ 49,6 milhões. Ele foi direcionado para o aumento da plantação de cana-de-açúcar, a fim de ampliar em 30% a moagem do cluster de usinas.

Resultados gerais

Abrangendo todas as atividades de Adecoagro, o lucro líquido registrado no período de outubro a dezembro foi de US$ 4,9 milhões, valor 50,6% menor que no mesmo período do ano anterior. Já a receita líquida foi de US$ 261,9 milhões, 17,9% a menos na comparação anual (US$ 319,2 milhões).

Considerando o acumulado anual de 2017 (janeiro a dezembro), a variação no lucro líquido foi positiva para a Adecoagro em 214%, chegando a US$ 11,9 milhões. Quanto às receitas líquidas, no acumulado de 2017, o acumulado foi de US$ 841,3 milhões.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

Compartilhar: