Milho

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Mato Grosso enfrenta riscos de incêndio na colheita do milho

Para reduzir os riscos, produtores priorizam a colheita em horários de temperaturas mais amenas, e com equipamentos a postos se precisar apagar princípios de incêndio


Jornal Nacional - Publicado: 26 Jul 2021 - 08:46
Mato Grosso enfrenta riscos de incêndio na colheita do milho

Incêndio em lavoura de milho no Mato Grosso

Por causa da seca severa, o estado de Mato Grosso – o maior produtor de grãos do país – está enfrentando riscos de incêndio na colheita do milho.

Em uma fazenda em Tapurah, no norte do estado, um incêndio queimou 200 hectares de milho e destruiu um trator usado para apagar o fogo. A fumaça chamou a atenção de longe e os vizinhos correram para ajudar. “Olha o prejuízo, trator grande. Tentar apagar fogo no milho em pé. Quando sopra o vento forte é problema”, relatou um produtor em um vídeo.

A cena se repete em vários municípios do estado. “Que dificuldade, que desespero. Vou agora com tanque d'água tentar apagar o fogo”, lamentou outro produtor.

Com poucas chuvas no verão, o plantio do milho atrasou. Faltou água para o desenvolvimento da planta, causando queda na produtividade. Agora, na estação seca, com ventos fortes e temperaturas muito altas, a colheita é realizada sob forte risco de incêndios. Uma teve que parar por causa de um vazamento de óleo.

“Foi na parte quente do motor e o operador experiente conseguiu sentir o cheiro de fumaça pelo ar-condicionado da máquina, né? Qualquer faísca de um escapamento, qualquer coisa, um óleo quente que está ali, já pode provocar um incêndio”, explicou o produtor rural Cleverson Bertamoni.

A precaução não é à toa. Uma semana antes, um incêndio acabou com 100 hectares de milho de Bertamoni. Lá foram perdidos pelo menos 600 mil quilos de milho. Considerando que o preço atual na região está em média R$ 70 a saca de 60 quilos, o prejuízo ultrapassa R$ 700 mil.

Mas o incêndio na lavoura não afeta só a produção de agora. “A gente pratica o plantio direto. A gente colhe e só extrai mesmo o grão, e o restante todo volta para o solo. Essa palhada é preciosa, conserva a umidade, é uma riqueza sem tamanho para o produto. Perdendo isso, fica complicado o plantio da soja lá na frente, em janeiro. Você está num solo que não tem cobertura nenhuma, fica à mercê do sol, né?”, conta Bertamoni.

Alduir Cenedese também teve parte da palhada atingida: “É um serviço de 27 anos que eu vinha fazendo. E eu acredito que [demore] de oito a dez anos para recuperar. Muitos micro-organismos benéficos para o solo foram embora, morreram”.

Para reduzir os riscos, os produtores priorizam a colheita em horários de temperaturas mais amenas e seguem até tarde da noite. “A temperatura cai abaixo de 30%. Você sabe que nós estamos aqui numa pólvora, né? Não pode nem pensar em fogo que está pegando. Então, a gente evita esse tipo de risco. O prejuízo é grande quando acontece”, disse Cenedese.