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Mesmo com produção elevada, estoques globais de açúcar estão baixos, diz LDC

Trader da companhia acredita que haverá dificuldade para atender toda a demanda pela commodity

NovaCana 5 min de leitura

Um déficit de 2,1 milhões de toneladas no ciclo global de açúcar 2023/24 (outubro a setembro): esta é a atual previsão da Louis Dreyfus Company (LDC). Já para 2022/23, a companhia estima um superávit de 1,7 milhão de toneladas.

Segundo o trader sênior da empresa, Paulo Torres de Carvalho Ferreira, a produção do adoçante no Brasil está 33,5 milhões de toneladas; na Tailândia, em cerca de 12 milhões de toneladas; e na Índia, na casa das 34 milhões em 2022/23. “Apesar desse rally de preços, a safra de açúcar é mundialmente satisfatória”, diz.

Os números foram divulgados durante a sétima edição do evento da Datagro que marca a abertura da safra de cana-de-açúcar.

“Nesses três players, as safras foram regulares e satisfatórias. Isso, em teoria, geraria um conforto ao comprador. Quem diria que estaríamos falando de uma produção acima das 37 milhões de toneladas [previstas para o Brasil] e o preço em Nova York acima de 20 centavos de dólar? É algo incomum”, enxerga Ferreira.

De acordo com ele, a diferença entre a produção e o consumo mundial, nos últimos cinco anos, foi praticamente de déficit. Com isso, a relação entre estoque e uso, que foi de 52,5% em 2017/18, deverá cair para 45% conforme a estimativa para 2023/24.

“É uma redução de 10 milhões de toneladas em estoque. O volume é bem relevante e isso explica o que estamos passando: o mundo realmente precisa do açúcar brasileiro e, mesmo com ele, não está tão tranquilo para o comprador”, explica.

Confira mais detalhes da análise da LDC na versão restrita a assinantes.

Um déficit de 2,1 milhões de toneladas no ciclo global de açúcar 2023/24 (outubro a setembro): esta é a atual previsão da Louis Dreyfus Company (LDC). Já para 2022/23, a companhia estima um superávit de 1,7 milhão de toneladas.

Segundo o trader sênior da empresa, Paulo Torres de Carvalho Ferreira, a produção do adoçante no Brasil está 33,5 milhões de toneladas; na Tailândia, em cerca de 12 milhões de toneladas; e na Índia, na casa das 34 milhões em 2022/23. “Apesar desse rally de preços, a safra de açúcar é mundialmente satisfatória”, diz.

Os números foram divulgados durante a sétima edição do evento da Datagro que marca a abertura da safra de cana-de-açúcar.

“Nesses três players, as safras foram regulares e satisfatórias. Isso, em teoria, geraria um conforto ao comprador. Quem diria que estaríamos falando de uma produção acima das 37 milhões de toneladas [previstas para o Brasil] e o preço em Nova York acima de 20 centavos de dólar? É algo incomum”, enxerga Ferreira.

De acordo com ele, a diferença entre a produção e o consumo mundial, nos últimos cinco anos, foi praticamente de déficit. Com isso, a relação entre estoque e uso, que foi de 52,5% em 2017/18, deverá cair para 45% conforme a estimativa para 2023/24.

“É uma redução de 10 milhões de toneladas em estoque. O volume é bem relevante e isso explica o que estamos passando: o mundo realmente precisa do açúcar brasileiro e, mesmo com ele, não está tão tranquilo para o comprador”, explica.

Além disso, fatores climáticos sempre trazem incertezas. Há, por exemplo, uma possiblidade relevante de ocorrer El Niño no segundo semestre do ano. “Isso pode trazer malefícios para o nosso ATR [açúcar total recuperável], mas afetará principalmente as safras do Hemisfério Norte”, afirma Ferreira, que completa: “O fenômeno se estabelecendo, deve haver redução da produção indiana e tailandesa, mesmo com o Brasil fazendo recorde histórico”.

O cenário sustenta os preços. Para a LDC, a safra global 2023/24 deve ser de continuidade de preços firmes, na faixa de 20 a 22 centavos de dólar por libra-peso. “Tudo precisa seguir dando certo para o Brasil suprir a demanda de açúcar que o mundo precisa”, crê.

Ferreira ainda faz um exercício de imaginar a ausência de fornecimento do açúcar indiano, a fim de avaliar o impacto. “Fala-se muito em aumento de área e produção e de planos para o etanol [na Índia]. Supondo que o país não produzisse, olhando para a relação de oferta e consumo mundial, já estaríamos com os preços de 20 a 22 centavos há um tempo”, considera.

Para a LCD, a Índia supriu o potencial déficit nos últimos cinco ou seis anos. Mas problemas climáticos podem mudar esse quadro, a ponto de haver dúvida sobre quem poderia fornecer o açúcar extra necessário para suprimento da demanda global.

“O Brasil está com 37 milhões [de toneladas previstas para a temporada 2023/24]. Se o mundo precisar de mais 2 a 4 milhões com uma condição climática ruim no Hemisfério Norte, de onde esse açúcar pode vir?”, questiona.

Com isso, o trader aponta que o preço precisa seguir remunerador. Desta forma, as origens do adoçante podem investir em ajustes no mix de produção ou até mesmo em algum tipo de ampliação. Afinal, a demanda deve continuar crescente.

“O destino segue muito descoberto. Tivemos contatos com players nos últimos dias e isso realmente assusta para este ano. Mas é positivo para as usinas, pensando na manutenção desses preços”, Paulo Ferreira (LDC)

Assim, Ferreira visualiza que não deve ocorrer uma recomposição de estoque – tudo o que está sendo produzido deve ser exportado. “Temos um fluxo comercial super apertado. Isso dá bastante confiança de que o preço vá continuar sustentado no curto e no médio prazo”, considera.

Além disso, ele cita a atual dificuldade do Brasil para exportar açúcar no momento correto. “Vemos alguns navios esperando em Santos (SP) e nem começou a safra. Isso já ilustra um pouco o desafio que está por vir”, observa.

Gabrielle Rumor Koster – NovaCana

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