“A curva histórica de preço do milho mudou de patamar”. Esta frase do economista sênior da Datagro, Bruno Wanderley de Freitas, é utilizada para ilustrar um dos efeitos do avanço do etanol de milho no Brasil.
De acordo com ele, o custo de produção na região de Sorriso (MT) está entre R$ 40 a R$ 42 por saca, enquanto os preços de venda variam de R$ 45 a R$ 46 por saca. Assim, segundo o profissional, a margem para o produtor de milho pode ser considerada como “muito estreita”.
Entretanto, uma usina de etanol pode utilizar essa matéria-prima e gerar uma receita equivalente a R$ 98 por saca. A maior parte desse valor viria do etanol (R$ 72,90), com os grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS) correspondendo a R$ 19,40 e o óleo de milho, a R$ 5,80. Por fim, a venda de créditos de descarbonização (CBios) seria equivalente a R$ 0,40 por saca.
“Saindo de R$ 46 para R$ 98 a saca, o setor está praticamente dobrando o valor do milho”, afirma e completa: “Isso é interessante porque o preço do milho deixou de ser um fator que apenas reflete a paridade de exportação”.
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