Etanol e energia remuneraram mais e compensaram os resultados fracos com o açúcar
Atuante no setor de açúcar, etanol e energia desde 2005, a empresa argentina Adecoagro possui três usinas ativas no Brasil – uma em Minas Gerais e duas em Mato Grosso do Sul. Além disso, é uma das que encabeça o setor agrícola da América do Sul na produção de grãos e lácteos, produzidos tanto na Argentina quanto no Uruguai.
No resultado geral, apresentado no mais recente demonstrativo financeiro da companhia e considerando todo os segmentos, a empresa teve um prejuízo de US$ 31 milhões entre abril e junho de 2018. O valor representa uma redução de 915,7% em relação ao lucro de US$ 3,8 milhões visto no mesmo período do ano passado.
Apesar disso, as notícias são favoráveis no segmento de açúcar e etanol da Adecoagro. O resultado positivo se deu principalmente pela ampliação da moagem do grupo, que foi de 3,79 milhões de toneladas, um aumento considerável em relação ao mesmo período do ano passado.
No documento, a empresa elenca os principais motivos deste crescimento.
Confira, no conteúdo completo:
- Lucro bruto da Adecoagro
- Moagem da empresa
- Ebtida e margem Ebtida
- Receita líquida total e por produtos do setor sucroenergético
- Produção de açúcar, etanol e energia
- Investimentos feitos nas usinas
- Dívidas da Adecoagro
Atuante no setor de açúcar, etanol e energia desde 2005, a empresa argentina Adecoagro possui três usinas ativas no Brasil – uma em Minas Gerais e duas em Mato Grosso do Sul. Além disso, é uma das que encabeça o setor agrícola da América do Sul na produção de grãos e lácteos, produzidos tanto na Argentina quanto no Uruguai.
No resultado geral, apresentado no mais recente demonstrativo financeiro da companhia e considerando todo os segmentos, a empresa teve um prejuízo de US$ 31 milhões entre abril e junho de 2018. O valor representa uma redução de 915,7% em relação ao lucro de US$ 3,8 milhões visto no mesmo período do ano passado.
Apesar disso, as notícias são favoráveis no segmento de açúcar e etanol da empresa. O lucro bruto no primeiro trimestre de safra foi de US$ 39,56 milhões, 38,7% a mais do que os US$ 28,53 milhões de lucro bruto no mesmo período da safra anterior.

O resultado positivo se deu principalmente pela ampliação da moagem do grupo, que foi de 3,79 milhões de toneladas, um aumento considerável em relação ao mesmo período do ano passado. O acréscimo foi de 53,9%, pois a Adecoagro moeu 2,46 milhões de toneladas na safra 2017/18.

No documento, a empresa elenca que os principais motivos deste crescimento foram a eficiência industrial, que permitiu mais esmagamento por hora, e o aumento em 48% no número efetivo de dias de moagem, por conta de condições climáticas favoráveis.
Com essa intensificação no processamento de cana, houve uma redução dos custos, que, por sua vez, também foram beneficiados por uma queda no preços da matéria-prima dados pelo Conselho dos Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana) e por um aumento do volume de cana própria (de 2,3 para 3,5 milhões de toneladas). A Adecoagro ainda celebrou a redução no valor do diesel nacional, motivada pela greve dos caminhoneiros.
No campo, a produtividade foi de 91,7 toneladas por hectare considerando todo o primeiro semestre de 2018. O crescimento anual de 6,1% é atribuído ao aumento das chuvas nos terceiro e quarto trimestres da safra passada e ao ciclo de crescimento mais longo proporcionado à cana. Além disso, a Adecoagro também registrou um ATR maior, de 119,7 kg por tonelada.
Resultados financeiros positivos
As melhorias refletiram em um Ebitda trimestral de US$ 80,9 milhões nos negócios de açúcar e etanol da Adecoagro – 31,8% a mais que o mesmo período de 2017, quando o valor foi US$ 61,36 milhões. Com isso, a margem Ebitda também ampliou de 47,5% para 72,9% no período.
Segundo a companhia, contribuíram para o aumento do Ebitda: a maximização da produção de etanol – que rendeu mais que o açúcar, considerando a utilização de matéria-prima –, as maiores receitas de energia, o aumento da moagem, as redução dos custos e a desvalorização do real.

Por outro lado, mesmo com a produtividade elevada, a Adecoagro reduziu a receita líquida no comparativo entre o primeiro trimestre das safras 2017/18 e 2018/19, passando de US$ 129,27 milhões para US$ 110,95 milhões (-14,2%).

Açúcar X etanol
A diminuição na produção de açúcar ocorreu principalmente pela retração dos preços de venda, que foi parcialmente compensada por um aumento na produção de etanol.

Assim, dentre os produtos, o biocombustível foi o que mais pesou na receita do primeiro trimestre de safra. Foram US$ 62,76 milhões, um aumento de 46,6% em relação à temporada anterior, quando remunerou US$ 42,80 milhões.
Segundo o relatório, o período teve preços mais elevados, com o etanol anidro e hidratado negociados a um valor em açúcar equivalente de US$ 0,16/libra-peso e US$ 14,7/libra-peso, respectivamente – o equivalente a prêmios de 34,1% e 22,7% sobre o preço da commodity.
A produção do hidratado foi 170,3% maior, atingindo 144,67 milhões de litros, enquanto ano passado foi de 53,51 milhões de litros. Já o anidro alcançou uma produção 98,4% superior, ampliando de 34,81 milhões de litros para 69,06 milhões de litros.
Não à toa, a participação do etanol no mix de produção da companhia subiu de 50% para 73% no primeiro trimestre da safra, impulsionado principalmente pela baixa remuneração do açúcar.

O mercado do biocombustível no trimestre, segundo a Adecoagro, foi marcado pela forte demanda antes da greve, pela alta competitividade do hidratado nas bombas, pelos números elevados de produção e pela queda sazonal dos preços.
Os preços do anidro e hidratado caíram 15% e 10%, respectivamente, em relação ao trimestre anterior (janeiro a março), principalmente por conta dos estoques elevados. Ainda assim, os valores foram superiores aos registrados no mesmo período de 2017, quando a remuneração foi 12% e 10% inferior.
Dessa maneira, as vendas de etanol hidratado pelas usinas do Centro-Sul foram 32% maiores que no mesmo período do ano anterior. A companhia afirma que isso deve ajudar a compensar a atual produção elevada na região, impulsionado os preços nos próximos meses.
Já o açúcar remunerou 53,3% a menos no primeiro trimestre da safra 2018/19, atingindo US$ 32,62 milhões – no mesmo período da safra passada, o valor foi US$ 74,72 milhões. Além disso, com uma produção de 120,97 milhões de toneladas, o montante foi 15,3% inferior às 142,97 milhões produzidas no mesmo trimestre do ano passado.
Isso se deve ao fato dos preços do açúcar no primeiro trimestre da safra terem sido 12% menores em relação ao último trimestre da safra anterior e 21% mais baixos que no mesmo período do ano passado, desestimulando um direcionamento do mix para a commodity. As negociações a 10,69 centavos de dólar por libra-peso em abril deste ano, por conta das produções excedentes da Índia e da Tailândia, também pressionaram as negociações.
Energia remunera mais
Os preços elevados de energia também beneficiaram a Adecoagro. A produção foi de 229,66 GWh, uma ampliação de 39,4% frente aos 164,81 GWh produzidos anteriormente. Com isso, a receita aumentou em 32,7% entre os dois anos, passando de US$ 11,75 milhões para US$ 15,6 milhões.

Esse aumento, segundo a companhia, foi possível devido à combinação de um preço médio trimestral 9,9% mais elevado no comparativo anual e de uma produção 20,7% maior, além da grande disponibilidade do bagaço de cana, por conta da moagem mais elevada.
Os preços de energia no mercado spot para a região sudeste durante o primeiro semestre da safra foram 54% maiores do que o último semestre de 2017/18. Em abril, os preços foram R$ 109,71/MWh, passaram para R$ 325,46/MWh em maio e chegaram a R$ 472,87/MWh em junho.
Além disso, a Adecoagro possui matéria-prima para ampliar ainda mais a produção de energia. O documento expressa: “Terminamos o trimestre com um alto nível de bagaço e planejamos queimar durante o segundo semestre do ano”.
O grupo também espera que os preços permaneçam atrativos, pois a redução das chuvas diminuiu a geração de energia nas hidrelétricas.
Investimentos nas usinas
A Adecoagro possui três usinas instaladas no Brasil: Adecoagro e Usina Angélica, em Mato Grosso do Sul, e Usina Monte Alegre, em Minas Gerais.
A expansão do cluster em Mato Grosso do Sul está avançando de acordo com o planejado e dentro do orçamento, segundo o documento. Na Usina Angélica, os investimentos foram concluídos para atingir a capacidade de moagem de 1,05 mil toneladas por hora. Já na usina Adecoagro, a maior parte dos investimentos também foi finalizada.
Os investimentos no campo também foram elevados. Durante o segundo trimestre de 2018, a Adecoagro plantou um total de 9,97 mil hectares de cana-de-açúcar – sendo que 3,72 mil hectares correspondem a áreas de expansão para suprir a crescente capacidade de moagem e outros 6,25 hectares correspondem a áreas plantadas para renovação. “Renovar plantações antigas com cana-de-açúcar nova e de alta produtividade nos permite manter a produtividade da nossa plantação”, expressa a empresa.
A maior parte dos investimentos feitos pelo grupo – 84% – foi para o setor de açúcar, etanol e energia, chegando a um montante de US$ 95,7 milhões. O capex de expansão atingiu US$ 28,8 milhões por conta dos investimentos em aumento da capacidade de moagem e nos novos hectares plantados para suprir a crescente capacidade industrial. Já o capex de manutenção atingiu US$ 67,0 milhões, uma redução de 16,8% em relação ao ano anterior. A diminuição se deu pelos 18% de depreciação do real brasileiro.
Dívidas da Adecoagro
No setor de açúcar e etanol, as dívidas ao final do trimestre somavam US$ 633,61 milhões em 30 de junho de 2018, um aumento de 2,4% em relação à posição de um ano antes, quando o montante era de US$ 618,48 milhões.

Em relação aos débitos com vencimento em até 12 meses, houve uma redução de 56,7%, passando de US$ 136,87 milhões para US$ 59,21 milhões em relação ao mesmo período do ano passado.
Já nos débitos com prazo superior houve um aumento de 19,3% entre os dois anos, passando de US$ 481,61 milhões para US$ 574,4 milhões.
Gabrielle Rumor Koster – NovaCana