Política

Política

Ministro minimiza mudanças de indicados para conselho da Petrobras: “Especulação”

Primeira mudança foi anunciada ontem, com a substituição de Wagner Victer, ex-presidente da Cedae, por Bruno Moretti, mais alinhado ao PT; data da assembleia é adiada para que novas alterações sejam feitas


O Globo - Publicado: 02 Mar 2023 - 14:04

O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Paulo Pimenta, minimizou nesta quinta-feira, 2, o desconforto do presidente Lula e do presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, devido às indicações para o conselho de administração da estatal feitas pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.

Pimenta afirmou que o colega de Esplanada tem “total respaldo” do presidente e que todas as indicações foram um “consenso” entre Jean Paul Prates, Silveira e o ministro-chefe da Casa Civil, Rui Costa, braço direito de Lula.

“O ministro Alexandre Silveira é uma pessoa que tem total respaldo do presidente da República. Todas as indicações para o conselho da Petrobras foram construídas de forma consensual e conjuntas pelo Alexandre Silveira, Jean Paul Prates e acompanhados por Rui Costa. Nenhuma indicação foi feita sem ter passado pelo entendimento dessas três pessoas. Qualquer especulação diferente dessa é absolutamente inverídica”, disse ele.

Como o jornal O Globo mostrou, a lista de indicados ao conselho de administração deve passar por mudanças. A primeira delas já aconteceu com a substituição de Wagner Victer, ex-presidente da Cedae, por Bruno Moretti, que é mais alinhado ao PT e atualmente é secretário especial de análise governamental da Presidência da República.

A lista de conselheiros foi apresentada na última sexta-feira, em Brasília, em uma reunião do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com Jean Paul Prates e Alexandre Silveira.

Fontes relataram que a lista inicial, com seis indicações feita por Silveira, causou desconforto entre os petistas e que Lula havia determinado ajustes. A única exigência do presidente foi de que não tivessem indicações políticas.

Com isso, no fim de semana, após negociações, Silveira reduziu para quatro o número de indicados. A análise de governo é que os nomes indicados por Silveira têm uma linha mais “privatista”, na direção contrária ao que defende a administração de Lula.

Por conta das mudanças, a Petrobras decidiu transferir a data da Assembleia Geral Ordinária do dia 19 de abril para 27 de abril. Neste momento, os acionistas se reúnem para confirmar Prates no comando da estatal, aprovar o novo conselho e os resultados de 2022. “Como a lista vai passar por mais mudanças, acharam por bem ganhar mais tempo”, disse uma fonte.

Na terça-feira, a Petrobras destacou que recebeu da União a indicação de oito nomes, mas tem apenas seis vagas de um total de 11 assentos no colegiado. Atualmente, três posições são ocupadas pelos acionistas minoritários, uma por donos de ações preferenciais e uma por representantes dos funcionários.

Críticas ao lucro

O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), criticou o “lucro monumental da Petrobras”. A estatal anunciou o recorde de lucro líquido em 2022, quando faturou R$ 188,328 bilhões, resultado 76,6% superior aos R$ 106,6 bilhões apurados em 2021, até então cifra recorde.

Na visão do deputado, o resultado indica que se a estatal tem compromisso com o país, precisa rever sua atuação, a começar pela política de preços. “Onde já se viu: estão praticando preço maior que os da PPI. Não é nada contra a empresa. Pelo contrário. A empresa tem que ser do Brasil, defender os interesses do Brasil. Significa que tem que redirecionar seus investimentos, não é só para distribuir lucros”, disse.

Alice Cravo e Fernanda Trisotto