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As melhores opções para as usinas captarem dinheiro no mercado, segundo Itaú BBA

Alexandre-Figliolino itau bba 311014Três modalidades de captação aparecem como as mais adequadas para as usinas no momento, diz Alexandre Figliolino

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Apesar da crise enfrentada pelo setor sucroenergético em um contexto de retração econômica do país, ainda há espaço para a captação de recursos por parte das usinas, na análise de Alexandre Figliolino, diretor de agronegócios do Itaú BBA, que tem na carteira de relacionamento companhias que respondem por cerca de 70% da produção de cana-de-açúcar no centro-sul.

Na atual conjuntura, as instituições financeiras se tornam mais seletivas nas concessões de créditos, direcionando-os basicamente às companhias mais saudáveis do setor. O que torna a perspectiva para a captação de crédito ainda mais desafiadora, coberta de incertezas em relação ao volume e aumento de custos de captação.

Segundo os cálculos mais recentes do Itaú BBA, o endividamento de sua clientela sucroalcooleira atingiu R$ 50,5 bilhões na safra 2014/15, encerrada em março, alta de 12% sobre a dívida de R$ 45,1 bilhões da safra anterior. Já no consolidado da indústria canavieira, de acordo com o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, a dívida é estimada em R$ 82,4 bilhões, com faturamento projetado para 2015/16 de R$ 69,7 bilhões.

Em relatório divulgado em maio, a agência de classificação de risco Fitch descartou a possibilidade de elevação de ratings das empresas monitoradas este ano. O documento apontou uma crescente aversão ao setor sucroenergético brasileiro depois da inadimplência de empresas e dificuldades financeiras de produtores, e destacou ainda a escassez de créditos sem garantia real a médio e longo prazos. 

“Neste cenário, as empresas mais frágeis estão encontrando dificuldades em acessar fontes de financiamento”, avalia Figliolino. Para ele, três modalidades de captação aparecem como as mais adequadas para as usinas no momento.

Veja os detalhes destas modalidades, as vantagens e limitações de cada uma e o perfil de empresas que atraem.

Apesar da crise enfrentada pelo setor sucroenergético em um contexto de retração econômica do país, ainda há espaço para a captação de recursos por parte das usinas, na análise de Alexandre Figliolino, diretor de agronegócios do Itaú BBA, que tem na carteira de relacionamento companhias que respondem por cerca de 70% da produção de cana-de-açúcar no centro-sul.

Na atual conjuntura, as instituições financeiras se tornam mais seletivas nas concessões de créditos, direcionando-os basicamente às companhias mais saudáveis do setor. O que torna a perspectiva para a captação de crédito ainda mais desafiadora, coberta de incertezas em relação ao volume e aumento de custos de captação.

Segundo os cálculos mais recentes do Itaú BBA, o endividamento de sua clientela sucroalcooleira atingiu R$ 50,5 bilhões na safra 2014/15, encerrada em março, alta de 12% sobre a dívida de R$ 45,1 bilhões da safra anterior. Já no consolidado da indústria canavieira, de acordo com o modelo desenvolvido pela Archer Consulting, a dívida é estimada em R$ 82,4 bilhões, valor acima do faturamento projetado para 2015/16 de R$ 69,7 bilhões.

Em relatório divulgado em maio, a agência de classificação de risco Fitch descartou a possibilidade de elevação de ratings das empresas monitoradas este ano. O documento apontou uma crescente aversão ao setor sucroenergético brasileiro depois da inadimplência de empresas e dificuldades financeiras de produtores, e destacou ainda a escassez de créditos sem garantia real a médio e longo prazos. 

“Neste cenário, as empresas mais frágeis estão encontrando dificuldades em acessar fontes de financiamento”, avalia Figliolino. Para ele, três modalidades de captação aparecem como as mais adequadas para as usinas no momento: recursos direcionados (em que os juros e volume de crédito são pré-definidos por normas do governo), recursos livres e o mercado de capitais.

Recursos direcionados: crédito rural e programas via BNDES

O volume de crédito rural disponível ao setor via recursos direcionados ainda é incerto, principalmente quanto às taxas de juros subsidiadas. E mesmo com o aumento do volume para o financiamento de custeio a juros controlados, de R$ 87,9 bilhões para R$ 94,5 bilhões (acréscimo de 7,5%), “ainda há dúvidas quanto ao montante efetivo”, lembra o executivo, “uma vez que o nível de depósito à vista, fator gerador do recurso obrigatório do crédito rural a taxas subsidiadas, tem se reduzido ao longo do ano”.

Com o anúncio do Plano Agrícola e Pecuário (Plano Safra) para 2015/2016 feito no início do mês de junho, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apresentou alterações em algumas condições de financiamento. Os juros estão mais altos, e em casos como o da estocagem de etanol, em que o juro foi mantido à TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) mais 2,7%, a alta dos custos será percebida pelo aumento da TJLP, hoje em 6% ao ano, contra 5% em 2014.

As taxas de juros, tanto no Finame PSI (para estímulo à produção, compra e exportação de bens de capital e inovação) quanto no Moderfrota (máquinas e equipamentos agrícolas), devem saltar de 6% ao ano para 9,5%. “No caso do Finame, o financiamento será restrito a 50% do valor, frente a 100% no exercício anterior”, explica. O custo do PCA, para a construção de armazéns, passou de 4,5% ao ano para 6%.

Se a taxa de juro se manteve a mesma para o ProRenova — TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo) de 6% + 2,7% ao ano —, o valor destinado caiu pela metade em relação ao proposto para a o período anterior: de R$ 3 bilhões, passou para R$ 1,5 bilhão, montante próximo a 13% da necessidade de renovação da região Centro-sul do País, avalia o gestor do Itaú BBA.

O novo Plano Safra trouxe um alento com o aumento da oferta de crédito direcionado com taxa de juros livre, entende Figliolino. O que se deve ao direcionamento obrigatório de crédito rural de, pelo menos, 50% dos recursos captados via LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), garantidas por direitos creditórios com origem em financiamentos rurais, contratados com recursos de deposito à vista ou da poupança rural.

O aumento, porém, deve ser limitado, na visão do gestor, por conta do que classifica como “apetite dos bancos” em assumir os riscos individuais das empresas. “O cenário atual de crise na economia brasileira atrelado à grave situação setorial tende a deixar os bancos mais seletivos na concessão de créditos, fazendo com que a disponibilidade de volumes se concentre nos players mais saudáveis do setor”.

Recursos livres

Com incertezas no volume disponível via recursos direcionados, Fligliolino acredita que deve haver uma procura maior por recursos livres, também praticados a taxas de juros de mercado. O que pode fazer crescer a demanda por produtos como NCE (Nota de Crédito à Exportação), ACC (Adiantamento sobre Contrato de Câmbio), PPE (Pré-Pagamento de Exportação) e CPR (Cédula de Produto Rural).

Ainda que, devido à liquidez internacional elevada, os produtos dolarizados (ACC e PPE) apresentem taxas mais atrativas aos itens negociados em real, o executivo entende que “o acesso a esses fundings estará sujeito novamente ao apetite de crédito das instituições financeiras, que deverá novamente privilegiar os nomes mais saudáveis”.

Mercado de capitais

Com emissão de títulos no Brasil ou fora do país e securitização de recebíveis, o mercado de capitais é também uma alternativa de financiamento. Figliolino lembra, porém, que a regulação deste mercado obriga a adoção e prática de níveis rígidos de governança e transparência de informações.

“Além disso, o sucesso dessas operações está atrelado ao desejo dos investidores em correr o risco das empresas do setor, que estão comprometidas pela crise setorial. Novamente, apenas os players financeiramente mais sólidos e com elevado nível de governança conseguirão lançar mão desses tipos de operação”.

Filipe Albuquerque – NovaCana

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