Açúcar: Mercado

Açúcar: Mercado

Com melhorias climáticas, mercado de açúcar pode ter correções de preços


hEDGEpoint - Publicado: 14 Set 2023 - 11:20

Indicadores técnicos sinalizam um momento volátil no mercado de açúcar, segundo os analistas da hEDGEpoint Global Markets. Durante a semana passada, os preços do açúcar bruto atingiram uma máxima de mais de quatro meses, em 27 centavos de dólar por libra-peso, devido às perspectivas de deterioração da safra da Índia. O açúcar branco seguiu a tendência, ultrapassando momentaneamente US$ 750 por tonelada.

Segundo a analista de açúcar e etanol da hEDGEpoint, Lívea Coda, as expectativas de menor disponibilidade oferecem suporte aos contratos futuros e contribuem para a sustentação do prêmio do branco. “No entanto, este recente aumento nos preços poderá durar pouco, à medida que nos aproximamos do vencimento do contrato de outubro”, diz.

Ela chama de “rumores” a possibilidade de que a Índia deixe de exportar o adoçante por conta de uma decisão do governo, também observando que o clima teve algumas melhorias no país. “Regiões como Uttar Pradesh, Gujarat e Tamil Nadu não sofreram tanto como Maharashtra e, recentemente, a previsão de precipitação para setembro melhorou em todo o país. Embora o mercado tenha reagido a todas as notícias que circulam, os preços ainda não refletem uma quebra catastrófica da safra indiana, e nem deveriam”, observa.

Além disso, o clima brasileiro também melhorou. A analista observa que, ao contrário do cenário visto no Hemisfério Norte, o clima seco é considerado bem-vindo pelos produtores no atual momento da safra, pois permite acelerar o ritmo de moagem e induzir maior teor de sacarose.

“Considerando os modelos de precipitação GFS e Europeu para o país, devemos esperar chuvas abaixo da média durante o mês de setembro. Portanto, o Brasil continuará sendo o fator de baixa mais forte no curto prazo. Esta tendência poderá oferecer alguma resistência a novos aumentos de preços antes do vencimento, tornando possível compensar parte da alta de médio ou longo prazo, principalmente para o primeiro contrato”, afirma Coda.

À medida que se aproxima do vencimento do contrato futuro de outubro, de acordo com a analista, o mercado pode esperar por uma diminuição nos preços. “A alta disponibilidade do Brasil e o baixo prêmio do físico em Santos (SP) podem indicar uma entrega do país”, argumenta e completa: “Se os destinos realmente precisassem do adoçante de forma urgente, o prêmio do físico deveria pelo menos corresponder aos 30 pontos do ano passado, mas o açúcar está sendo negociado com um desconto de 30 pontos. Portanto, o mercado não parece tão apertado”.

Ainda de acordo com a analista, o mercado já está precificando o açúcar dentro desta lógica e, com isso, pode-se esperar que os preços caiam ainda mais. “Entretanto, devemos continuar monitorando o clima para melhor avaliar tanto a escassez da Índia quanto a possibilidade de uma disponibilidade maior do Brasil”, finaliza.