Hoje, 1º, entram em vigor as novas misturas obrigatórias de biocombustíveis no país: o etanol passa para E30 – com 30% de anidro na gasolina – e o biodiesel para B15, elevando de 14% para 15% a proporção do renovável no diesel.
A medida, aprovada pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), tem como objetivo reduzir a dependência do Brasil em relação à importação de combustíveis fósseis, especialmente em um momento de instabilidade no mercado global de energia.
Para a empresa de gestão e comercialização Bioind Agro, além de representar um passo estratégico rumo à autossuficiência energética, a mudança tem efeito direto sobre o mercado agrícola, especialmente nas cadeias de milho e soja.
No caso do etanol, a expectativa da companhia é de uma demanda adicional de até 2 bilhões de litros de etanol anidro ao ano, “um impulso que tende a consolidar o milho como principal vetor de crescimento na produção do biocombustível”.
A analista de inteligência e estratégia Yedda Monteiro avalia que a decisão é mais do que uma diretriz técnica. “A adoção simultânea do B15 e do E30 é um recado político e econômico claro: o Brasil quer e pode ser protagonista global na transição energética baseada no agro. A cadeia produtiva da soja e do milho será diretamente beneficiada com mais demanda, investimentos e previsibilidade de preços”, afirma.

De acordo com dados da Biond Agro, o Brasil pode antecipar para 2025 o uso de mais de 30 milhões de toneladas de milho na produção de etanol, volume que antes era projetado apenas para 2026. A companhia acredita que estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia e Tocantins devem ser os principais beneficiados com investimentos de novas instalações de indústrias de etanol de milho.
Além disso, a nova política de renováveis também mira na descentralização da produção energética, com reflexos diretos em regiões do interior ligadas ao agronegócio. A tendência, segundo a Bioind Agro, é que a expansão da bioenergia impulsione novos polos de produção de etanol e biodiesel fora dos grandes centros, gerando emprego, renda e infraestrutura no campo.
“A alta do biodiesel deve favorecer o consumo doméstico de soja, mas ainda enfrentamos desafios, como a forte dependência do mercado externo. O ideal é que o crescimento da bioenergia venha acompanhado de políticas de estímulo ao uso industrial interno da soja”, pontua Monteiro.
Segundo o levantamento da Biond, o país deve processar cerca de 73 milhões de toneladas de soja ainda em 2025, puxado pela demanda interna por farelo e óleo. “Esse avanço regula o mercado, estimula o esmagamento interno e reduz a dependência da exportação como única alternativa. É um passo importante para fortalecer a autonomia energética do país com base no que temos de melhor: o nosso agro”, relata a analista.

A decisão do CNPE ocorre em meio ao cenário geopolítico instável no Oriente Médio, região central na oferta global de petróleo. Ao mesmo tempo, conforme análise da companhia, reforça o compromisso do Brasil com uma matriz energética mais limpa, diversificada e resiliente.
“A elevação simultânea do E30 e do B15 mostra que o Brasil aposta em combustíveis renováveis não apenas por sustentabilidade, mas como um vetor de segurança energética e desenvolvimento regional”, finaliza Yedda Monteiro.