Açúcar: Mercado

Açúcar: Mercado

Mais cana e etanol de milho devem gerar excedente de açúcar para exportação em 2026

De acordo com a StoneX, em 2025, mercado global de açúcar viveu queda de preços, desafios climáticos e volatilidade; agora, estoques globais elevados seguem pressionando os preços internacionais


StoneX - Publicado: 14 Jan 2026 - 09:41

O ano de 2025 foi marcado por uma conjuntura desafiadora para o mercado global do açúcar, influenciado por fatores econômicos, geopolíticos e climáticos que impactaram o desempenho da commodity ao redor do mundo. Por isso, a equipe de inteligência de mercado da StoneX realizou um balanço dos principais acontecimentos do ano e do que se espera para o setor em 2026.

Segundo os analistas, o panorama de 2025 evidencia uma conjuntura de oferta robusta, demanda retraída e um ambiente global instável, consolidando a tendência de queda dos preços do açúcar. Assim, eles acreditam que os desafios climáticos, as mudanças estruturais no consumo e os desdobramentos geopolíticos permanecerão como pontos de atenção para o setor em 2026, exigindo acompanhamento atento e estratégias adaptativas dos principais agentes do mercado.

No que diz respeito aos preços, o açúcar bruto negociado em Nova York encerrou o ano de 2025 em forte baixa pelo segundo ano consecutivo, com o contrato para março de 2026 cotado a 15,01 centavos de dólar por libra-peso em 31 de dezembro, o que representa uma queda anual de 22,1%, a maior registrada desde 2017.

Para a consultoria, esse movimento foi resultado de um mercado sobreofertado, mesmo diante do déficit global no ciclo 2024/25, impulsionado pela robustez dos estoques asiáticos e africanos, além do recorde brasileiro de exportações no ano anterior. “Importadores reduziram compras e o consumo em mercados-chave, como Índia e China, ficou aquém do esperado, levando à necessidade de revisões nas projeções globais e consolidando o viés baixista do mercado”, afirmam os analistas.

A equipe da StoneX afirma que o início de 2025 chegou a ensaiar uma recuperação, mas o volume recorde de entregas nos contratos de março e maio em Nova York evidenciou a fraqueza da demanda física. Em março, as entregas ultrapassaram 34 mil lotes (1,75 milhão de toneladas), reforçando o sentimento negativo que se intensificou ao longo do ano, com novo volume expressivo registrado em outubro e o contrato atingindo o piso de 14 centavos de dólar por libra-peso em novembro.

Em relação à Ásia, os analistas observam que a preocupação inicial com a produção foi gradualmente substituída por otimismo, especialmente devido às chuvas abundantes registradas na Índia e no Sudeste Asiático, que favoreceram a safra 2025/26.

A Índia, após perdas expressivas no ciclo anterior, projetou uma recuperação com estimativas acima de 30 milhões de toneladas e anunciou uma nova cota de exportação de 1,5 milhão de toneladas para a temporada. Por outro lado, a China ampliou suas importações para até 4,8 milhões de toneladas, mas, mesmo assim, não conseguiu sustentar os preços globais diante da oferta abundante, resultado do crescimento da produção regional e do contexto internacional favorável ao aumento dos estoques.

Já no Centro-Sul do Brasil, apesar de um ano marcado por instabilidade climática, a região deve manter sua moagem acima de 600 milhões de toneladas em 2025/26, projeta a StoneX. Segundo a consultoria, as limitações de produtividade causadas pelo clima foram compensadas pela maximização do mix açucareiro, com expectativa de encerrar o ciclo próximo a 40,2 milhões de toneladas de açúcar.

“A estratégia adotada pelas usinas e a maturidade dos investimentos do setor garantiram a oferta, mantendo o Brasil como principal pilar exportador e contribuindo para a pressão baixista sobre os preços internacionais”, complementam os analistas.

Olhar sobre o ambiente global

Para a consultoria, o ambiente de oferta robusta foi reforçado pela expectativa de superávit global de 3,7 milhões de toneladas em 2025/26 e pelas revisões para baixo no consumo, especialmente devido à retração da demanda nos Estados Unidos e à estagnação na China.

“Esse cenário pressionou ainda mais as cotações, atraindo os fundos especulativos, que ampliaram posições vendidas, aproveitando fundamentos pessimistas e um ambiente macroeconômico global de maior aversão ao risco”, afirma e completa: “Assim, o fluxo financeiro direcionado ao mercado de açúcar foi reduzido, intensificando a volatilidade e fortalecendo o viés baixista já predominante”.

Além disso, a StoneX aponta que a volatilidade dos mercados em 2025 foi acentuada por instabilidades geopolíticas e macroeconômicas. Dois conflitos regionais relevantes na Ásia, a escalada de tensões na Caxemira e os confrontos entre Tailândia e Camboja, trouxeram preocupações pontuais sobre a oferta, colocando em risco áreas produtoras estratégicas e ampliando a percepção de risco no setor.

“Esses episódios, aliados ao uso crescente de instrumentos protecionistas e à fragmentação das relações comerciais globais, reforçaram o ambiente de cautela entre investidores e agentes do mercado”, conclui.

Expectativas para 2026

Em 2026, o mercado brasileiro de açúcar deve ser influenciado pela competição entre açúcar e etanol, aposta a StoneX. Conforme os analistas, no início do ciclo 2026/27, é esperado que as usinas priorizem o etanol devido aos melhores preços, mas o aumento da moagem de cana (para 620 milhões de toneladas) e da produção de etanol de milho limita o potencial de alta do etanol.

Mesmo com possível redução do mix açucareiro, os analistas calculam que o maior volume de cana e de açúcar total recuperável (ATR) deve garantir um excedente de açúcar para exportação acima de 35 milhões de toneladas.

No mercado internacional, o alto volume exportado pelo Brasil em 2025 recompôs estoques e reduziu a demanda global no primeiro semestre de 2026, aponta a consultoria. “Apesar de leve recuperação nas importações no segundo semestre, a oferta seguirá acima das compras, mantendo a pressão baixista. O ritmo de exportações brasileiras será decisivo e, caso haja expectativa de déficit global para 2026/27, as importações podem subir e aumentar a volatilidade no setor”, observa.