Nesta sexta-feira, 16, o milho negociado no mercado futuro brasileiro terminou o dia com perdas de até 1,85%, levando o contrato setembro a R$ 94,58 por saca, enquanto o janeiro de 2022 chegou a R$ 96,70. Por outro lado, no interior, as altas chegaram a 8,45%, como foi o caso da praça de Sorriso (MT), onde a saca foi a R$ 77,00.
Um dos combustíveis para a alta do milho no mercado físico brasileiro, além da oferta bastante escassa por conta dos problemas sofridos na safrinha, vem com a colheita ainda lenta da segunda safra, principalmente nas maiores regiões produtoras, o que mantém baixo o volume de grão disponível.
“Vendedores têm limitado a oferta de novos lotes no mercado spot, diante das incertezas quanto à produtividade das lavouras”, afirmaram os pesquisadores do Cepea no início da semana, em um quadro que foi se confirmando ao longo dos últimos dias, segundo explicaram analistas e consultores de mercado.
Como relata o consultor Vlamir Brandalizze, da Brandalizze Consulting, o mercado segue com indicativos firmes, sem pressão dos vendedores e boa presença dos compradores, que querem o milho, mas estão de olho no trigo que vem pela frente.
“O setor produtivo ainda teme pelo resultado da colheita nas áreas que sofreram com geadas. As vendas ficam limitadas, com os produtores deixando para negociar nos próximos meses, quando esperam conseguir valores maiores”, diz.
O consultor afirma também que o fator de limitação nos níveis continua sendo o nível da importação, o qual poder ficar abaixo dos R$ 100 por saca nos portos, colocando uma trava nos patamares.
“Já há indicativos nos R$ 100 no CIF [sigla em inglês para Custo, Seguro e Frete] Sul e Sudeste, mas, mesmo assim, sem pressão de venda. Os compradores nos portos querem milho, mas não estão indo além dos R$ 80. Desta forma, não conseguem nada de fechamentos novos e os embarques que estão sendo comentados vem sendo de contratos antigos e nada de posições novas”, conclui.
Por sua vez, o analista de mercado Eduardo Vanin comenta o movimento de importação brasileira de milho, que foi destaque no mercado nesta semana. “Muitos compradores e consumidores aqui no Brasil estão olhando para o milho argentino, principalmente para embarques a partir de outubro, novembro e dezembro. As ofertas argentinas estão chegando, porém, pode começar a faltar espaço nos portos para embarques no Brasil devido à demanda”, explica.
Ainda segundo ele, o milho da Argentina continua se mostrando bastante competitivo, porém, há sinais de alerta sobre os baixos níveis do Rio Paraná, o que obriga os navios a carregarem menos produto, trazendo os prêmios para cima em outros portos, para completar estas cargas. Para ele, isto também estimula mais demanda para os portos do norte do Brasil, promovendo altas nos prêmios, com um ganho de 25 centavos nesta semana.
Essa competitividade maior e ainda presente do milho importado segue como um limitador dos preços do cereal brasileiro. As cotações seguem bastante elevadas, porém, na B3 passaram por alguns reajustes e, no acumulado da semana, o contrato setembro registrou uma perda de R$ 1,10 por saca.
Carla Mendes