A menor oferta global de açúcar em relação à demanda deve manter os futuros de demerara sustentados na Bolsa de Nova York (ICE Futures US). No curto prazo, porém, o mercado continua atento ao desenvolvimento da colheita no Centro-Sul do Brasil, principal região produtora de cana do mundo.
O analista João Paulo Botelho, da INTL FCStone, informou que o açúcar produzido no Brasil tem encontrado demanda firme. Prova disso é o baixo volume do produto entregue contra o vencimento da tela maio em Nova York, no fim do mês passado. "O exportador brasileiro tem encontrado certa facilidade para colocar o açúcar no mercado físico, o que sinaliza boa demanda. A entrega física contra a bolsa é o último recurso", comentou.
Botelho acrescentou, ainda, que as notícias fundamentais do setor favorecem as cotações. A Índia, maior consumidor mundial de açúcar, deve registrar quebra de safra de cana, por causa da estiagem. A produção de açúcar naquele país asiático deve alcançar cerca de 25 milhões de t, bem abaixo dos 28 milhões de t da safra passada. "Os indianos vão produzir menos do que consomem e os estoques vão cair. A próxima safra, que começará em outubro, também deverá ser pequena, por volta de 23 milhões de t", informou.
Pelos indicadores técnicos, Nova York pode buscar níveis mais altos. A resistência está em 16,71 cents, máxima alcançada em 23 de março, que foi rompida ontem, mas o mercado devolveu ganhos. Na parte de baixo, o suporte psicológico é de 16 cents. Outro suporte é a mínima de 15,88 cents.

O analista da INTL FCStone salientou que o dólar tem influenciado pouco o mercado futuro de açúcar, no momento. Segundo ele, a moeda norte-americana enfraquecida torna o açúcar muito mais remunerador do que o etanol hidratado. "A diferença é muito grande e o açúcar perde competitividade apenas abaixo de cerca de 12 cents", afirmou. Ontem, o dólar fechou a R$ 3,5445, em queda de 0,58%.
A colheita da safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul do Brasil, porém, tende a segurar as cotações de açúcar no curto prazo. O clima tem sido favorável aos trabalhos. Conforme a Climatempo, não há previsão de chuva significativa nesta semana em São Paulo, maior Estado produtor de cana. "A temperatura entra em elevação, mas não há expectativa de calor intenso", prevê a meteorologia.
Na semana que vem, a União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica) deverá divulgar o volume de moagem de cana no Centro-Sul, na segunda quinzena de abril. O Banco Pine estima que a moagem deve crescer 30,5%, para 35,4 milhões de toneladas, em comparação com mesmo período de 2015 (27,1 milhões de t).
Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno positivo em boa parte do pregão de ontem, marcando nova máxima no fim da sessão. O vencimento julho encerrou em alta de 2,46% (40 pontos), a 16,65 cents. A máxima foi de 16,79 cents (mais 54 pontos). A mínima bateu 16,22 cents (menos 3 pontos).
O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou ontem a R$ 75,15/saca (+0,39%). Em dólar, o preço ficou em US$ 21,26/saca (+1,24%).
