A Agroconsult projetou na manhã desta sexta-feira, 6, que as usinas e destilarias do Centro-Sul do Brasil processarão entre 615 milhões e 630 milhões de toneladas de cana-de-açúcar na safra 2016/17, que se inicia em abril do ano que vem.
Com isso, o processamento na próxima temporada pode ser de 2,5% a 5% maior ante ao recorde de 600 milhões de toneladas previstas pela consultoria para o atual ciclo. As projeções foram divulgadas durante teleconferência on-line pelo sócio analista da Agroconsult, Fabio Meneghin.
De acordo com ele, essa expansão está relacionada à melhor rebrota da cana desde 2010, ao alongamento de safra por algumas usinas e à reativação de certas unidades. Além disso, sobrarão em torno de 20 milhões de toneladas de cana da safra 2015/16 para serem processadas no ano que vem.
"Analisados os últimos três anos, a safra 2016/17 é a que apresenta o melhor início, de acordo com os índices de vegetação dos canaviais – mais especificamente no que diz respeito ao estado de São Paulo. Até 16/10, o índice de vegetação acumulado medido pela Agrosatélite está 13% acima do mesmo período do ano passado, indicando uma boa rebrota das soqueiras", informou a análise.
Apesar das perspectivas positivas, o canavial estará mais velho na próxima temporada, o que não significa queda na produtividade. A consultoria projeta que as áreas de renovação ficarão abaixo da quantidade observada no ano passado. "As restrições de acesso ao crédito, a boa produtividade na safra atual e a necessidade de ter cana disponível na próxima safra são as principais razões para essa retração".
Com a recente recuperação das margens do açúcar e etanol, a Agroconsult considera que muitas usinas planejam realizar um melhor tratamento das soqueiras até o final do verão. Com isso, a análise aposta que a combinação do tratamento das soqueiras com o esperado clima mais chuvoso resulte em manutenção ou até elevação da produtividade na safra 2016/17.
A cana disponível no campo supera a previsão de moagem – isso porque a produtividade média está superando as expectativas, no entanto, a fase final da temporada 2015/16 está sendo prejudicado pelo mau tempo, que impede a entrada das máquinas no campo para a colheita de cana. Por isso, além da cana bisada, é possivel que algumas usinas acabem esticando a safra além de dezembro.
"A dúvida, agora, é saber se as usinas vão conseguir colher e processar a cana justamente no momento em que as chuvas começam a cair com mais intensidade de frequência no Centro-Sul do país. É de esperar, portanto, que parte das empresas devam processar cana de janeiro a março, no período de entressafra".
Em 2015, o processamento foi prejudicado por chuvas em excesso em Estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo. Quanto aos produtos, a Agroconsult projetou que a fabricação de açúcar em 2016/17 no Centro-Sul pode variar de 32,9 milhões (+2,8%) a 33,7 milhões de toneladas (+5,3%).
Já a produção de etanol tende a crescer para algo entre 27,8 bilhões (+3,6%) e 28,5 bilhões de litros (+6,2%). O nível de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR) também tende a melhorar na próxima safra, para algo perto de 134,5 kg por tonelada de cana processada, ante 132,7 kg em 2014/15.
Meneghin afirmou, ainda, que as margens de lucro do açúcar e do etanol devem ser de 20% e 14% respectivamente em 2016/17. Na atual safra, esses porcentuais estão em 17% para ambos.
edição adicional novaCana.com