
Neste ano, Minas Gerais vai perder o segundo lugar no ranking da moagem de cana-de-açúcar. O Estado, que só perdia para São Paulo, será ultrapassado por Goiás. Segundo previsões do Ministério da Agricultura, a safra mineira, que em 2011 foi de 49,8 milhões de toneladas, vai subir para 52 milhões. Já a safra goiana deve subir de 45,6 milhões para 53 milhões de toneladas. "A participação do Estado de Minas na produção nacional continuará a mesma, de 8,9%. Já a de Goiás vai subir de 8,1% para 9,1%", afirma o secretário-executivo do Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos.
Segundo Campos, a ultrapassagem já era algo esperado, devido ao volume de investimentos que o Estado tem recebido em usinas nos últimos anos. "A política do governo é muito forte, com postergação do recolhimento do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e de Serviços (ICMS), o que atraiu muitos investimentos. Já em Minas Gerais, vimos fechar quatro usinas nos últimos três anos", afirma.
O presidente dos Sindicato da Indústria de Fabricação de Álcool do Estado de Goiás (Sifaeg), André Rocha, explica que o governo estadual sempre deu muito apoio ao setor. Lá, a política de postergação do imposto funciona da seguinte forma: a usina recolhe 30% e os outros 70% do ICMS podem ser pagos até 2020. "É uma política de incentivos que não acontece só para a indústria sucroenergética, mas para vários setores. Além disso, o governo investe muito em infraestrutura, como construção de estradas, e isso tudo ajudou a viabilizar o polo de etanol no Estado", destaca.
Hoje, enquanto todo o Brasil passa por um momento de retração de investimentos em usinas, devido à perda de competitividade do etanol frente à gasolina, Goiás tem 34 usinas em operação e, em 2013, esse número pode chegar a 39. "Temos que lembrar que são investimentos já anunciados antes, que estão amadurecendo agora", afirma.
Na avaliação de Campos, uma nova onda de investimentos está por vir. Entretanto, é preciso que o setor ganhe uma política de incentivos. "O governo estadual já fez a sua parte, reduzindo a alíquota de ICMS do etanol de 22% para 19%, agora precisamos de uma política nacional, que é papel do governo federal", ressalta.
RELUTANTE: Estado não pretende reduzir ICMSCom preço em desvantagem frente à gasolina, a redução da carga tributária é um dos desejos do setor sucroenergético para aquecer a demanda do etanol. Mas o governo mineiro não acena com essa possibilidade. "Minas Gerais foi o que mais reduziu a alíquota para o álcool. Era de 25%, reduzimos para 22% e, agora, para 19%. Agora, eu pergunto: tem jeito de reduzir mais? É muito difícil por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal. Se você reduz em um, tem que aumentar em outro. Foi o caso, quando diminuímos o do álcool, nós aumentamos no diesel. Não existe previsão para reduzir novamente", explica o secretário-adjunto da Fazenda de Minas, Pedro Meneguetti. (Lucas Pavanelli)
GASOLINA: Importações geram prejuízo bilionárioA frota de veículos no Brasil não para de crescer e, junto com ela, a necessidade de combustíveis também aumenta. Só que, ao invés de investir na produção de etanol, por exemplo, o governo tem importado mais e mais gasolina para suprir a demanda interna. E para evitar repique na inflação, tem segurado os preços e está vendendo mais barato do que importa. "Hoje cada litro é importado por R$ 1,39 e vendido por R$ 1,21. Essa perda, de R$ 0,18, já chegou a ser de R$ 0,42. Considerando uma média de R$ 0,25, o prejuízo chega a R$ 1,25 bilhão", estima o secretário-executivo do Associação das Indústrias Sucroenergéticas de Minas Gerais (Siamig), Mário Campos, que considerou que cerca de 15% a 20% da gasolina consumida no Brasil tem vindo de fora.
"Se o governo investisse em etanol, não precisaria importar tanta gasolina", afirma Campos. Com a perda de competitividade do etanol hidratado, usado diretamente nas bombas, os usineiros estão investindo mais em álcool anidro (usado na mistura da gasolina) e no açúcar, que já responde por 51% da cana-de-açúcar moída.
"No ano passado, 51% era para álcool e 49% para açúcar. Neste ano, isso inverteu. A participação do hidratado caiu de 32,5% para 29% e a do anidro cresceu de 18,5% para 20%", diz Campos.
QUEILA ARIADNE