Açúcar: Mercado

Açúcar: Mercado

[Opinião] Mercado de açúcar está cada vez mais dependente do Brasil

O açúcar bruto aproveitou a recente mudança no sentimento macro e os congestionamentos portuários no Brasil, atingindo 28 centavos de dólar por libra-peso


hEDGEpoint - Publicado: 14 Nov 2023 - 12:50

Por Lívea Coda*

O mercado global de açúcar está cada vez mais dependente do Brasil. A boa notícia é que o país deverá continuar avançando e alcançando excelentes resultados. Mas, antes de nos aprofundarmos nos números e expectativas para o país, é importante discutir os movimentos de preços da última semana.

O período começou com os preços do açúcar atingindo o maior nível em 12 anos, apoiados por interrupções nas exportações do Centro-Sul causadas por congestionamentos portuários e chuvas. No entanto, o Brasil ainda negocia com desconto – muito próximos de zero, é verdade – o que significa que as origens ainda não estão totalmente sob a influência da escassez do Hemisfério Norte.

É claro que, à medida que se aproximar o verão brasileiro e, portanto, a época em que as usinas são forçadas a reduzir o ritmo e a cana se torna mais escassa, os preços poderão encontrar ainda mais suporte. Ao atingir o nível de 28 centavos de dólar por libra-peso, o açúcar bruto também aproveitou a recente mudança no sentimento macro.

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O discurso conciliatório proferido pelo presidente do Sistema de Reserva Federal dos Estados Unidos (FED), Jerome Powell, após a decisão de manter a taxa de juros estável ofereceu ainda mais suporte à commodity, ao induzir uma forte correção no índice do dólar. Mesmo com este quadro, o açúcar não conseguiu sustentar os seus ganhos, corrigindo-se para 27,20 centavos de dólar por libra-peso na sexta-feira.

Foi, portanto, uma semana volátil e o Centro-Sul brasileiro continua a ser um dos temas mais relevantes e baixistas. A produtividade da cana na safra 2023/24 é o principal motivo dos excelentes resultados da região, ultrapassando a média da história recente e se aproximando dos níveis de 2008/09. Não só isso, mas também se espera que a área aumente.

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Ambos são temas bem explorados e que, aliados à excelente qualidade da cana até o momento – apesar da precipitação mais próxima da média –, permitem que o Brasil seja a maior força baixista do mercado. Entretanto, a volatilidade dos preços esta semana está ligada à capacidade do país de escoar o adoçante.

O congestionamento portuário está aumentando e o prêmio do físico está começando a reagir, mas isso não significa que o Brasil não tenha produto, pelo contrário, o açúcar está esperando para chegar ao mercado internacional. Portanto, o país deve adiar o início dos efeitos da escassez no Hemisfério Norte, fornecendo mais de 30 milhões de toneladas durante 2023/24.

Já se sabe, por exemplo, que as chuvas recentes são benéficas para a próxima safra e, até agora, as perspectivas parecem estar a favor da região. Mesmo se assumirmos que haverá alguma retração na produtividade dos canaviais, mais chuvas podem tanto impulsionar o desenvolvimento da cana quanto induzir um volume maior de cana bisada, aumentando a expectativa de volume de matéria-prima para 2024/25.

A disparidade de preços entre o adoçante e o etanol – atualmente em 13 centavos de dólar por libra-peso ou mais de US$ 290 por tonelada – também endossa a decisão das usinas. Não só se espera que o açúcar continue a ser a alternativa mais lucrativa, mas os resultados de 2023/24 induziram investimentos na capacidade de cristalização, ao mesmo tempo que tornaram explícita a necessidade de investir em infraestrutura. O setor não deixará esta oportunidade passar.

Para 2024/25, embora cedo para afirmar, o consenso do mercado parece apontar para excelentes resultados. Até o momento, esperamos que o Centro-Sul seja capaz de produzir mais de 42 milhões de toneladas e exportar cerca de 33,5 milhões de toneladas.

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Isto significa que uma forte tendência de alta poderá durar pouco, especialmente se o impacto do El Niño no Hemisfério Norte permanecer restrito à safra 2023/24. No entanto, devemos permanecer cautelosos, uma vez que a demanda global deve continuar a sua trajetória de expansão e qualquer ocorrência de clima adverso pode levar o mercado à escassez.

* Lívea Coda é coordenadora de inteligência de mercado na hEDGEpoint Global Markets


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