Valores cobrados pelas usinas, impostos, custo de frete, relação com o preço da gasolina e até aspectos mais sutis – tudo tem sua parcela de influência no consumo do estado, no volume de importação de outros estados e qual lugar terá a preferência para receber ou enviar etanol
Ao longo de 2015, mais de 12,5 bilhões de litros de etanol foram movimentados entre os estados brasileiros, contra 28,8 bilhões de litros consumidos no mesmo período. Há um comportamento diverso de quanto é consumido em cada estado e, também, em relação ao montante que cada unidade da federação termina exportando para além de suas fronteiras.
Essas relações de compra e venda são definidas por uma intricada série de fatores, tornando complexa a clássica relação oferta-demanda. Valores cobrados pelas usinas, impostos, custo de frete, relação com o preço da gasolina e até aspectos mais sutis, como impactos econômicos e sazonais que afetam os consumidores de cada local – tudo tem sua parcela de influência no consumo do estado, no volume de importação de outros estados e qual lugar terá a preferência para receber ou enviar etanol.
Numa compilação inédita, o NovaCana apresenta como se comportou a movimentação de etanol em 2015. Os números finais indicam mercados em potencial e evidenciam algumas estratégias comuns a players de cada estado na decisão de exportar ou de vender localmente.
As dezenas de gráficos e tabelas interativas apresentadas a seguir revelam detalhes como as particularidade envolvendo as usinas de São Paulo, que apesar de ser o maior produtor, o estado também é o que mais importa combustível de outros lugares, dando preferência para alguns estados.
Os detalhes da movimentação no estado e no resto do Brasil está detalhado a seguir, com diferenciação entre anidro e hidratado e o perfil logístico de cada unidade da federação.
Ao longo de 2015, mais de 12,5 bilhões de litros de etanol foram movimentados entre os estados brasileiros, contra 28,8 bilhões de litros consumidos no mesmo período. Há um comportamento diverso de quanto é consumido em cada estado e, também, em relação ao montante que cada unidade da federação termina exportando para além de suas fronteiras.
Essas relações de compra e venda são definidas por uma intricada série de fatores, tornando complexa a clássica relação oferta-demanda. Valores cobrados pelas usinas, impostos, custo de frete, relação com o preço da gasolina e até aspectos mais sutis, como impactos econômicos e sazonais que afetam os consumidores de cada local – tudo pode ter sua parcela de influência no no consumo de cada estado, no volume de importação de outros estados e qual lugar terá a preferência para receber ou enviar etanol.
Apesar dessas nuances, perceber a movimentação dos combustíveis pelo país pode apontar potenciais mercados, além de evidenciar algumas estratégias comuns a players de cada estado na decisão de exportar ou de vender localmente.
Exemplo disso é a movimentação no estado de São Paulo durante 2015. Maior consumidor nacional de etanol, o estado também é o campeão tanto nas exportações quanto nas importações. Isso deriva de uma possível estratégia das usinas e distribuidoras, que optam pela produção de etanol anidro – um produto mais valorizado e de venda garantida – para Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, entre outros, e deixam aberta uma parcela considerável do mercado de hidratado para o biocombustível vindo de Mato Grosso do Sul, Goiás e Minas Gerais.
A partir de dados consolidados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o NovaCana calculou quais são os estados brasileiros que mais compraram e quais são os que mais venderam etanol ao longo de 2015.
Os dados completos com tabelas e gráficos interativos podem ser acessados aqui.
Os 10 estados que mais exportaram etanol em 2015
Os dados de exportação coletados mostram o volume de etanol que cada estado brasileiro enviou para outras unidades da federação durante o ano. Além disso, no gráfico abaixo, está apresentado o total que o estado produziu e consumiu internamente.
Como maior produtor do país, São Paulo obviamente se destaca. Ainda assim, vale observar que as exportações de etanol anidro são muito superiores a de hidratado, 2,68 bilhões e 1,03 bilhão, respectivamente.
Com relação aos demais estados do Centro-Sul que figuram na lista, Goiás e Mato Grosso do Sul são os únicos que exportaram a maior parte do etanol que fabricaram. De tudo o que foi movimentado em 2015, 60% e 85%, respectivamente, seguiu para outros estados.
Em ambos os casos, São Paulo domina as compras de hidratado, com mais de 1,1 bilhão de litros vindo de Goiás e 1,27 bilhão do Mato Grosso do Sul. Além disso, ao lado de Minas Gerais (que também vende a maior parte de sua produção para São Paulo), estes são os únicos estados que exportam mais hidratado que anidro.
Embora as seis primeiras posições sejam dominadas por estados do Centro Sul, os estados produtores do Norte-Nordeste não podem ser ignorados quando se trata de exportação de etanol. Alagoas, Maranhão, Paraíba e Pernambuco completam a lista – e todos priorizam a venda de etanol anidro.

Os 10 estados que mais importaram etanol em 2015
Entre os estados que mais compraram etanol São Paulo é, novamente, o grande destaque. O estado é um dos poucos que consegue manter a relação de preços abaixo de 70% durante a maior parte do ano e, consequentemente, é o campeão nacional no consumo de etanol hidratado.
Por mais que as usinas tenham movimentado mais de 6,2 bilhões de litros para consumo dentro do próprio estado, a demanda paulista é tão grande que foi necessário importar adicionais 3,2 bilhões. No mesmo período, as particularidades logísticas fizeram o estado enviar mais de 1 bilhão de litros para fora.
Outros estados a figurarem nas duas relações são Paraná, Minas Gerais e Pernambuco. Minas Gerais vive uma situação similar à de São Paulo – ainda que em menor escala. Enquanto suas usinas exportam 2,27 bilhões de litros (400,47 milhões só de hidratado), o estado precisa comprar 454,15 milhões de hidratado de fora.
Já no caso do estado Paraná, fica claro que sua demanda ainda é superior à produção. Mesmo sendo um dos maiores produtores do país, o estado importa mais etanol do que exporta.
Pernambuco se destaca pela grande importação de etanol anidro. O estado não costuma segurar os preços dentro da barreira estabelecida pela paridade convencional de 70%, de modo que precisa comprar quase 330 milhões litros de anidro.
A lista se completa com algumas das maiores economias do país, mas que não se beneficiam com uma grande produção de etanol, como Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Ceará e Santa Catarina. Em todos esses casos, o volume de etanol anidro comprado é superior ao hidratado.

Renata Bossle e Marina Gallucci – NovaCana