Os contratos futuros de açúcar demerara na Bolsa de Nova York (ICE Futures US) voltaram a ceder ontem, pela segunda sessão consecutiva. Entre outros fatores, notícias baixistas na Índia e o fortalecimento do dólar ante outras moedas derrubaram as cotações. A bolsa ficará fechada hoje, por causa do feriado de Dia de Ação de Graças nos Estados Unidos, retomando negócios amanhã.
O analista João Paulo Botelho, da INTL FCStone, informa que os futuros de demerara são pressionados em grande parte por causa das notícias de que o governo da Índia vai conceder subsídios aos produtores de cana-de-açúcar. A expectativa é ajudar as usinas a reduzirem os custos de produção, o que pode elevar a competitividade do açúcar indiano no mercado global.
Há relatos de que os produtores indianos realmente estão aumentando a venda de lotes da matéria-prima para as usinas. Ao mesmo tempo, as indústrias do país estariam fixando preço na Bolsa. A Índia é o segundo maior produtor mundial de açúcar, atrás apenas do Brasil, com 27 milhões a 27,5 milhões de t.
Outro fator negativo para o mercado é o fortalecimento do dólar em relação a outras moedas, "embora nos últimos pregões a divisa dos EUA não tenha apresentado uma correlação muito forte com os futuros de açúcar", observa Botelho. A moeda norte-americana foi puxada ontem por sinais positivos emitido pela economia dos EUA. No Brasil, o dólar disparou acima de R$ 3,80, impulsionado pelas notícias de prisão do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), líder do governo no Senado, e do banqueiro André Esteves, presidente do BTG Pactual, dentro da Operação Lava Jato.
Indicadores técnicos também estariam pressionando o mercado de demerara. O vencimento março/16 em Nova York chegou a romper ontem 14,85 cents. Outro suporte está em 14,47 cents. A resistência é de 15,13 cents e 15,50 cents.
Botelho pondera, no entanto, que os contratos têm fatores positivos, como a possibilidade de menor oferta do produto no Centro-Sul do Brasil. "O El Niño se mostra como um dos mais fortes dos últimos anos, provocando chuvas acima do esperado no Centro-Sul do País", diz Botelho. "As usinas que pretendiam esticar a moagem de cana até o fim de dezembro e início de janeiro foram atrapalhadas pelas chuvas", lamenta.
Entre outras notícias, o presidente da Organização dos Plantadores de Cana da Região Centro-Sul do Brasil (Orplana), Manoel Ortolan, disse ontem que as chuvas constantes sobre os canaviais podem antecipar o fim da atual safra e adiantar o início da colheita da safra 2016/17. Com a colheita prejudicada pelas chuvas, o planejamento atual de várias usinas é o de continuar a moagem da cana durante janeiro e fevereiro do próximo ano.
Os futuros de açúcar em Nova York trabalharam no terreno negativo em boa parte do pregão ontem. O vencimento março/16 encerrou em leve queda de 0,60% (9 pontos), a 14,91 cents. A máxima foi de 15,13 cents (mais 13 pontos). A mínima bateu 14,66 cents (menos 34 pontos).


O valor à vista em reais do indicador do açúcar Esalq fechou a R$ 77,87/saca (+0,26%). Em dólar, o preço ficou em US$ 20,76/saca (-1,19%).