Levantamento apresenta os projetos de construção ou ampliação da capacidade de geração de energia elétrica com biomassa
A utilização do bagaço da cana-de-açúcar para a geração de energia tem atraído investimentos das usinas, especialmente pela abundância de matéria-prima e pela possibilidade de incrementação da receita com a venda de eletricidade. No entanto, essa perspectiva é balanceada pelas flutuações nos preços da energia e pelo fato do setor ainda viver um momento de recuperação financeira.
Para acompanhar esse cenário, o NovaCana faz um mapeamento exclusivo dos projetos de novas usinas termelétricas no país, oferecendo informações sobre o andamento de cada um deles e a expectativa do aumento de potência a nível nacional.
O mais recente levantamento foi feito com informações atualizadas em abril de 2018. Nele consta que, dentre todos os projetos de instalação ou ampliação da capacidade de termelétricas movidas a biomassa que devem estar operando até 2023 – o equivalente a 31 unidades –, 18 envolvem Usinas Termelétricas (UTEs) movidas a bagaço de cana.
O NovaCana apresenta a seguir o mapeamento dos projetos futuros de cogeração das usinas sucroenergéticas:
- Usinas/grupos envolvidos- Potência nova de cada unidade e evolução ao longo dos anos
- Mapa com a localização de todos os projetos
- Evolução da potência instalada ao longo dos anos
A utilização do bagaço da cana-de-açúcar para a geração de energia tem atraído investimentos das usinas, especialmente pela abundância de matéria-prima e pela possibilidade de incrementação da receita com a venda de eletricidade. No entanto, essa perspectiva é balanceada pelas flutuações nos preços da energia e pelo fato do setor ainda viver um momento de recuperação financeira.
Para acompanhar esse cenário, o NovaCana faz um mapeamento exclusivo dos projetos de novas usinas termelétricas no país, oferecendo informações sobre o andamento de cada um deles e a expectativa do aumento de potência a nível nacional.
O mais recente levantamento foi feito com informações fornecidas em abril de 2018 pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Nele consta que, dentre todos os projetos de instalação ou ampliação da capacidade de termelétricas movidas a biomassa que devem estar operando até 2023 – o equivalente a 31 unidades –, 18 envolvem Usinas Termelétricas (UTEs) movidas a bagaço de cana.
No total, em relação à implementação das 31 usinas previstas, 21 têm maior probabilidade de sair do papel, acrescentando 647,05 MW à capacidade nacional, sendo que 14 têm como matéria-prima a cana-de-açúcar. Dentre elas, duas já estão sendo construídas e outras seis começaram o processo de ampliação de capacidade ou devem iniciá-lo ainda em 2018.

Se as UTEs movidas à biomassa de cana-de-açúcar previstas pela Aneel se concretizarem, elas devem adicionar 457,46 MW à capacidade de geração de energia nacional até 2023, aumentando sua participação na matriz energética. Em 2017, a previsão era de que seriam adicionados 497 MW e, em 2016, 661 MW.
Já em relação ao número de UTEs a partir de outras biomassas, há, atualmente, oito empreendimentos em andamento, que somam uma capacidade de geração de 189,59 MW.
Previsão de funcionamento
A Aneel determina a viabilidade de um projeto de construção ou ampliação de usina termelétrica de acordo de acordo com três critérios de classificação:
- Alta: as unidades possuem licença ambiental de instalação vigente e obras em andamento, sem impedimento para implantação
- Média: Usinas com obras não iniciadas ou com o licenciamento ambiental não finalizado, podendo ocorrer impedimentos para a implantação
- Baixa: Plantas com suspensão do processo de licenciamento ambiental, com um processo de revogação em análise, com demandas judiciais graves ou quaisquer problemas que impeçam sua implantação
As 21 usinas que apareceram no infográfico acima são classificadas como de média e alta viabilidade. Então, a expectativa é que entrem em operação até 2023. Além delas, há outras dez usinas movidas a biomassa que, na análise da Aneel, podem ter seus projetos de operação não concretizados. Muitas não deram início às obras, a maioria não possui uma previsão de funcionamento e alguns projetos até já entraram em processo de revogação por parte da Aneel.

Dessas dez UTEs com baixa viabilidade, quatro são do setor sucroenergético e, se eventualmente passarem a integrar os números nacionais de cogeração, acrescentarão 210,97 MW à capacidade nacional.
Junto a todas as outras propostas de ampliação ou construção que possuem essa classificação, o acréscimo seria de 578,37 MW. Algumas já estão com o processo de revogação em andamento, enquanto outras tiveram suas obras paralisadas ou sequer foram iniciadas, sem novas previsões.

Acompanhamento das obras
O acompanhamento anterior do NovaCana em relação às usinas que aumentariam a capacidade de produção energética foi feito em maio do ano passado. De lá para cá, aconteceram algumas mudanças na lista das UTEs monitoradas pela Aneel.
Cruzando os dados, é possível constatar que a maior parte das usinas que saíram da lista conseguiu cumprir o cronograma e finalizou as obras, seja de ampliação ou de construção.
Contudo, três projetos acabaram não se concretizando no último ano. Duas UTEs que pretendiam ampliar sua capacidade de produção energética com biomassa – uma com o bagaço da cana-de-açúcar e outra com resíduos florestais – tiveram suas autorizações da Aneel canceladas e continuam operando com a potência antiga. Já um outro projeto de construção teve suas obras adiadas indefinidamente devido ao vencimento da licença ambiental.

Leilão de descontratação
O menor aumento da capacidade de geração observado nos últimos anos vai ao encontro da situação geral dos produtores de energia. Em 2017, a Aneel aprovou um edital de descontratação de energia de reserva, que aceitou propostas para energia eólica, solar e hidrelétrica.
O leilão inédito foi uma oportunidade para as empresas desfazerem o contrato de empreendimentos que tiveram problemas de implantação ou sequer saíram do papel, consequência do fraco consumo de energia em meio à crise econômica brasileira.
Para cancelar os projetos, as companhias tiveram que pagar um prêmio, que foi direcionado para reduzir os custos dos consumidores de energia. Mesmo tendo que pagar para efetivar a descontratação, o valor efetivamente foi um desconto em relação às multas que os investidores deveriam pagar pela não conclusão dos empreendimentos.
Rafaella Coury – NovaCana