Etanol: Mercado

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Mercados regulados de carbono devem atingir US$ 800 bilhões em 2023


EPBR - Publicado: 01 Nov 2023 - 08:25

O valor total dos principais mercados regulados de carbono deve ultrapassar US$ 800 bilhões este ano, apesar da queda no volume de negociação ainda em consequência da guerra entre Rússia e Ucrânia, avalia um relatório da BloombergNEF.

De acordo com os analistas, o aumento de 5% no valor reflete a alta nos preços das permissões pós-reformas para alavancar os mercados.

Ao mesmo tempo, preocupações relacionadas ao acesso e segurança energética e a inflação ajudaram a reduzir a liquidez das negociações de permissões desde o pico em 2021.

“Os volumes de negociação têm apresentado uma tendência de queda desde o pico em 2021. Mais de um quinto foi reduzido no ano passado como consequência da guerra na Ucrânia e do aumento subsequente na volatilidade dos produtos básicos. Incertezas políticas em torno das reformas nos mercados de carbono e taxas de juros mais altas também contribuíram para a queda na atividade de negociação”, avalia a BNEF.

Ainda assim, a expectativa é que os mercados de carbono continuem a ser uma ferramenta essencial para os legisladores nesta década. “Novos mercados estão programados para serem lançados no Brasil, México e Índia, e os reguladores continuarão a implementar reformas para reduzir o fornecimento nos mercados existentes, aumentando os preços”, indica o relatório.

A perspectiva mais recente da BNEF para o Sistema de Comércio de Emissões da União Europeia – referência para outros mercados – estima que os preços das permissões atingirão € 149 por tonelada de CO2 (US$ 157/t) em 2030, em comparação com cerca de € 85/t atualmente.

Novos mercados

A União Europeia deve seguir na liderança com o maior mercado de carbono do mundo em termos de volume e valor negociado, mas sua participação está diminuindo. Atualmente, o bloco negocia cerca de 8 bilhões de permissões.

“A proliferação do comércio de carbono em todo o mundo viu novos mercados primários leiloando permissões pela primeira vez. Como resultado, a parcela da União Europeia nos volumes leiloados caiu de 73% em 2017 para 53% neste ano”, diz a BNEF.

Mercado voluntário

No mercado voluntário, uma crise de confiança chama a atenção para a necessidade de mecanismos de governança mais robustos para garantir transparência e integridade, avaliam especialistas entrevistados pela EPBR.

Nesta segunda-feira, 31, uma reportagem da Folha de São Paulo revelou que a Petrobras comprou créditos de carbono para neutralizar as emissões relacionadas à gasolina Podium de um projeto com problemas na documentação da posse das terras e registros de desmatamento.

Os títulos vêm do Envira Amazônia, localizado no município de Feijó (AC), que em maio de 2023 teve a renovação da sua certificação negada pela Verra.

A organização sem fins lucrativos sediada nos Estados Unidos é hoje a maior certificadora mundial de compensações voluntárias de carbono, mas seu filtro tem deixado passar alguns projetos questionáveis.

Dentre os fatores que podem levar a vulnerabilidade desse mercado, estão a baixa qualidade técnica, rastreabilidade, metodologias carentes de taxonomia e falta de rastreabilidade e fiscalização governamental. Questões fundiárias e mercados secundários são outros problemas que têm chamado a atenção de quem acompanha essas transações.

Nayara Machado

Tags:CO2ESG