2011

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Cepea/Esalq - Março 2011 - Agromensal


Águida - Publicado: 09 Mar 2011 - 09:18 | Atualizado: 10 Jun 2011 - 09:36

I - Análise Conjuntural


AÇÚCAR

ANÁLISE CEPEA – O mês de março foi caracterizado por quedas nos preços de açúcar no mercado paulista. Segundo pesquisas do Cepea, as cotações começaram a cair com mais força na segunda quinzena do mês.

Na primeira semana de março, compradores mantiveram-se retraídos, trabalhando com estoques do produto adquiridos ainda em fevereiro. Já na segunda quinzena, usinas que estavam fora de mercado voltaram para liquidar seus estoques, pressionando as cotações. No final do mês, muitas usinas iniciaram a moagem da nova safra (2011/12). Essas unidades, no entanto, priorizaram a produção de etanol para abastecimento interno.

Em março, a média do Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ (estado de São Paulo) foi de R$ 70,56/saca de 50 kg, 6,13% menor que a de fevereiro, mas ainda 1,41% superior à média de março/10 (R$ 69,58/saca de 50 kg, em termos nominais).

Na região Nordeste, as negociações envolveram volumes relativamente baixos no correr do mês. Com a chegada do final da safra, algumas usinas mantiveram seus estoques fora do mercado spot para atender a compromissos de produto já contratado. Outras usinas e atacadistas, que praticamente já havia esgotado os estoques, buscaram comprar o açúcar em outros estados, como São Paulo e Goiás. Comumente, as diferenças nos custos de logística e impostos tornaram o açúcar de Goiás mais atrativo em detrimento do paulista. No entanto, devido à dificuldade do setor sucroalcooleiro goiano em iniciar sua safra devido às chuvas, os nordestinos acabaram comprando grandes volumes em São Paulo.

Em Alagoas, o Indicador do Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ de março foi de R$ 73,87/saca de 50 kg, valor 4,82% menor que o de fevereiro e 2,78% inferior ao de março/10. Em Pernambuco, o Indicador foi de R$ 73,54/saca de 50 kg, queda de 3,38% sobre o de fevereiro de 2011, mas 0,15% superior à média de março/10.

Quanto à safra 2011/2012, em relatório divulgado no final de março, a Unica estimou moagem de 568,50 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, volume 2,11% maior que o total processado na última temporada (556,74 milhões de toneladas). A Unica estima produção de 34,58 milhões de toneladas de açúcar, 3,25% acima da temporada 2010/2011. Quanto ao mercado externo, espera-se que sejam embarcadas 24,9 milhões de toneladas de açúcar, incremento de 2,5% sobre volume anterior, o que corresponde a 72% da produção.

Em março, os preços internacionais recuaram com força. Na Bolsa de Nova York (ICE Futures), o primeiro vencimento recuou 7,7% no acumulado do mês, fechando a 25,65 cents/lb. De modo geral, a pressão veio do terremoto no Japão, que trouxe incertezas no mercado – o Japão é um dos maiores importadores de alimentos do mundo.

De acordo com a F.O. Licht, as projeções sobre a oferta e demanda de açúcar para o ano comercial 2010/2011 foram reduzidas, com expectativa de superávit de 2,8 milhões de toneladas. A produção de açúcar deve ser de 166,9 milhões de toneladas e o consumo global, de 164,1 milhões de toneladas.

Em março, a perspectiva de exportação da Índia continuou influenciando o mercado mundial. As notícias indicaram que país irá exportar 1 milhão de toneladas de açúcar, porém, a curto prazo, o governo autorizou apenas 500 mil toneladas. Alguns especialistas acreditam que esse volume poderá alcançar 2 milhões de toneladas, caso a produção da safra 2010/2011 seja de 24,5 milhões de toneladas.

Cálculos do Cepea indicam que as vendas internas remuneraram mais do que as externas em março/2011, com vantagem de 6%. Esse cálculo considera o valor médio do Indicador CEPEA/ESALQ, o vencimento Maio/11 na Bolsa de Londres (Euronext Liffe), um desconto de qualidade estimado em US$ 30,80/t, e custos com elevação e frete de US$ 75,00/t.

Quanto às exportações, segundo dados da Secex, os embarques brasileiros de açúcar bruto (VHP) totalizaram 1.060,3 mil toneladas em março/2011, volume 15,8% maior que o de fevereiro (915,9 mil), e 9,7% superior ao de março/2010 (966,6 mil). De açúcar branco, em março, foram exportadas 350 mil toneladas, decréscimo de 1,4% sobre o volume de fevereiro (354,9 mil) e 9,4% superior ao de março/10 (319,8 mil).

Equipe: Dra. Heloisa Lee Burnquist, Bel. Mariana M. O. Pessini e Bel. Kíssia Soares Guaitoli.
Contato: cepea@esalq.usp.br

ETANOL

ANÁLISE CEPEA – O mercado paulista iniciou março com volume expressivo de negócios de etanol, impulsionado pela maior demanda por conta do período de carnaval. No correr do mês, a procura passou a ser mais expressiva para o anidro, devido à substituição feita por consumidores, que notaram vantagem econômica no uso da gasolina C em detrimento do hidratado.

De modo geral, com a finalização da safra 2010/11, a oferta de etanol esteve menor em março. Assim, os preços subiram com força nas três primeiras semanas do mês, ao passo que, na última, a entrada de produto da safra 2011/12 e a diminuição da demanda motivaram a queda nos preços do hidratado. No caso do anidro, contudo, a procura seguiu aquecida e, dessa forma, os preços seguiram em alta.

Em março, o Indicador mensal CEPEA/ESALQ do etanol anidro foi de R$ 1,5966/litro (sem impostos), 23,5% superior ao de fevereiro. O Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado fechou a R$ 1,4219/litro (sem impostos), alta 20,9% frente o mês anterior.

Na média da safra 2010/11 (de abril/10 a março/11), o Indicador CEPEA/ESALQ do etanol anidro no estado de SP foi de R$ 1,1467/litro (em termos reais), valor 5,94% maior que o da temporada anterior (valores deflacionados pelo IGP-M). Para o hidratado, a média dos indicadores mensais CEPEA/ESALQ foi de R$ 0,9967/litro, aumento de 5,84% no mesmo comparativo. Apesar dessa recuperação, no horizonte de 11 anos-safra, as médias atuais ficam abaixo das vigentes em cinco temporadas.

Nos estados do Nordeste, a baixa oferta de etanol também sustentou os preços em março. O Indicador CEPEA/ESALQ mensal do hidratado fechou em R$ 1,2873/litro (com impostos, exceto ICMS) em Alagoas, elevação de 8,76% sobre a média do mês anterior. Quanto ao anidro, o Indicador de março foi de R$ 1,6020/litro, aumento de 15,2% em relação ao de fevereiro. Em Pernambuco, o Indicador do hidratado foi de R$ 1,2793/litro, alta de 8,02%, e o do anidro, de R$ 1,6289/litro, elevação de 16,5%.

Em relação à paridade de preços entre os produtos do setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo, cálculos do Cepea mostraram que o açúcar cristal remunerou 31% a mais que o etanol anidro e 40% a mais que o hidratado em março. Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 6% a mais que o hidratado. Em março, o preço do álcool anidro combustível recebido pelo produtor representou 16,19% do preço da gasolina C vendida ao varejo, no estado de São Paulo.

Segundo estimativa da Unica (União da Indústria da Cana-de-Açúcar) divulgada no dia 31 de março, a safra 2011/12 na região Centro-Sul deve moer 568,5 milhões de toneladas, crescimento de 2,11% frente à temporada anterior. De etanol, espera-se produzir 25,51 bilhões de litros, pequeno aumento de 0,52%. Para o açúcar, a estimativa é de aumento de 3,25% nesta safra, com produção de 34,58 milhões de toneladas, ante as 33,49 milhões de toneladas da temporada 2010/11.

Quanto ao mix de produção, a maior parte da cana a ser colhida na região (54,66%) deverá ser destinada à produção de etanol – percentual praticamente igual ao da safra anterior. Para o açúcar, contudo, haverá mais cana alocada para o alimento, passando de 44,71% na safra 2010/11 para 45,34% na 2011/12. Em relação à quantidade de ATR por tonelada de cana, a Unica estima quantidade de 140,80 kg para a safra 2011/12 ante os 141,21 kg da temporada anterior. Com relação às exportações de etanol, a entidade estima uma redução de 18% nos embarques, passando para 1,45 bilhão de litros.

Em relação às exportações, dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que os embarques de etanol (anidro e hidratado) totalizaram 83,7 milhões de litros em março, volume 45% inferior ao de fevereiro/11, mas 34,8% maior que o de março/10. No acumulado da safra 2010/11 (abril/10 a março/11), as usinas brasileiras enviaram ao exterior 1,898 bilhão de litros, gerando uma receita de pouco mais de US$ 1 bilhão. Na temporada anterior, foram 3,155 bilhões de litros, queda de 40%. Os principais países importadores do etanol hidratado foram, nessa ordem, Coréia do Sul, Japão e Estados Unidos em março.

Equipe: Dra. Mirian R. Piedade Bacchi, Msc. Ivelise Rasera Bragato, Dra. Lílian Maluf de Lima, Carla Luciane dos Santos e Amanda Juliano.
Contato: cepea@esalq.usp.br

II - Séries Estatísticas Cepea
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III – Gráficos

CEPEA – AÇÚCAR
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CEPEA - ÁLCOOIS ANIDRO E HIDRATADO
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