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Para ministro, tarifa dos EUA sobre etanol seria irracional; pede negociações no açúcar


Reuters - Publicado: 14 Fev 2025 - 09:16

O ministro de Minas e Energia do Brasil, Alexandre Silveira, disse nesta quinta-feira, 13, que uma possível tarifa dos EUA sobre o etanol brasileiro não seria razoável, enfatizando que os dois países historicamente negociam o comércio de etanol e açúcar juntos.

Seus comentários foram feitos depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, decidiu acabar com as baixas tarifas de décadas, aumentando-as para se equipararem às de outros países. Um informativo da Casa Branca sobre o plano apontou as tarifas de etanol do Brasil como um exemplo de práticas comerciais desleais.

“A tarifa dos EUA sobre o etanol é de meros 2,5%, mas o Brasil cobra das exportações de etanol dos EUA uma tarifa de 18%. Como resultado, em 2024, os EUA importaram mais de US$ 200 milhões em etanol do Brasil, enquanto exportaram apenas US$ 52 milhões em etanol para o Brasil”, disse o documento na quinta-feira.

Silveira argumentou que, para que o plano de Trump seja justo e recíproco, como defende o republicano, a maior economia do mundo precisaria eliminar as tarifas de importação do açúcar brasileiro. “A medida adotada pelo presidente Trump é descabida, pois não há menção de permitir maiores exportações de açúcar brasileiro para os EUA”, disse ele em nota.

O anúncio de Trump não tem impacto imediato, mas pode resultar em tarifas mais altas para os principais parceiros comerciais até o início de abril, desencadeando negociações com dezenas de países para reduzir tarifas e barreiras comerciais.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse na quinta-feira que viu potencial para negociações tarifárias com os EUA.

O Brasil, um dos maiores produtores de açúcar do mundo, produziu cerca de 35 bilhões de litros de etanol em 2024, mas exportou menos de 6%, dos quais apenas 305,33 milhões de litros foram para os EUA, mostrou um relatório do BTG Pactual.

Enquanto isso, o Brasil importou 192 milhões de litros de etanol em 2024, 109 milhões dos quais vieram dos EUA, de acordo com o BTG Pactual, observando que a maior parte do etanol dos EUA vem do milho, enquanto o etanol de cana-de-açúcar ainda detém a liderança no Brasil.

Na declaração, Silveira argumentou que os EUA impõem uma tarifa de US$ 360 por tonelada sobre as importações de açúcar fora das cotas preferenciais, o que equivale a um imposto de 81,2% considerando os preços atuais de mercado – muito maior do que a tarifa de 18% do etanol no Brasil.

Ele observou que a cota de importação de açúcar definida pelos EUA para o Brasil na última safra foi de 147,54 mil toneladas, ou cerca de 0,4% do total das exportações de açúcar da maior economia da América Latina. Considerando as duas cotas adicionais divulgadas posteriormente, o volume chegou a 221,92 mil toneladas, ou 0,6% do volume total de 38,24 milhões de toneladas.

“Há muito tempo, o Brasil não consegue exportar açúcar para os Estados Unidos, exceto em pequenas cotas, porque suas tarifas tornam a exportação inviável”, disse à Reuters o CEO da União da Indústria de Cana-de-açúcar e Bioenergia (Unica), Evandro Gussi.

Por outro lado, em um comunicado, a US Renewable Fuels Association, um grupo comercial de etanol, agradeceu a Trump “por seu comprometimento em restabelecer uma relação comercial de etanol justa e recíproca com o Brasil”.

Marcela Ayres e Andre Romani
Com reportagem adicional de Lisandra Paraguassu e do NovaCana