
O empresário Marcelo Odebrecht em seu escritório em São Paulo
Um dos homens de negócios mais poderosos do país, Marcelo Odebrecht diz que é obrigação dos empresários tentar influenciar as decisões do governo –posição que seus pares não gostam de discutir abertamente.
"Sendo legítimo e transparente, não vejo nada de mais em defender pontos que muitas vezes a gente conhece melhor do que qualquer um."
O sócio e presidente do grupo Odebrecht afirmou que o foco da discussão sobre o preço dos combustíveis está errado, ao ser questionado sobre o impacto na inflação.
O empresário minimizou a defasagem do preço da gasolina em relação ao mercado internacional como argumento para aumentar o preço da gasolina. “A Petrobras sempre trabalhou com defasagem de 10% a 15% no preço da gasolina. O que mudou é que a Petrobras passou a importar o produto, depois que o governo acabou com a Cide (o imposto sobre o combustível), em 2008.”
Odebrecht defende que o reajuste deveria ser feito para evitar as importações de gasolina da Petrobras. “Tem que voltar com a Cide para que o consumo volte para o etanol e a Petrobras pare de importar gasolina.”
Veja a seguir os principais trechos da entrevista sobre o mercado sucroenergético:
Folha - Discute-se muito a necessidade de um ajuste duro em 2015, com reajustes nos preços dos combustíveis, da energia elétrica, talvez alta dos juros. Qual é a sua expectativa?
Marcelo Odebrecht - Acho que as distorções devem ser corrigidas o mais rápido possível. Só a percepção da distorção já influencia os investimentos.
Aumentar o preço dos combustíveis de uma vez pode ter impacto forte na inflação...
Para mim, o foco dessa discussão está errado. A Petrobras sempre trabalhou com defasagem de 10% a 15% no preço da gasolina. O que mudou é que a Petrobras passou a importar o produto, depois que o governo acabou com a Cide (o imposto sobre o combustível), em 2008.
A gasolina ficou barata e todo o mundo abandonou o etanol, que estava crescendo. Tudo o que a Petrobras está importando de gasolina agora era para ser suprido por etanol. Portanto, tem que voltar com a Cide para que o consumo volte para o etanol e a Petrobras pare de importar gasolina. Aí, a Petrobras se prepara para aumentar a produção de gasolina também.
O sr. não está defendendo isso porque a Odebrecht é grande produtora de etanol...
Também. Eu conheço isso de perto, estou sofrendo no etanol. Mas não é por isso que estou errado. Eu falo porque conheço o tema. E a volta da Cide traria R$ 10 bilhões a mais na arrecadação do governo. Pega essa receita e coloca na área de transporte.
Isso pode reduzir a tarifa do transporte público. Penaliza quem usa carro e beneficia quem usa ônibus. É também desinflacionário, porque o peso do transporte público na inflação é maior que o da gasolina. É um circulo virtuoso. Defendo isso porque acredito.
Marina Silva despontou como alternativa viável para a Presidência. Alguns empresários dizem que ela é intransigente em questões ambientais...
Não vou falar dela. Mas acho que existe exagero nessa questão ambiental. Há muita deficiência nos estudos ambientais feitos por várias empresas. Seja porque não fazem direito o dever de casa ou porque intencionalmente querem atrasar determinado empreendimento e usam como desculpa a questão ambiental.
A entrevista na íntegra está disponível aqui.
Com texto da Folha de S. Paulo