Com as primeiras vendas dos créditos de descarbonização (CBios) tendo ocorrido há quase três anos, o mercado já amadureceu. No período, o programa passou por algumas mudanças, mas ainda enfrenta entraves.
A modificação das metas, por exemplo, é uma das dificuldades. Em 2023, as distribuidoras de combustíveis fósseis devem adquirir 37,47 milhões de créditos – porém, em 2019, quando o programa estava sendo delineado, a perspectiva era de que esse objetivo fosse de 59,6 milhões de títulos no ano atual.
Além disso, outra mudança relevante foi a alteração do prazo de cumprimento da meta. Agora, as distribuidoras têm até 30 de setembro de 2023 para comprovar o atendimento aos objetivos individuais de 2022, e não mais até 31 de dezembro. Depois disso, a data limite passa a ser 31 de março do ano seguinte.
Com esse pano de fundo, agentes de mercado representando um banco, uma trading, o governo e uma empresa de pesquisa discutiram o RenovaBio durante o evento de abertura da safra de cana-de-açúcar 2023/24, promovido pela Datagro.
Para a superintendente comercial do Santander, Caroline Perestrelo, existem algumas tendências de longo prazo para os CBios e para o programa. “A primeira respirada é clarificar que precisaremos de 2,7 vezes mais créditos do que temos hoje, em 2023, como meta para daqui nove anos”, explica.
De acordo com ela, é necessário questionar qual a oferta de CBios que estará disponível no mercado. “É uma questão muito latente desde a pandemia para cá, mas que colocamos pouco no holofote: olhar não para 2032, mas já para 2024, quando a relação entre oferta e demanda passa a ser justa”, afirma.
O questionamento sobre como atender à meta projetada é válido considerando que, nas últimas safras, o etanol vindo da cana não teve um crescimento que pudesse dar segurança à continuidade de novas emissões de CBios. “Por isso temos um déficit frente à meta da estipulada”, complementa Perestrelo.
Ela diz ainda que todo o avanço recente na produção de etanol é advindo do milho de indústrias em Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, que estão fazendo investimentos relevantes em capacidade produtiva. “Ainda assim, essa informação está colocada na nossa visão de déficit de longo prazo”, pondera.
Para Perestrelo, o setor necessita de perspectiva para novos investimentos, com políticas públicas e um quadro de conforto para investidores, acionistas e indústria financeira. Apenas desta forma seria tracionado um novo ambiente de investimentos, com ampliação da oferta de CBios.
Confira, na versão completa, mais informações sobre a visão do banco Santander, além das perspectivas de Sucden, Embrapa e Ministério de Minas e Energia (MME).
EXCLUSIVO PARA ASSINANTES
VEJA COMO É FÁCIL E RÁPIDO ASSINAR