As emissões de créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao programa RenovaBio, voltaram a crescer na segunda quinzena de janeiro. As usinas certificadas escrituraram 2,3 milhões de títulos, alta de 17,2% em relação ao mesmo período de 2023.
Os números fazem parte do acompanhamento do mercado de créditos realizado pela Bolsa de Valores Brasileira (B3), única entidade registradora do programa.
Assim, no primeiro mês do ano, 3,32 milhões de créditos foram emitidos pelas unidades produtoras.

De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), 325 unidades participam do RenovaBio atualmente, sendo que quatro fabricam biometano e outras 38, biodiesel.
Dentre as 283 usinas de etanol certificadas, 270 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; seis processam cana e milho; seis, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Considerando desde o encerramento do prazo para a entrega da meta referente à 2022, em outubro do ano passado, o mercado recebeu 14 milhões de CBios.

Ainda segundo a ANP, 5,5 milhões de créditos relacionados à meta de 2023 foram aposentados até o final de setembro.
Este volume, somado aos CBios em circulação e aos aposentados desde então, chega a 55 milhões de títulos, o suficiente para atender a meta atualizada para 2023, com excedente de 14,1 milhões de créditos.
Desde o início do programa, em 2020, até agora, 119,55 milhões de créditos já foram emitidos.

Mesmo com uma maior quantidade de CBios disponível no mercado, os preços registraram sua segunda alta quinzenal consecutiva. No período, o valor médio dos papéis ficou em R$ 114,02, elevação de 5% ante a primeira metade de janeiro.
Além disso, o valor ficou 1,8% acima da média de 2024, de R$ 111,99. Da mesma forma, houve uma alta de 29,5% em relação à média histórica do programa, de R$ 88,01.

Na segunda quinzena de janeiro, os CBios foram comercializados entre R$ 109,50 e R$ 118. O valor mais alto foi registrado no dia 18, enquanto o mais baixo foi visto no dia 30.
Desde o início do RenovaBio, os preços dos créditos variaram entre R$ 15 e R$ 209,05.

“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.
No primeiro dia de fevereiro, a B3 iniciou a sessão com 30,82 milhões de CBios em circulação. Do total, 20,61 milhões, ou 66,9%, estavam em posse das distribuidoras, que possuem metas individuais no programa.
As usinas certificadas, por sua vez, detinham 29,1%, totalizando 8,98 milhões de CBios. Já os 1,24 milhão restantes (4%), estavam com investidores sem metas.

Segundo os objetivos individuais publicados pela ANP, que considera o volume de créditos não aposentados em 2022, as distribuidoras precisarão retirar de circulação 40,95 milhões de CBios até março deste ano. Os créditos atualmente em circulação seriam suficientes para alcançar 75,3% desta quantia.
Além disso, entre outubro de 2023 e janeiro deste ano, 10,15 milhões de créditos foram aposentados, com 440,16 mil saindo de circulação na última quinzena. Em comparação com os 184,41 mil créditos aposentados na segunda metade de janeiro de 2023, houve uma alta de 139%.
No total, o volume aposentado desde 1º de outubro corresponde a 24,8% do objetivo das distribuidoras para este ano.

Como a B3 não informa quem solicitou a aposentadoria dos créditos, é possível que uma parte deste volume seja referente a investidores que não têm compromissos com o programa. Ainda que esteja previsto que a retirada de títulos feita pelas chamadas “partes não obrigadas” possa ser deduzida dos objetivos finais do RenovaBio, as aposentadorias do ciclo atual devem ser contabilizadas apenas para o próximo.
Giully Regina – NovaCana
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