A União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) estimou uma produção de cana estável a 3% superior para a safra que vai começar em abril no Centro-Sul, ou seja, a expectativa é por um volume igual ou pouco acima das 590 milhões de toneladas vistas em 2019/20.
Por sua vez, a consultoria Safras & Mercado trabalha com uma projeção de 600 milhões de toneladas de cana. Já a Sucden tem uma estimativa de 610 milhões de toneladas.
Porém, as consultorias acreditam que ainda é cedo para visualizar uma perda de margem nos ganhos do açúcar em relação à entressafra. Mesmo assim, já se espera que mais matéria-prima seja direcionada para a produção de açúcar.
O CEO da Canaplan, Luiz Carlos Carvalho, acredita que não haverá uma redução nos preços, mesmo se houver um aumento substancial no volume de matéria-prima. A consultoria ainda não divulgou sua primeira previsão da temporada 2020/21, mas, questionado se há algum temor de queda maior nos preços por parte de seus clientes, ele respondeu: “Não há”.
Para o analista Maurício Muruci, da Safras & Mercado, se o mercado precificar essa possibilidade, isso deve acontecer no final de março ou em abril, marcando o início da colheita em São Paulo, Minas, Paraná, Goiás e Mato Grosso do Sul.
Em certa medida, esta é a mesma posição do trader Eduardo Sia, da francesa Sucden. “Eu ainda não sei sobre uma queda forte, mas deve dar uma estagnada”, acrescenta.
Por enquanto, no curto prazo, o vencimento março em Nova York (ICE Futures) está em baixa, enquanto maio sente um recuo de 0,31 pontos, sendo negociado em 14,23 centavos de dólar por libra-peso (10h40 de Brasília).
Além da influência do coronavírus, o fundamento de déficit global de açúcar permanece firme, com a quebra da safra na Índia e na Tailândia.
Giovanni Lorenzon