Os futuros de açúcar demerara fecharam em ligeira queda ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). O movimento foi de ajustes, e os contratos continuam no intervalo que vai de 16,50 cents a 17 cents por libra-peso. No entanto, cresceu a percepção de pressão no curto prazo, reforçada pelo mix mais açucareiro no Centro-Sul do Brasil.

Graças à alta das cotações do alimento e das condições climáticas favoráveis aos trabalhos de colheita, as usinas da principal região produtora do País estão direcionando maior parcela de matéria-prima para a fabricação do adoçante. Só em abril o mix foi de 42%, ante 34% há um ano, com produção de 3,24 milhões de toneladas (+124%), conforme dados da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica).
O sentimento de que a oferta contra a tela de julho será maior do que a inicialmente prevista responde pelas perdas mais acentuadas desse contrato ante os demais. Ontem, julho recuou 7 pontos (0,41%) e encerrou em 16,82 cents/lb, com máxima no dia de 16,95 cents/lb (mais 6 pontos) e mínima de 16,57 cents/lb (menos 32 pontos). Outubro caiu 2 pontos (0,12%) e terminou em 17,10 cents/lb. O spread julho/outubro variou 23 para 28 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

A sustentação no longo prazo, por sua vez, ainda advém da perspectiva de déficit, o primeiro após cinco anos seguidos de superávit. Ontem, a INTL FCStone elevou de 7 milhões para 9,6 milhões de toneladas a estimativa de déficit no ciclo 2015/16, que se encerra em setembro, e previu outro, de 7,8 milhões de toneladas, para 2016/17.
"O déficit global deve se estreitar, mas ainda assim deve atingir 7,8 milhões de toneladas, representando a terceira maior redução nos estoques dos últimos doze anos", ressaltou o analista João Paulo Botelho, em relatório. A relação estoques-uso, por sua vez, deve cair para 34,2%, o menor nível desde 2010/11.
O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a quarta-feira em R$ 75,44/saca (+0,01%). Em dólar, ficou em US$ 21,63/saca (+0,23%). A moeda norte-americana fechou em R$ 3,4895 (-0,45%).
