Governo acredita na viabilidade econômica do etanol de segunda geração a ponto de estipular datas e volumes para esse tipo de combustível dentro de suas metas para a matriz energética
Passageiros em um voo constantemente remarcado. É assim que devem se sentir os principais apostadores na tecnologia de produção de etanol de segunda geração. Embora permaneçam animados com a perspectiva da viagem, o momento da decolagem é uma das maiores preocupações.
Os prazos para a viabilidade produtiva e econômica do etanol celulósico seguem mudando. Há quem aposte em resultados já em 2017, mas a maior parte dos palpites foi empurrada para os próximos anos ou até para a próxima década. Dependendo de onde vem a informação – e do quão investida na tecnologia a fonte está –, as perspectivas seguem mudando e as apostas variam muito.
A mais recente previsão vem do Ministério de Minas e Energia (MME) e adiciona alguns anos para que a tecnologia possa ser competitiva no mercado. Ainda assim, a estimativa do governo pode ser considerada otimista, pois visualiza um futuro onde o E2G irá avançar sobre uma parcela do mercado do etanol de primeira geração.
Veja a seguir detalhes da nova aposta do governo brasileiro envolvendo o etanol celulósico no Brasil:
- Estimativas de volume produzido de etanol de segunda geração no médio e longo prazo
- Perspectivas para a viabilidade econômica das usinas de etanol celulósico
- Posicionamentos sobre a concorrência entre E2G e cogeração
- O ganho de eficiência projetado para a tecnologia
- O modelo de negócio para o E2G vislumbrado pelo governo
Passageiros em um voo constantemente remarcado. É assim que devem se sentir os principais apostadores na tecnologia de produção de etanol de segunda geração. Embora permaneçam animados com a perspectiva da viagem, o momento da decolagem é uma das maiores preocupações.
Os prazos para a viabilidade produtiva e econômica do etanol celulósico seguem mudando. Há quem aposte em resultados já em 2017, mas a maior parte dos palpites foi empurrada para os próximos anos ou até para a próxima década. Dependendo de onde vem a informação – e do quão investida na tecnologia a fonte está –, as perspectivas seguem mudando e as apostas variam muito.
A mais recente previsão vem de um estudo realizado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), vinculada ao Ministério de Minas e Energia (MME) e adiciona vários anos de desenvolvimento até que a tecnologia deslanche. Ainda assim, a estimativa do governo pode ser considerada otimista, pois visualiza um futuro onde o E2G irá avançar sobre uma parcela do mercado do etanol de primeira geração.
Segundo o estudo, o país verá ‘volumes consideráveis’ de etanol celulósico apenas a partir de 2023. E, em 2030, a previsão é de que a produção anual alcance 2,5 bilhões de litros: “O etanol de segunda geração começará a aparecer em volumes consideráveis a partir de 2023, atingindo 2,5 bilhões de litros no final do período [2030]”.
Esse montante seria essencial para que seja atingida a produção total de 54 bilhões de litros de etanol, de forma a atender às metas do país para a COP 21.
Na visão do governo, em 2023, o E2G finalmente conseguirá concorrer com a primeira geração. “As unidades existentes somente atingem a plena capacidade (245 milhões de litros) e custos competitivos para produção comercial a partir de 2023”, aposta o estudo.
Este volume projetado sugere que o governo espera a abertura de novas unidades. Atualmente, a capacidade máxima da unidade da Raízen é de 42 milhões de litros por ano, enquanto a Bioflex poderia chegar a 82 milhões de litros. Assim, as duas usinas poderiam somar, no máximo, 124 milhões de litros anuais.

Na visão governamental está contabilizado também um ganho de eficiência industrial a partir de 2028. “Admite-se que a unidade típica de segunda geração, que possui capacidade média de 80 litros de etanol por tonelada de cana, passe para 100 litros a partir de 2028”, aponta o estudo.
Modelo de negócio
O governo destaca que o sucesso do modelo de negócio virá em função da integração com a primeira geração, um sistema mais próximo do buscado pelo CTC.
“A viabilidade econômica do etanol de segunda geração no Brasil será conquistada, dentre outros motivos, pela sua integração com a produção do etanol de primeira geração, devido ao compartilhamento de equipamentos”, relata a EPE.
E2G X Cogeração
Segundo a EPE, as usinas que já implantaram a cogeração de alta eficiência apresentarão dificuldades para fabricar o etanol de segunda geração em plantas comerciais em um horizonte de dez anos, pois quase todo o bagaço já está comprometido.
“Para fazê-lo, elas teriam que utilizar a palha e ponta disponível ou a cana-energia a ser plantada em área próxima e, neste caso, será necessário um novo estudo de viabilidade econômica, devido aos custos adicionais com equipamentos para colheita e processamento”, complementa.
O tema esteve presente também no NovaCana Ethanol Conference, que aconteceu em junho em São Paulo, como parte do painel específico sobre etanol celulósico. Na ocasião, o vice-presidente de negócios da GranBio, Alan Hiltner, e o diretor executivo da Raízen, Antonio Alberto Stucchi, discordaram sobre a situação da disputa por matéria-prima existente entre a cogeração e o etanol celulósico.
“Acredito que o E2G não compete com a cogeração. Considerando o volume de matéria-prima desperdiçada, há potencial para que as usinas façam as duas coisas”, alegou Alan Hiltner.
Já Stucchi esteve mais alinhado com a visão do governo e apresentou a necessidade de escolha: “O E2G é competidor da cogeração, a decisão do que produzir ficará sob o crivo da estratégia das companhias”. O diretor ainda justificou as escolhas da Raízen com base na atual situação do mercado de energia elétrica. “O mais adequado para aproveitar a palha de cana seria investir em energia, mas não temos preço e condições adequadas”, afirma.
Os conteúdos das palestras apresentadas no NovaCana Ethanol Conference estão disponíveis para download para os assinantes do NovaCana.
Renata Bossle – NovaCana