Os futuros de açúcar demerara fecharam em alta ontem na Bolsa de Nova York (ICE Futures US), depois de despencarem para abaixo do suporte de 16,50 cents por libra-peso. Para agentes, a demanda gerada em torno desse patamar, aliada a poucas surpresas com o relatório da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), contribuiu para os ganhos dos contratos. Em uma semana esvaziada de participantes, que estão em Nova York para a Semana do Açúcar, a resistência se mantém em 17 cents/lb.

Conforme a entidade, as usinas do Centro-Sul do Brasil processaram 36 milhões de toneladas de matéria-prima na segunda metade de abril (+33%) e 69 milhões de toneladas considerando todo o abril (+72%), primeiro mês da temporada 2016/17. A produção de açúcar ficou em 1,80 milhão de toneladas na quinzena (+71,5%) e em 3,2 milhão de toneladas no acumulado da safra (+124%).
Para João Paulo Botelho, da INTL FCStone, esses dados vieram em linha com o esperado. "Apenas mix e ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) vieram acima, mas nada exagerado", acrescentou. A parcela de cana destinada ao açúcar foi de 43% na quinzena e o nível de sacarose nas plantas alcançou 122,57 kg por tonelada.
Mesmo assim, o mercado de açúcar opera sensível por causa do saldo comprado recorde por fundos e especuladores. Segundo a Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC), a posição é de expressivos 250 mil lotes comprados - de modo que qualquer "espirro" pode desencadear uma liquidação. Para alguns agentes, o gatilho para tanto está acima de 17 cents/lb, nível atrativo para uma realização de lucros.

De acordo com Arnaldo Luiz Corrêa, diretor da Archer Consulting, a volatilidade recente no mercado se deve "ora aos números de moagem no Centro-Sul, ora à instabilidade dos números pipocados de Tailândia e Índia, ora porque os fundos não indexados estão comprando de maneira irracional".
Ontem, por exemplo, julho avançou 15 pontos (0,90%) e encerrou em 16,89 cents/lb, mas no meio do dia bateu mínima de 16,38 cents/lb (menos 36 pontos) e máxima de 16,92 cents/lb (mais 18 pontos). Outubro subiu 13 pontos (0,77%) e terminou em 17,12 cents/lb. O spread julho/outubro variou 25 para 23 pontos de prêmio para o segundo contrato da tela.

O Indicador de Açúcar calculado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) fechou a segunda-feira em R$ 75,43/saca (+0,73%). Em dólar, ficou em US$ 21,58/saca (+1,46%). A moeda norte-americana fechou em R$ 3,5054 (-0,61%), perto dos níveis que já vem rondando.
Conforme o centro de estudos, a venda do açúcar cristal no mercado spot paulista continua sendo mais vantajosa frente às exportações, mesmo com as altas no mercado internacional. "Desde a segunda quinzena de outubro de 2015, o mercado de São Paulo remunera mais que a exportação. No período de 9 a 13 de maio, cálculos do Cepea mostram que as vendas de açúcar cristal no spot paulista remuneraram 3,6% mais que as externas", destacou o Cepea em relatório antecipado ao Broadcast Agro.
Enquanto a média semanal do Indicador de Açúcar Cristal Cepea/Esalq foi de R$ 75,19/saca, as cotações do contrato julho na ICE Futures US equivaleriam a R$ 72,58/saca.
