Os contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) iniciaram a semana em leve queda, corrigindo fortes ganhos anteriores. Apenas na semana passada, o vencimento março/16, o mais líquido, registrou valorização de quase 2% (24 pontos).
Há uma melhora nos fatores fundamentais, com a perspectiva de atraso na moagem e menor rendimento da cana-de-açúcar em decorrência de chuvas nas regiões produtoras do Centro-Sul do Brasil, na semana passada. Segundo a Somar Meteorologia, no entanto, depois da passagem de uma frente fria seguida de uma massa de ar polar, o tempo volta a ficar seco e a temperatura sobe rapidamente no Sudeste neste início de semana.
O Banco Pine informa que a recuperação da produtividade dos canaviais deve confirmar uma moagem de 602 milhões de t de cana na safra 2015/16 no Centro-Sul, 5,4% maior do que no período anterior (571,3 milhões de t). Conforme o banco, em relatório sobre o mercado de açúcar, existem várias pressões no curto prazo para a queda, e principalmente para a volatilidade, nas cotações do produto. No médio prazo, porém, "os preços devem se elevar, pois a oferta não conseguirá acompanhar a demanda pela primeira vez em 5 anos", diz o Pine.
De acordo com modelo de previsão de preços para os próximos meses do ano, desenvolvido pela Archer Consulting, as cotações futuras do açúcar bruto em Nova York devem atingir um pico de 13,26 cents, em dezembro próximo (base vencimento março/16). Ontem, o contrato março/16 caiu 0,56%, a 12,38 cents.
O diretor da Archer Consulting, Arnaldo Luiz Corrêa, pondera que a projeção não considera alguns fatores, como a possibilidade de aumento da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide). Segundo avaliação de Corrêa, uma Cide de R$ 0,30 por litro de gasolina pode aumentar a arrecadação do governo em R$ 10,5 bilhões. Hoje, segundo ele, o governo arrecada R$ 56 bilhões em impostos sobre combustíveis.
O diretor acrescenta que a alteração do preço da gasolina vai deixar o etanol ainda mais competitivo e deve direcionar mais cana para a produção do combustível. Isso mudaria o planejamento das usinas para o próximo ano com propensão de diminuir a disponibilidade de açúcar.
Corrêa diz, ainda, que a alta do dólar em relação ao real tem incentivado muitas empresas a aumentarem o hedge de venda para 2016/17 e mesmo para 2017/18, aproveitando a curva do câmbio. Ontem, porém, próximo ao fechamento do mercado de açúcar em Nova York, a moeda norte-americana operava na mínima, cotada a R$ 3,8380, queda de 1,06%.
Os pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) informam que a exportação de açúcar vem remunerando mais do que as vendas internas há quatro semanas, principalmente por causa da valorização do dólar em relação ao real.
Segundo o Cepea, na média da semana passada, as vendas externas remuneraram 13% a mais do que as vendas de açúcar no spot paulista. Enquanto o indicador do açúcar cristal Cepea/Esalq teve média de R$ 49,66/saca, os futuros de demerara na ICE Futures US, com vencimento em outubro/15, eram equivalentes a R$ 56,11/saca. Para o cálculo, os pesquisadores consideraram US$ 51,36/t de FOB, US$ 72,99/t de prêmio de qualidade e dólar a R$ 3,8393.
Pelos indicadores técnicos, o vencimento março/16 em Nova York fez nova máxima ontem, a 12,55 cents, que deve ser o próximo objetivo a ser alcançado. O suporte é de 12,19 cents, seguindo de 12,07 cents.
O mercado de açúcar em Nova York trabalhou no terreno negativo em boa parte do pregão de ontem, em movimento de realização de lucro. O vencimento março/16 caiu 7 pontos (0,56%), a 12,38 cents. A máxima foi de 12,55 cents (mais 10 pontos). A mínima bateu 12,28 cents (menos 17 pontos).
O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou em R$ 50,65/saca (+ 0,46%). Em dólar, o preço ficou em US$ 13,26/saca (+2,00%).