Enquanto as usinas do Centro Sul estão se preparando para uma safra 2016/17 com um perfil mais açucareiro que a anterior, motivado pelos melhores preços internacionais, no Norte-Nordeste apenas cresce a participação do etanol – especialmente do hidratado
Enquanto as usinas do Centro Sul estão se preparando para uma safra 2016/17 com um perfil mais açucareiro que a anterior, motivado pelos melhores preços internacionais, no Norte-Nordeste apenas cresce a participação do etanol – especialmente do hidratado. Com um perfil exportador menos acentuado, as usinas desses estados estão aproveitando os altos preços da gasolina para vender mais biocombustível.
Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a safra na região tem inícios diferentes de acordo com o estado. Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Tocantins e algumas regiões da Bahia iniciam a moagem em maio. Já Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e o restante da Bahia priorizam o período de setembro a agosto.
Veja no texto abaixo mais detalhes sobre os números e a expectativa para as próximas quinzenas da safra 2015/16 do Norte/Nordeste.







Enquanto as usinas do Centro Sul estão se preparando para uma safra 2016/17 com um perfil mais açucareiro que a anterior, motivado pelos melhores preços internacionais, no Norte-Nordeste apenas cresce a participação do etanol – especialmente do hidratado. Com um perfil exportador menos acentuado, as usinas desses estados estão aproveitando os altos preços da gasolina para vender mais biocombustível.
Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), a safra na região tem inícios diferentes de acordo com o estado. Amazonas, Ceará, Maranhão, Pará, Piauí, Tocantins e algumas regiões da Bahia iniciam a moagem em maio. Já Alagoas, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Sergipe e o restante da Bahia priorizam o período de setembro a agosto.
Assim, considerando os resultados a partir da primeira divulgação quinzenal da safra 2015/16, a região Norte-Nordeste já moeu mais de 37 milhões de toneladas de cana-de-açúcar – um valor 1,1% inferior ao registrado no mesmo período do ano passado.

Segundo a Platts Kingsman, a queda foi motivada pelo El Niño, que provocou um número maior de chuvas em junho, julho e dezembro. Ainda de acordo com a consultoria, muitas usinas na região norte de Pernambuco já teriam encerrado a moagem por falta de cana-de-açúcar.
“Acredito que a moagem não ultrapassará 54 milhões de toneladas”, disse uma fonte ouvida pela Platts. Ele continuou: “Não há matéria-prima disponível e devemos ver uma diminuição da moagem em breve. Algumas estimativas dizem que teremos apenas 49 milhões de toneladas nesta safra”. A expectativa geral é que a safra chegue ao fim com uma moagem pelo menos 10% menor que a anterior.
Etanol hidratado ganha espaço
Mesmo com a produção em baixa, as usinas alteraram o mix de produção para beneficiar o etanol, direcionando 58,3% da cana moída para o biocombustível. O etanol tem recebido a preferência das usinas desde 2013/14, quando passou a utilizar 53,9% do mix de produção (considerando-se o mesmo período de análise, de abril a dezembro).


Assim, a produção de etanol cresceu 11% na atual safra, chegando a 1,6 bilhão de litros. Desse total, a maior parte ainda é de álcool anidro, com 832,3 milhões de litros. No entanto, essa produção representa uma queda de 12,1% na comparação com a temporada passada.
Ou seja, a produção de etanol hidratado cresceu mais e chegou a 809,1 milhões de litros – um aumento de 52,5%. No mesmo período de 2014/15, esse montante era de apenas 530,5 milhões de litros.



Produção de açúcar se mantém estável
Até o momento, pouco mudou na quantidade de açúcar produzida pelas usinas do Norte-Nordeste. Mesmo com a menor participação no mix, o aumento na moagem e o maior ATR possibilitaram que a queda na produção fosse pequena. No total, a produção chegou a 1,92 bilhão de toneladas, um número 0,9% menor que o registrado no mesmo período em 2014/15.

Segundo o Mapa, a quantidade de ATR por tonelada de cana de açúcar chegou a 130,27 kg/ton, um valor 8,07 kg/ton maior que o registrado no mesmo período do ano passado. De acordo com a Platts Kingsman, ainda que a seca tenha impactado os canaviais ao reduzir a disponibilidade de cana-de-açúcar, ela auxiliou a aumentar o ATR.

Renata Bossle – NovaCana