Os contratos futuros de açúcar demerara confirmam neste início de semana a reversão da tendência baixista na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). O enfraquecimento do dólar ante o real e a perspectiva de oferta global menor do que a demanda devem sustentar as cotações.
Além disso, os fundos de investimento viraram para o lado comprado do mercado, apostando em alta dos preços. Fundos e especuladores estavam com saldo líquido comprado 25.992 lotes no dia 29 de setembro, em comparação com saldo vendida de 30.934 no dia 22 de setembro, mostrou na sexta-feira o relatório da Comissão de Comércio de Futuros de Commodities (CFTC).
Como o levantamento não considera os demais dias da semana passada, quarta até sexta-feira, quando o mercado subiu 45 pontos, é possível que os fundos estejam ainda mais comprados. "Normalmente, os fundos se posicionam no lado comprador em mercados cuja curva mais curta de preços é invertida, como é o caso do açúcar neste momento, com março/16 negociando acima de maio/16, informa o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa.
Ontem, o dólar enfraquecido também favorecia uma alta dos futuros de demerara. A relativa calmaria no ambiente político e econômico do Brasil e a perspectiva de que o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) só deverá elevar os juros em 2016 seguravam a moeda norte-americana. No entanto, o real acumula desvalorização ante o dólar de quase 50% desde o início do ano. "Não fosse a desvalorização alucinada do real, que sugere bons valores para as usinas fazerem seus hedge para 2016 e 2017, certamente teríamos os futuros de demerara apontando para 15 cents a 16 cents", estima Luiz Corrêa.
A mais recente estimativa da Archer, apurada em 15 de setembro, mostra que as usinas estão fixadas em 17,41% das vendas para a safra 2016/17. De acordo com Luiz Corrêa, esse porcentual pode ser considerando elevado, levando em conta que reflete apenas metade do mês de setembro. O preço médio obtido pelas usinas é de 12,48 cents por libra-peso, ou o equivalente a R$ 988,76 a tonelada, ambos FOB. O dólar médio fixado pelas usinas na próxima safra 2016/17, até o momento, é de R$ 3,4539.
Pelos indicadores técnicos, a tendência é de alta para os contratos de demerara. O mercado fechou próximo da máxima, o que é positivo. A resistência é de 13,98 cents, máxima de 14 de julho passado. O suporte é de 13,50 cents e 13,40 cents.
Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno positivo na maior parte do pregão de ontem, favorecido pelo dólar enfraquecido. O vencimento março/16 encerrou em alta de 11 pontos (0,81%), a 13,64 cents. A máxima foi de 13,67 cents (mais 14 pontos). A mínima bateu 13,39 cents (menos 14 pontos).
O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou em R$ 57,14/saca (+1,65%). Em dólar, o preço ficou em US$ 14,64/saca (+2,66%).