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MME comemora reconhecimento do etanol de milho para produção de SAF

Vitória do Brasil junto à Icao garante inclusão da safrinha na produção de combustível sustentável para aviação


Ministério de Minas e Energia - Publicado: 30 Jun 2025 - 15:11 | Atualizado: 01 Jul 2025 - 08:18

O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, comemorou a decisão da Organização de Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês) que reconhece os benefícios ambientais e produtivos da prática agrícola de múltiplas culturas – com destaque para a segunda safra de milho, conhecida como safrinha – na produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês).

“Essa vitória na Icao é mais uma prova de que o Brasil é o grande líder da transição energética global e estamos liderando com soluções sustentáveis, justas e inclusivas”, disse Silveira. “Sob a orientação do presidente Lula, enfrentamos interesses contrários e avançamos com essa conquista do Combustível do Futuro, mostrando ao mundo que é possível descarbonizar a aviação sem comprometer a produção de alimentos”, completa.

A medida foi aprovada pelo conselho da Icao no dia 4 de julho, a partir de recomendação técnica da Comitê de Proteção Ambiental da Aviação (Caep). De acordo com o Ministério de Minas e Energia (MME), em nota, ela representa um marco importante para o avanço da produção de SAF em países tropicais e em desenvolvimento, como o Brasil.

A decisão foi viabilizada por uma articulação conjunta entre MME, Ministério das Relações Exteriores (MRE) e Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A iniciativa teve apoio de todos os países votantes, com exceção dos Estados Unidos.

A prática de múltiplas culturas, ou culturas sequenciais, consiste no cultivo de duas ou mais safras por ano na mesma área e é comum no Brasil graças às condições climáticas favoráveis. Para o MME, o reconhecimento da Icao confirma que esse modelo produtivo aumenta a oferta de matéria-prima para SAF de forma sustentável, sem a necessidade de expandir a fronteira agrícola.

“Além de reduzir emissões de gases de efeito estufa, o uso de SAF é estratégico para o alcance das metas climáticas do setor aéreo internacional, que pretende atingir emissões líquidas zero até 2050. A estimativa é que os combustíveis sustentáveis possam responder por até 55% da redução necessária”, afirma o MME, em nota.

Ainda segunda a pasta, com a decisão da Icao, também foram aprovados os valores de intensidade de carbono da rota de produção de SAF a partir do etanol de milho da segunda safra brasileira, por meio da tecnologia conhecida como ethanol-to-jet. “A expectativa é de que a aprovação amplie a produção nacional e fortaleça a participação do Brasil na aviação de baixo carbono”, completa.

A equipe de reportagem da Reuters entrou em contato com Departamento de Estado dos EUA, que preferiu não quis comentar o tema.

Em março, de acordo com apuração da Reuters, a porta-voz do Departamento de Estado, Tammy Bruce, disse que a recomendação penalizaria os produtores dos Estados Unidos e daria ao Brasil vantagens injustas em relação ao resto do mundo, afirmando que atribuiria uma pontuação de carbono mais baixa ao plantio múltiplo, ou seja, quando duas ou mais culturas, como milho e soja, são cultivadas na mesma terra.

Com informações adicionais da Reuters; edição NovaCana