Os preços dos créditos de descarbonização (CBios), vinculados ao RenovaBio, continuam em queda na primeira quinzena de novembro. No período, os títulos foram negociados por R$ 35,12, em média, retração de 8,3% em relação às últimas semanas de outubro.
O valor atual também está 41,5% abaixo da média de 2025, de R$ 60,05, e 57,3% aquém da média histórica do programa, de R$ 82,24.
Em 2022, as negociações dos títulos chegaram a ultrapassar os R$ 200, o que motivou o Ministério de Minas e Energia (MME) a solicitar uma investigação para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). No começo deste mês, todavia, o Cade arquivou o inquérito por não ter encontrado, em três anos de apuração, indícios de irregularidades que pudessem justificar a abertura de um processo administrativo.

Os números são resultados de cálculos realizados pelo NovaCana a partir dos dados divulgados pela bolsa de valores brasileira B3, a única entidade registradora do programa.
Na primeira quinzena de novembro, 2,66 milhões de papéis foram negociados (queda de 11,5% na comparação anual), movimentando R$ 93,26 milhões (-63,1%). Por sua vez, o preço de negociação dos CBios variou entre R$ 34,15 e R$ 38. O maior valor foi visto no dia 11, enquanto o menor foi registrado no dia 5.
“Os números refletem todas as operações de compra e venda envolvidas em um ciclo de negociação. Assim, no caso de intermediações realizadas por corretoras ou outras instituições, primeiro é realizada uma operação de compra das quantidades e, depois, uma operação de venda para o investidor final”, explica a B3.

Ainda conforme a B3, entre janeiro e a primeira quinzena de novembro, o volume financeiro das negociações alcançou R$ 4,37 bilhões. O valor está 37,8% abaixo do visto no mesmo recorte de 2024, quando foram movimentados R$ 7,02 bilhões.
O volume de CBios, por sua vez, apresentou uma queda de 7,3% na mesma comparação, saindo de 78,48 milhões para 72,76 milhões.
A queda no montante financeiro – mais acentuada que a da quantidade de títulos – pode ser justificada pelo cenário de retração nos preços visto ao longo do ano, provocado por uma maior oferta em relação à demanda.
Faltando três quinzenas para o fim do prazo de cumprimento da meta do RenovaBio, os créditos disponíveis no mercado já podem ultrapassar em 8,7% o objetivo para 2025, de 49,36 milhões de CBios. Considerando os créditos em estoque no fechamento da sessão na sexta, 14, os papéis retirados de circulação neste ano e os 181 mil títulos que foram aposentados de maneira antecipada em 2024, o volume total chega a 53,66 milhões.
A meta deste ano foi definida pela Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O montante considera, além dos 40,39 milhões de créditos aprovados pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), também os 10,49 milhões de CBios que ficaram pendentes do ano passado. Além disso, foram descontados 1,52 milhão de títulos das metas individuais das distribuidoras que cumpriram contratos de longo prazo com produtores de biocombustíveis.
Na primeira quinzena de novembro, as usinas certificadas no RenovaBio emitiram 1,31 milhão de CBios, baixa de 12,7% na comparação anual. No acumulado do ano, as sucroenergéticas escrituraram 37,11 milhões de títulos. Em relação ao mesmo período de 2024, a queda é de 4,9%.
A expectativa, por outro lado, é de alta nas emissões. A StoneX espera que, até o final de 2025, sejam escriturados 43 milhões de CBios, o que representaria uma alta de 1,4%. O leve acréscimo, explica a StoneX, seria um reflexo do aumento de 2,5% na demanda por biocombustíveis, em especial biodiesel e etanol de milho – segmentos com menor conversão em créditos de descarbonização.

Já para 2026, a consultoria projeta uma elevação de 4,7%, para 45,1 milhões de CBios. Segundo a analista de inteligência de mercado da StoneX, Isabela Garcia, as perspectivas para 2026 são mais favoráveis, impulsionadas por uma recuperação do consumo de etanol e pela manutenção do ritmo de crescimento do biodiesel.
O Itaú BBA, por sua vez, espera que a geração de CBios tenha um aumento em 2026, mas o volume deve ficar abaixo da meta estipulada para o ano. Os analistas estimam que serão gerados 44,7 milhões de CBios, o que representaria um acréscimo de 6,6% em relação à projeção de emissões para 2025.
O banco projeta que a meta para 2026 deverá ser de 45,1 milhões de CBios. O montante leva em conta o objetivo proposto, de 48,1 milhões de créditos, e um desconto de 3 milhões referentes a contratos de longo prazo. O montante, entretanto, não considera as distribuidoras inadimplentes.
Desde o início do programa RenovaBio até o momento, 195,84 milhões de CBios já foram emitidos pelas usinas de biocombustíveis.

Segundo a ANP, 343 usinas estão atualmente certificadas para a emissão dos créditos do programa. Destas, seis fabricam biometano e outras 43, biodiesel.
Dentre as 293 usinas de etanol certificadas, 277 utilizam apenas a cana-de-açúcar como matéria-prima; oito processam cana e milho; sete, apenas milho; e uma produz biocombustível de primeira e de segunda geração de forma integrada.
Em 14 de novembro, a B3 encerrou a sessão com 29,82 milhões de créditos em circulação. O montante representa 60,4% do objetivo calculado pela ANP para o ano.
Do total de CBios disponíveis no mercado ao final da quinzena, 53,2%, ou 15,88 milhões, estavam em posse das usinas certificadas no programa. Já as distribuidoras de combustíveis, com metas a cumprir, detinham 13,3 milhões, ou 44,6%. Assim, os 636,74 mil créditos restantes (2,1%) estavam com investidores sem metas.

Além disso, na primeira quinzena de novembro, 2,27 milhões de créditos foram aposentados, alta de 32,7% em relação aos 1,88 milhão de títulos que saíram de circulação no mesmo período do ano passado.
Entretanto, no acumulado do ano, 23,66 milhões de CBios saíram do mercado, queda de 35,9% na comparação anual. Com isso, apenas 47,9% da meta de 2025 foi realmente alcançada até agora.

De acordo com os dados da B3, no dia 12 de novembro, 26,95 mil CBios foram aposentados por companhias sem metas no programa. Esta foi a primeira vez no ano que as partes não obrigadas retiraram títulos de circulação.
Segundo as regras do RenovaBio, a remoção de créditos por companhias sem metas a cumprir pode ser deduzida dos objetivos finais do programa. Com isso, as aposentadorias feitas durante o ciclo 2025 devem ser contabilizadas no próximo ano.
Giully Regina – NovaCana
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