Etanol: Mercado: Futuro

Etanol: Mercado: Futuro

Mapa dá suporte ao MME e diz onde, como e quanto a produção de cana aumentará nos próximos 10 anos

Para surpresa do setor, Ministério da Agricultura aposta que daqui a dez anos as usinas conseguirão colocar no mercado mais etanol do que o MME havia projetado


NovaCana - Publicado: 20 Ago 2015 - 11:59 | Atualizado: 20 Ago 2015 - 16:29

Os números que servirão de base para o planejamento estratégico do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) sobre o futuro do etanol e da cana-de-açúcar no Brasil foram detalhados pela pasta. As projeções dão suporte aos números revisados de produção de etanol apresentados recentemente pelo MME sobre o déficit da oferta interna de combustíveis do ciclo Otto.

O tema sobre a produção na próxima década tem ganhado relevância nas discussões porque sinaliza o espaço que o setor pode ocupar no mercado futuro e é um guia para as medidas federais. O governo terá de decidir se insiste na importação cada vez maior de gasolina ou impulsiona a indústria doméstica com medidas que permitam a retomada do setor canavieiro.

Segundo o Mapa, na safra 2024/25, o Brasil produzirá 839 milhões de toneladas de cana. O volume é 35,8% maior do que o registrado na safra 2014/15, de 617 milhões de toneladas.

Para surpresa do setor, o Mapa aposta que daqui a dez anos as usinas conseguirão colocar no mercado mais etanol do que o MME havia projetado. Enquanto o MME projeta que as usinas terão condições de entregar 35,1 bilhões de litros daqui dez anos, a pasta da agricultura indica uma produção de 37,7 bilhões de litros. Isso representa 2,7 bilhões a menos no buraco de 6,6 bilhões de oferta previsto pelo ministro Eduardo Braga.

Durante o Ethanol Summit o diretor técnico da Unica, Antônio de Padua Rodrigues, chegou a criticar a previsão do MME. Ele sugeriu que a produção de etanol não seria tão alta, ao colocar em dúvida, de forma enfática, a projeção de que usinas continuarão direcionando mais produção para o etanol e que o mercado de açúcar seguirá pouco atrativo.

O documento do Mapa faz uma defesa do governo neste aspecto, ao adotar como premissa para suas projeções que o mix de produção industrial se manterá na faixa do verificado em 2014/15 (43% para o açúcar e 57% para o etanol). A opção está em linha com as declarações do secretário do Mapa, André Nassar, quando ele afirmou que é preciso escolher um caminho para estas previsões, e o mix da última safra seria o mais seguro. 

A Unica foi procurada para comentar as previsões mas, apesar das diversas tentativas, a entidade não se posicionou.

A estimativa – realizada pela Assessoria de Gestão Estratégica do Mapa (AGE) e pela Secretaria de Gestão Estratégica do Embrapa (SGE) – aponta que a taxa média anual de crescimento da produção brasileira de açúcar deve ser de 3,1% anualmente no período de 2014/2015 a 2024/2025.

Observando todo o período, essa taxa deve conduzir a uma produção de açúcar 37,1% maior em relação a 2014/15. No caso do etanol, o crescimento será menor, de 32% no acumulado do período.

O relatório não trouxe os valores específicos para o etanol. Contudo, o novaCana calculou a projeção para o biocombustível com base nos dados apresentados para a produção média de cana-de-açúcar e de açúcar.

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MAPA aposta que os fatores negativos que afetaram as usinas nos últimos anos serão revertidos

Produtividade continuará sendo problema

Entre as principais razões para o aumento da produção, o ministério enumera as apontadas pelo relatório da Organization for Economic Co-Operation and Development (OECD) em conjunto com a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla original).

O documento classifica os problemas vividos pela indústria como passageiros, e cita como exemplo a falta de investimentos, as condições climáticas adversas e a consequente queda na produtividade média. Essas condições, agravadas por preços baixos do açúcar, causaram a falência ou a desativação de muitas usinas. No entanto, o futuro deverá ser mais positivo, segundo a análise.

Assim, a base para a retomada está na crença de que “muitos fatores negativos observados nos últimos anos serão revertidos ao longo do período das projeções”.

Em 2025, a previsão do relatório é que a produtividade média da cana-de-açúcar no Brasil alcance o índice de 74,3 tons/ha, apenas 8,3% acima da média nacional em 2014/15, de 68,6 tons/ha.

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Na safra 2014/15, o país produziu 634,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, número que deve chegar a 839 milhões em 2024/2025 – um acréscimo de 32,2%. Já com relação à área plantada, o país irá de 9 milhões de hectares para 11,3 milhões, resultando em um aumento de 25,4%.

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Apesar do acréscimo na produtividade, o documento ministerial admite que a previsão é considerada baixa por técnicos do Agroícone, que também analisaram as projeções. Entretanto, o Mapa sustenta que a expansão do produto em estados emergentes pode levar a rendimentos iniciais mais baixos devido aos padrões de terra e tecnologia.

No entanto, essa informação contradiz parcialmente dados do próprio relatório, que apontam quedas de produtividade também em São Paulo (-1,63%) e estagnação no Paraná (-0,18%).

São Paulo: produção 23% maior

Na posição de maior produtor nacional, São Paulo terá expansões elevadas de produção (23%) e de área (26%). Em 2014/2015, o estado plantou 4,7 milhões de hectares de cana-de-açúcar, produzindo 343,3 milhões de toneladas (73,3 tons/ha).

Na safra 2024/2025, a previsão é chegar em 423,9 milhões de toneladas em uma área de 5,8 milhões de hectares (72,1 tons/ha). Esses números colocam o estado com o segundo pior resultado em produtividade, perdendo apenas para o Mato Grosso.

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Segundo o estudo do ministério, nos próximos 10 anos, a produção de cana deve apresentar expansão em todos os cinco estados considerados. Os aumentos relativos mais significativos devem ocorrer em Goiás, Minas Gerais e no Paraná. Depois vêm Mato Grosso e São Paulo, que apresentam um menor crescimento previsto. Contudo, o incremento se dará pelo aumento da área, uma vez que, a produtividade ficará estagnada, conforme calculado pelo novaCana a partir das previsões do Mapa.

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Minas Gerais: 30% mais cana

Em Minas Gerais, a produção de 2014/2015 ficou em 70,6 milhões de toneladas com uma área plantada de 925 mil hectares (76,3 tons/ha), devendo chegar a 92,7 milhões de toneladas em 10 anos em uma área de 1,2 milhões de hectares (77,2 tons/ha). O ganho em produção ficou em 31%, enquanto a área plantada deve crescer 30%.

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Goiás: evolução de 36%

Por sua vez, Goiás passará de 61 milhões de toneladas para 83 milhões, com a área plantada indo de 791 mil hectares para 1 milhão. Isso representa um aumento de 36% na produção e 34% na área, com a produtividade passando de 77,2 tons/ha para 78 tons/ha, os melhores índices entre os estados analisados.

De modo geral, no entanto, a cana deve se expandir através da redução de área de outras lavouras e também em áreas de pastagens.

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Paraná: crescimento de 33%

O Paraná, que produziu 50,8 milhões de toneladas em 2014/2015 passará para 67,3 milhões em 2024/2025, um acréscimo de 33%. A mesma taxa de aumento se dará com relação à área plantada, que passará de 696 para 925 mil hectares. Dessa forma, o estado deve manter relativamente estável sua taxa de produtividade por hectares de terra, que vai de 72,9 tons/ha para 72,8 tons/ha.

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Mato Grosso

Por fim, a área plantada no Mato Grosso irá de 293 para 397 mil hectares, resultando em um ganho de 35% – o maior entre todos os estados analisados. A produção, no entanto, deve aumentar apenas 31%, passando de 20,3 para 26,6 milhões de toneladas. Consequentemente, a produtividade terá um decréscimo de 69,4 para 67 tons/ha.

Em um contexto agrícola amplo, entre as culturas que devem sofrer redução está o milho, que segue uma tendência já observada anteriormente pelo Mapa. Os principais estados afetados são Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Maranhão. Em Minas Gerais, estima-se que a área seja destinada à expansão tanto da cana-de-açúcar quanto da soja.

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MS de fora

Na seleção do Mapa, o Mato Grosso do Sul não consta entre os estados selecionados para as projeções de produção e área plantada de cana. Na safra 2014/15, o estado foi responsável pela moagem de 43,8 milhões de toneladas de cana e produção de 1,367 milhões de toneladas de açúcar.

Cana-de-açúcar segunda maior expansão do período

De acordo com os números do Mapa, a área plantada de cana-de-açúcar terá cerca de 2,3 milhões de hectares adicionais em 2025, sendo a segunda cultura com maior expansão no período. A primeira posição é da soja, que deve aumentar 9,7 milhões de hectares nos próximos 10 anos, chegando a 41,2 milhões, o que representa um aumento de 30,8%. As duas atividades competem diretamente por área no Brasil.

Relativamente, a cana-de-açúcar deve crescer menos no período – aproximadamente 25%. Contudo, é preciso considerar que, nesse caso, a projeção do Mapa e do Embrapa considera apenas a área colhida e não a totalidade dos canaviais.

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A expansão de área de soja e cana-de-açúcar deverá ocorrer pela incorporação de áreas novas, áreas de pastagens naturais e também pela substituição de outras lavouras que deverão ceder área.

O estudo completo realizado pelo Mapa está disponível aqui.

Renata Bossle – novaCana.com