O Brasil deve ganhar, até novembro, uma nova proposta do Ministério de Minas e Energia (MME) para um projeto de lei visando impulsionar a Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCSU).
Esta tecnologia tem por objetivo armazenar CO2 e, segundo o diretor do departamento de política de exploração e produção de petróleo e gás natural do MME, Carlos Agenor Cabral, é a melhor opção para atingir emissões líquidas zero (net zero) até 2050.
As melhores localidades para instalação de hubs de CCSU, informa, são reservatórios em terra e com rochas de basalto, mas outros caminhos serão testados, informou.
“Estamos estudando o que a gente precisa para, de fato, avançar nessa tecnologia de sequestro de carbono. A ANP regula a parte de segurança, mas a questão de fomentar política pública, investimentos, não é com a ANP”, disse Cabral ao Broadcast após participar de uma apresentação na Rio Inovation Week, no Rio de Janeiro.
Sobre o papel do MME, ele explicou: “É a política de investimento para impulsionar esse setor, a regulação, a monetização do carbono, porque é tudo junto, é um conjunto”.
Segundo ele, o Centro-Oeste do país tem uma grande vocação para virar um “hub de CCSU”, devido à produção de etanol, de onde, segundo Cabral, é mais fácil capturar o carbono. Mas também a bacia do Paraná tem se mostrado uma boa alternativa, já que possui alta presença de basalto.
“Nosso objetivo é, até 2050, estar sequestrando mais de 100 milhões de toneladas de carbono. Hoje não se sequestra nada”, informou, ressaltando que o Brasil é o país onde os estudos estão mais avançados, porém os custos são altos e ainda não se sabe quem vai financiar. Na avaliação de Cabral, os países mais ricos deveriam ser responsáveis por esse financiamento.
Entre outros pontos, é necessário um amplo estudo geológico nas bacias onshore (em terra) do Brasil, já que os estudos mais robustos até hoje são da Petrobras, que se dedica mais aos reservatórios offshore (marítimo). O transporte de CO2 entre empresas é outro obstáculo, já que encarece qualquer projeto que demande grandes distâncias.
“Existe, dentro do Acordo de Paris, que o presidente Lula busca bastante, que é o financiamento dos países desenvolvidos para os subdesenvolvidos, e em desenvolvimento, para ter a nossa transição energética”, informou.
Os custos dos projetos de CCSU têm sido um dos maiores desafios para a Petrobras desenvolver os projetos de captura e armazenagem de carbono, segundo a gerente geral de pesquisa, desenvolvimento e inovação em transição energética e sustentabilidade da Petrobras, Roberta Mendes.
Um projeto piloto em Macaé, no Terminal de Cabiúnas, foi recentemente aprovado internamente, e terá capacidade para 100 mil toneladas de CO2. O foco, segundo a executiva, será ajudar a regulação do ponto de vista do armazenamento. O desafio, destacou Roberta, é conseguir a viabilidade econômica para o negócio.
“Estamos estudando vários hubs de CCSU, mas enfrentamos algumas dificuldades. O ponto principal é que alguns dos hubs não se tornaram econômicos, ainda precisam fazer muitas coisas do ponto de vista de regulamentação. Sem dúvida nenhuma a gente vai precisar de integração com fonte limpa, o que mostra a importância do Centro Oeste", disse a executiva em consonância com Cabral, no mesmo evento.
Ela complementou: “A gente vai avançar sim, do ponto de vista de tecnologia, oportunidades para reduzir custos. Vamos ter que ‘engenheirar’ muito para tornar viável economicamente esses hubs”.
Denise Luna