Etanol: Mercado

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Mato Grosso do Sul deve produzir 960 milhões de litros de etanol de milho em 2023


Primeira Página (MS) - Publicado: 12 Jun 2023 - 09:52

Mato Grosso do Sul está no mapa da produção de etanol de milho. Para este ano, o setor espera 960 milhões de litros, aumento de 34% em relação a 2022, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). O crescimento na produção é impulsionado pela chegada de novas usinas que fabricam o biocombustível e pela alta produtividade no campo.

Antes mesmo da colheita do milho começar, o produtor rural Angelo Ximenes já sabe para quem vai vender. Cerca de 20% do que espera colher será destinado para uma usina de etanol de milho em Dourados, inaugurada há um ano.

“Para o produtor, de um modo geral, é de suma importância porque vai reduzir bastante o frete, principalmente de quem está próximo à indústria. Nós podemos conseguir um preço melhor do que na praça porque a indústria vai querer fazer um contrato antecipado e vai se garantir com o milho que está próximo”, disse Ximenes.

Por ano, a usina de Dourados tem capacidade para produzir 800 milhões de litros de etanol de milho. Outra indústria está sendo construída em Maracaju. A previsão é que a fábrica comece a funcionar até o fim deste ano.

“A agroindústria é uma nova virada do setor do agronegócio, de agregação a valor, renda, emprego, impostos. Por isso que o etanol de milho cresceu no Brasil nos últimos anos e isso deverá acontecer para os próximos anos também”, afirmou o presidente-executivo da União Nacional do Etanol de Milho (Unem), Guilherme Nolasco.

A chegada de novas usinas faz crescer a produção de etanol de milho no país. Segundo a Conab, a fabricação do biocombustível a partir do milho é estimada em 5,6 bilhões de litros para 2023. É um aumento de 42% em relação ao ano passado.

Além do impulso da indústria, os bons resultados das lavouras são um fator importante para esse crescimento do etanol de milho. Para esta safra, os produtores esperam 125,5 milhões de toneladas do cereal. Desse total, serão utilizados 10,775 milhões de toneladas para a fabricação do biocombustível, 30% a mais do que foi usado em 2022 (8,27 milhões).

“A gente tem uma combinação de oferta abundante de milho, mas também demanda tanto do etanol que é um combustível renovável quanto do DDG de milho, além da maturação de investimento da usina de etanol de milho ao longo dos últimos anos já prevendo esse crescimento da oferta”, explica o superintendente de estudos de mercado e gestão da oferta da Conab, Allan Silveira. “Essa combinação de fatores vem estimulando a produção de etanol de milho”.

Com mais espaço no mercado, o etanol de milho ainda é um aliado da sustentabilidade. Pesquisas apontam que o biocombustível é uma ferramenta rápida e eficaz para reduzir a emissão de gases do efeito estufa.

“Em poucos lugares do mundo, o consumidor tem a oportunidade de escolher um combustível que emite 90% menos do que a gasolina, então o etanol de milho veio para ficar. É uma indústria de produção complementar e vem ao encontro das políticas que o mundo e o Brasil procuram para longo prazo na redução de emissões”, destacou o diretor-executivo da Associação dos Produtores de Bioenergia de Mato Grosso do Sul (Biosul), Érico Paredes.

José Pereira