O primeiro trimestre de 2024 frustrou as expectativas sobre a produção de açúcar na Ásia, relata o Itaú BBA. Segundo o banco, apesar do otimismo inicial com o fim do fenômeno El Niño, as estimativas foram revistas para baixo em países como Paquistão, Tailândia e Índia.
No caso indiano, a projeção inicial de mais de 31 milhões de toneladas foi reduzida para cerca de 26 milhões de toneladas, devido à menor disponibilidade de água para irrigação, clima instável e incidência de doenças nas lavouras.
O balanço global de açúcar do Itaú BBA aponta para um déficit de 4,1 milhões de toneladas na safra 2024/25 (outubro a setembro). Já as primeiras projeções para 2025/26 indicam um superávit de 4,4 milhões de toneladas, assumindo condições climáticas normais.
No entanto, a confirmação desse cenário ainda é incerta, com desafios já no início da safra do Centro-Sul do Brasil. “As chuvas de verão, fator determinante para a produtividade da safra 2025/26, vieram acima da média em novembro e dezembro, mas ficaram abaixo do esperado em fevereiro e março”, relata o analista Lucas Brunetti, da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Ele ainda afirma que, se a previsão de abril se concretizar, o volume acumulado de chuvas nos canaviais do Centro-Sul pode ficar abaixo da média histórica, impactando a produtividade. “Além disso, falhas na rebrota da cana, agravadas por incêndios ocorridos em agosto do ano passado, aumentam a incerteza sobre a área disponível para colheita”, acrescenta.
Diante desse cenário, o Itaú BBA manteve a estimativa de 601 milhões de toneladas de cana colhidas na safra 2025/26, mas poderá revisar o número caso as previsões climáticas para abril se confirmem.
Além disso, a queda dos preços internacionais do açúcar para patamares abaixo dos atuais pode reduzir o incentivo econômico para que as usinas brasileiras maximizem a produção da commodity, o que reduziria a produção de açúcar. Combinando os dois riscos, o Itaú BBA calcula que os preços devem se manter sustentados nos próximos meses.