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À mercê do mercado mundial, usinas querem ampliar estocagem de açúcar

acucar 280714Entidade quer financiamento para estocagem de açúcar para dar ao setor "condições de especular mais o mercado"
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Com condições de estocar aproximadamente 60% da produção anual de açúcar do país, o setor sucroenergético busca recursos para financiar o aumento dessa capacidade. Esse investimento poderia oferecer uma "volatilidade maior" na exportação da commodity.

O tema está sendo discutido junto ao governo, já que existe uma linha de financiamento para estocagem de produtos agrícolas in natura, o que excluiu matérias processadas, como o açúcar e o trigo, deixando de fora o setor canavieiro, já que que a cana-de-açúcar é altamente perecível.

Antônio de Pádua Rodrigues: "Se tiver mais capacidade de estocagem posso segurar mais esse produto, principalmente para exportação, para ter a entrega física no momento de melhor preço."

Veja a seguir mais detalhes do pleito das usinas, do mercado exportador e a influência da logística.


Veja também: Série de problemas deixam usinas brasileiras à mercê do mercado mundial de açúcar


Com condições de estocar aproximadamente 60% da produção anual de açúcar do país, o setor sucroenergético busca recursos para financiar o aumento dessa capacidade. Esse investimento poderia oferecer uma "volatilidade maior" na exportação da commodity.

O tema está sendo discutido junto ao governo, já que existe uma linha de financiamento para estocagem de produtos agrícolas in natura, o que excluiu matérias processadas, como o açúcar e o trigo, deixando de fora o setor canavieiro que não estoca sua matéria-prima, por ser a cana-de-açúcar altamente perecível.

"O setor precisa ter mais opções de estocagem para ter condições de especular mais o mercado [de açúcar]. Se tiver mais capacidade de estocagem posso segurar mais esse produto, principalmente para exportação, para ter a entrega física no momento de melhor preço", justifica o diretor técnico da Unica, Antonio de Padua Rodrigues.

A inclusão do açúcar na linha oferecida pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faz parte do mesmo diálogo com o governo federal pelo aumento da mistura de anidro na gasolina e a melhoria de eficiência dos veículos flex no uso do biocombustível de cana.

Atualmente, a estimativa é de que 85% das unidades do centro-sul tenham produção de açúcar, que na última safra totalizou 34,4 milhões de toneladas, sendo 21,5 milhões de toneladas destinadas à exportação. No entanto, Pádua afirma que o interesse pelos recursos está longe de ser generalizado e não estima qual seria o valor demandado pelas usinas. "São algumas [usinas] exportadoras, não é todo mundo que tem interesse", explica.

Juntamente às empresas focadas no mercado externo, a iniciativa poderia atrair algumas unidades com intenção de ampliar a produção. Apesar do momento de baixa no mercado, o diretor técnico afirma que a demanda pelo adoçante continuará evoluindo. "Há um crescimento vegetativo, tanto no mercado interno como no mercado externo, superior a 2% ao ano e o Brasil é o único país do mundo que pode atender essa demanda adicional mundial".

Logística

Além do interesse restrito por recursos, há outra limitação ao aumento da armazenagem em patamares muito elevados. Para Padua, uma grande ampliação de estocagem só seria possível combinada com investimentos logísticos, de modo a manter equilibrada a capacidade de reter e despachar o produto.

"Existe algum potencial para que haja um aumento de estocagem e se tenha uma volatilidade maior na exportação, mas nunca do tamanho que acontece em outros países", salienta. "O Brasil exporta mais de 24 milhões de toneladas [de açúcar] por ano, cerca de 2 milhões de toneladas por mês. Não dá para imaginar que o Brasil vai ficar três meses sem exportar porque isso significaria enviar um volume muito grande em único mês".

A estimativa da Unica, é que atualmente os produtores do Centro-sul tenham capacidade de estocagem compatível com 70% da produção de etanol e 60% da produção de açúcar na região.

Estocagem de exportação

A analista de negócios da SA Commodities, Nicolle Monteiro de Castro, vê como satisfatória a estrutura de exportação de açúcar, incluindo a armazenagem, nos principais terminais portuários, Santos e Paranaguá.

Nesta safra, com a queda na produção da commodity devido aos preços pouco atrativos e quebra na produção de cana, a demanda logística ficou ainda menos pressionada. "Já tivemos outras safras muito mais complicadas", comenta.

Mesmo com a Copersucar ainda operando parcialmente o terminal do Porto de Santos, atingido por um incêndio em outubro passado, ela considera que a hoje estrutura logística de exportação "atende muito bem à produção de açúcar".

A analista avalia que já houveram importantes investimentos em ampliação de capacidade estática e em ship loader (capacidade de exportação diária), capitaneados por players como Copersucar e Rumo Logística, que agora está concluindo a cobertura de um de seus terminais, o que lhe possibilitará operar em dias de chuva.

A capacidade instalada para estocagem de açúcar nos portos do centro-sul é de aproximadamente 1,2 milhão de toneladas, considerando integralmente a capacidade da Copersucar (excetuado o terminal em reforma o número cai para 900 mil de toneladas).

Amanda SchArr – NovaCana
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