Os créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, continuam em um movimento de desvalorização e registram sua terceira queda consecutiva no preço médio quinzenal. Na primeira metade de agosto, os títulos foram negociados por R$ 72,09, queda de 2,7% em relação ao final de julho.
Em relatório, o Itaú BBA classificou que o mercado de CBios passa por um momento de turbulência, com distribuidoras procurando defesa jurídica contra suas metas individuais. Esta instabilidade leva a quedas nas cotações dos créditos.
O valor atual também ficou 23,2% abaixo da média de 2024, de R$ 93,87, além de ser 18,6% inferior à média histórica do programa, de R$ 88,54.
Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados da bolsa de valores brasileira B3, única entidade registradora do programa.

No período, os CBios foram comercializados entre R$ 69,50 e R$ 78. O menor valor foi registrado no dia 9, enquanto o maior foi visto nos dias 5 e 13.
Ainda conforme a B3, foram registradas 1,58 mil negociações na quinzena, movimentando 3,21 milhões de créditos.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
No dia 15 de agosto, a B3 fechou a sessão com 27,42 milhões de CBios em circulação. Do total, 52,7%, ou 14,46 milhões de títulos, estavam em posse das distribuidoras com metas a cumprir.
Já as usinas certificadas no programa detinham 12,16 milhões de créditos, o equivalente a 44,3% do montante. Por fim, os 799,03 mil créditos restantes (2,9%) estavam com investidores sem metas – dentre eles, 12,68 mil CBios estavam em posse de instituições financeiras.

Com isso, os CBios atualmente em circulação seriam suficientes para alcançar 59,1% da meta estipulada para o RenovaBio, que foi atualizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para 46,37 milhões de créditos.
Além do objetivo definido pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), de 38,78 milhões de títulos, o valor determinado pela ANP também considera os 7,59 milhões de CBios que não foram entregues em 2023.
Desde o começo de abril até agora, as unidades produtoras já emitiram 15,42 milhões de créditos.

De acordo com a ANP, 328 usinas possuem certificações do RenovaBio aprovadas no momento. Destas, quatro fabricam biometano e outras 37, biodiesel.
Dentre as 287 usinas de etanol certificadas, 274 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; quatro processam cana e milho; oito apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.

Ao longo de 2024, essas companhias já escrituraram 25,84 milhões de CBios.
Por sua vez, desde o início do programa, em 2020, até agora, 142,06 milhões de créditos foram emitidos pelas usinas.

Na primeira quinzena de agosto, 393,11 mil CBios foram retirados de circulação, uma queda de 9,5% em relação aos 434,31 mil que foram aposentados no mesmo período de 2023.
Desde o início de abril até agora, 5,93 milhões de CBios saíram do mercado, totalizando 12,8% da meta estipulada para 2024.

Assim, considerando os títulos disponíveis no mercado, as aposentadorias antecipadas – que totalizaram 2,3 milhões de créditos, segundo a ANP – e os que foram retirados de circulação desde abril, o total chega a 35,64 milhões de títulos, ou 73,9% da meta anual.
De acordo com a B3, a mais recente aposentadoria realizada por partes não obrigadas aconteceu em novembro de 2023. Na ocasião, apenas dez títulos foram retirados de circulação.
Giully Regina – NovaCana
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