Raízen Energia, joint venture da Cosan e da Shell, alcançou a marca de 22,4 milhões de toneladas de cana-de-açúcar moídas no trimestre
Os três primeiros meses da safra 2016/17 trouxeram números positivos para a Raízen Energia. Segundo o resultado trimestral da sua controladora – a Cosan –, a empresa moeu 22,4 milhões de toneladas de cana no primeiro trimestre da safra 2016/17, o que representa um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado.
Assim, a Raízen registrou também um aumento na produção e na venda de produtos próprios, motivada por melhores preços no período.
Saiba mais:
- Vendas do período por produto
- Custos de produção
- Mudanças na produtividade agrícola e industrial
- Resultados financeiros da Cosan
Os três primeiros meses da safra 2016/17 trouxeram números positivos para a Raízen Energia. Segundo o resultado trimestral da sua controladora – a Cosan –, a empresa moeu 22,4 milhões de toneladas de cana no primeiro trimestre da safra 2016/17, o que representa um aumento de 16% em relação ao mesmo período do ano passado.
A Raízen registrou também um aumento na produção e na venda de produtos próprios, motivada por melhores preços no período. Segundo o relatório, as vendas foram responsáveis por um aumento de 120% no Ebitda ajustado (lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização), que alcançou R$ 723 milhões no período. Especificamente, a receita líquida ajustada totalizou R$ 2,6 bilhões, um crescimento de 51% na comparação com o mesmo trimestre do ano passado.
“Com a antecipação do início da moagem em algumas usinas para março, foi possível atingir um nível de moagem plena já no início do trimestre” (Raízen)
Assim como aconteceu com outras companhias do setor, a Raízen ressalta a antecipação do período de moagem no início desta safra. O fator contribuiu para os melhores resultados nesse primeiro trimestre, enquanto o mesmo período em 2015/16 foi impactado pela postergação do início da moagem.

O ritmo intenso das operações e a atual vocação do setor em seguir o curso dos preços favoráveis para geração de caixa também ficou claro nas receitas geradas pelo açúcar no primeiro trimestre da Raízen.
Com o atrativo mercado de exportações do período, a venda da commodity gerou uma receita líquida de R$ 1,1 bilhão – um crescimento de 96,1% em comparação à receita líquida ajustada de R$ 568,7 milhões, reconhecida primeiro trimestre da safra passado. “O melhor resultado reflete o crescimento do volume vendido de açúcar, principalmente próprio e priorizando as exportações, que atingiram 971 mil toneladas (+78,2%) e o melhor preço médio praticado, que foi de R$ 1.149/ton (+10,1%), acompanhando a alta de preços em reais praticada pelo mercado”, destaca o documento da companhia.

Mesmo com o crescimento das receitas do adoçante, o ganho líquido da Raízen com o etanol permanece relevante. Alcançando R$ 1,3 bilhão, a receita líquida no período representou um crescimento de 34,2% na comparação com o mesmo trimestre da última safra.
Além disso, o dólar mais valorizado e a retomada da política de incentivo ao consumo de biocombustíveis na Califórnia também registrou reflexos no balanço da companhia. A Raízen destacou no relatório o registro de melhores preços e o aumento do volume vendido no período, principalmente do destinado às exportações.
O volume total vendido de etanol atingiu 766 milhões de litros (+22,3%), com um preço médio no trimestre de R$ 1.647/m³ (+9,7%). Em 2015/16, a companhia registrou um volume de 626 milhões de litros, que foram vendidos, em média, a R$ 1.501/m³.

As maiores vendas também resultaram em uma diminuição na posição dos estoques. Ao final do trimestre, as reservas de açúcar da companhia somavam 498 mil toneladas, um volume 41,1% menor que as 846 mil toneladas vistas em 30 de junho de 2015. Já os estoques de etanol caíram 22,1%, indo de 458 milhões para 357 milhões de litros.

Por sua vez, a cogeração apresentou uma queda de 12% em sua receita, que atingiu R$ 151,4 milhões. Segundo a Raízen, a aceleração da moagem e a maior quantidade de biomassa disponível possibilitaram o aumento do volume vendido, que atingiu 817 mil MWh (+15,9%). Entretanto, o preço médio de venda no trimestre foi de R$ 185/MWh, um valor 24% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.
Mais açúcar, mais produtividade e mais custos
Segundo a empresa, o mix de produção da Raízen foi focado na maximização da produção de açúcar (55% açúcar). Os custos com esse produto cresceram 1% de acordo com a empresa, com o maior custo com cana de fornecedores (Consecana) sendo parcialmente compensado por ganhos com a melhoria da eficiência na produção.
Também foi registrado um aumento na produtividade agrícola (TCH), que atingiu 91,9 tons de cana/hectare – um valor 2% maior que os 89,9 tons de cana/hectare registrados no começo da safra anterior. “O clima favorável, caracterizado por chuvas mais regulares ao longo do último ano safra, aliado aos investimentos realizados em plantio e trato cultural, contribuíram para a melhora da produtividade agrícola”, afirma a empresa.
Contudo, o ATR médio foi de 121,2 kg/ton, um índice 1,2% inferior aos 122,6 kg/ton vistos no mesmo trimestre do ano passado – e se tornou uma das razões alegadas para o aumento dos custos da companhia.
“O custo unitário de produção, em açúcar equivalente, cresceu 1%, sendo significativamente menor que a inflação no período” (Raízen)
No total do trimestre, o custo dos produtos vendidos foi de R$ 2,2 bilhões, um aumento de 40,5% na comparação com o mesmo período da safra anterior. Já o custo unitário de produção, em açúcar equivalente, foi de R$ 597/ton.

Segundo a Raízen, além do ATR, também influenciaram nesse quadro o maior volume de produção, o aumento de 24,4% do preço de compra da cana-de-açúcar e as interrupções operacionais causadas pelas chuvas.
Investimentos
Os investimentos realizados pela Raízen no trimestre caíram em 6,1% na comparação com o primeiro da safra passada, totalizando R$ 357,7 milhões. A empresa alega que houve menos despesas com manutenção de entressafra devido ao atraso no plantio de inverno causado pelas chuvas, além da redução dos aportes em projetos diversos.
Especificamente, os investimentos na manutenção da entressafra foram de R$ 24,7 milhões, uma queda de 69,8% em comparação com o registrado na safra passada. Outra queda significativa foi na área de cogeração, que teve investimentos de R$ 23,1 milhões no período (-32%).

Resultados da Cosan
Considerando 50% dos resultados da Raízen Combustíveis e da Raízen Energia, empresas que fazem parte de uma joint venture da Cosan e da Shell, a Cosan relatou um lucro líquido de R$ 281,6 milhões entre abril e junho. O resultado representa um aumento de 1.617% em relação aos R$ 16,4 milhões do mesmo trimestre em 2015.
A receita líquida da companhia, por sua vez, aumentou 13,4% e alcançou R$ 11,45 bilhões entre abril a junho, com um Ebitda de R$ 1,289 bilhão, ante os R$ 823,8 milhões registrados no mesmo período de 2015.
De acordo com a companhia, dois dos principais motivadores da melhora na geração de caixa foram os resultados da Raízen Energia – com o adiantamento do início da safra – e o aumento das vendas de combustíveis em 1%. Dessa forma, a expansão da rede de distribuição da Raízen Combustíveis, que aumentou seu número de postos, teria compensado a queda no mercado de combustíveis.
Entretanto, a Cosan também registrou um aumento em sua dívida líquida, que foi calculada em R$ 11,381 bilhões. Essa posição é 3,6% superior à registrada no ano passado e 5,9% maior que a registrada no mesmo período de 2015.
Renata Bossle – NovaCana