Os contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) continuam com sinais baixistas. O mercado acompanha o início de colheita da safra brasileira de cana-de-açúcar 2016/17, que se mostra mais açucareira do que no período anterior. Além disso, os indicadores técnicos e o fortalecimento do dólar pressionam as cotações do produto.

Ontem, a moeda norte-americana voltou a ganhar força em relação ao real, como no dia anterior, empurrando para baixo os futuros de demerara. O Banco Central se esforça para manter o real enfraquecido, realizando leilões de swap reverso, o que na prática representa compra de dólares no mercado futuro. "O mercado futuro de açúcar em Nova York ainda está muito suscetível às oscilações que ocorrem ao sabor de fatores exógenos, como petróleo e dólar", informa o diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa.
O petróleo era pressionado ontem à tarde por dúvidas sobre um acordo na reunião de grandes produtores no próximo domingo, em Doha. O mercado do óleo também perdia força com o aumento dos estoques nos EUA.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) divulgou na terça-feira que na segunda quinzena de março 33,4% da oferta de matéria-prima foi destinada à fabricação de açúcar. O resultado ficou acima dos 29,3% reportados em igual momento do ano passado.
Hoje a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) apresenta o 1º Levantamento da Safra de Cana-de-Açúcar 2016 e a 4ª pesquisa sobre a Safra 2015. A expectativa é de que os números venham em linha com as estimativas privadas. Em fevereiro, a Datagro projetou a safra 2016/17 no Centro-Sul do Brasil em 625 milhões de toneladas, com produção de 33,80 milhões de toneladas de açúcar e 28,10 bilhões de litros de etanol.
Amanhã vencem as opções para maio no mercado futuro de açúcar em Nova York. Segundo Corrêa, as posições em aberto podem ser exercidas entre 13,50 cents e 14,50 cents (puts, opção de venda) e de 15,00 a 16,00 cents (calls, opções de compra). As rolagens de posição prosseguem, antes do último dia de negociação do vencimento maio, no dia 29 de abril. O spread maio/julho tende a estreitar, sinalizando despreocupação com a oferta do produto no curto prazo.


Pelos indicadores gráficos, os futuros de demerara estão com tendência baixista, mas com sinais de sobrevendidos. No curto prazo, o mercado pode testar o suporte a 14,08 cents e 13,85 cents. As resistências estão em 14,48 cents e 14,75 cents.
Os futuros de açúcar em Nova York oscilaram nos dois lados do mercado ontem, mas acabaram fechando em queda com o fortalecimento do dólar. O vencimento julho encerrou em leve baixa de 0,35% (5 pontos), a 14,29 cents. A máxima foi de 14,48 cents (mais 14 pontos). A mínima bateu 14,28 cents (menos 6 pontos).
O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou ontem a R$ 75,88/saca (-0,03%). Em dólar, o preço ficou em US$ 21,74/saca (+0,65%).
