2010

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Cepea/Esalq - Maio 2010 - Agromensal


Águida - Publicado: 09 Mai 2010 - 11:20 | Atualizado: 10 Jun 2011 - 09:35

I - Análise Conjuntural

AÇÚCAR

ANÁLISE CEPEA – Em maio, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar cristal acumulou baixa de 21,3%, fechando a R$ 41,25/saca de 50 kg no final do mês. A média mensal do Indicador foi de R$ 43,76/sc, com redução nominal de 31,26% em relação à de abril. Comparando-se a média de maio de 2010 com a do mesmo período referente ao ano anterior (R$44,57), observou-se desvalorização nominal de aproximadamente 7,44%.

Conforme pesquisas do Cepea, a forte queda nos preços do cristal em maio esteve atrelada à maior oferta do produto, devido à intensificação da moagem e à necessidade de fazer caixa por parte de algumas usinas. Diante das baixas, compradores se retraíram do mercado, à espera de novos recuos. Além disso, os preços externos do açúcar também caíram na maior parte de maio.

Quanto à remuneração proporcionada pelo etanol, cálculos do Cepea mostram que açúcar cristal remunerou 60% a mais que o etanol anidro em maio, considerando-se preços médios no estado de SP. Já comparando o açúcar ao hidratado, o primeiro remunerou 76% a mais, em média, em maio, no estado de São Paulo.

No Nordeste, os preços do açúcar cristal tanto em Alagoas como em Pernambuco mostraram-se em queda ainda devido ao acompanhamento dos preços do mercado paulista. Assim, o Indicador Mensal de maio de Açúcar Cristal CEPEA/ESALQ do estado de Alagoas foi de R$ 65,62/saca de 50 kg, queda de 3,17% sobre o de abril/10. Em Pernambuco, o Indicador Mensal foi de R$ 61,15/sc, queda de 7,47%.

No mercado internacional, os preços do açúcar até chegaram a subir em meados de maio, mas esse movimento não evitou as fortes quedas no mercado paulista. De acordo com pesquisadores do Cepea, no acumulado do mês, as cotações externas foram pressionadas pela valorização do dólar, pela crise financeira na Grécia, pelas especulações a respeito da desaceleração do crescimento da China e pela possibilidade de implementação de um imposto de importação de açúcar pela Índia, tendo em vista que a produção naquele país poderia crescer acima do esperado.

No final de maio, a exportação de açúcar passou a remunerar mais que a venda do produto no mercado doméstico, conforme dados do Cepea. A recuperação da vantagem da exportação influenciou para relativa estabilização e até pequeno reajuste dos preços em São Paulo nos últimos dias do mês.

Em maio, conforme cálculos do Cepea, a comercialização do açúcar no mercado interno continuou remunerando mais que a venda externa, com vantagem de 9%. Para esse cálculo, foram considerados o valor médio do Indicador CEPEA/ESALQ, o vencimento Agosto/10 na Bolsa de Londres, Liffe, um desconto de qualidade, estimado em US$ 21,50/tonelada, e custos com elevação e frete, de US$ 80,00/t.

De acordo com a Associação das Usinas de Açúcar da Índia, em 2010/11 (safra que inicia em outubro/10), a produção daquele país deve chegar a 23 milhões de toneladas, o que atenderia à demanda indiana. Visando, portanto, conter as importações e não prejudicar o mercado interno, o governo indiano estuda a possibilidade de impor nova tarifa sobre as importações de açúcar, para que os preços locais parem de recuar. Já a expectativa de que o imposto de importação na Rússia irá ser reduzido para US$ 50,00/tonelada pode provocar uma reversão de tendência dos preços internacionais, que já se aproximam dos custos de produção internos, conforme informações de agentes colaboradores do Cepea.

Quanto às exportações brasileiras de açúcar (bruto), em maio, o Brasil embarcou 1,7 milhão de toneladas, volume 68% superior ao de abril e 8,7% maior que o de maio/10 – dados da Secex.

Segundo dados da Unica, até 16 de maio, foram moídas 93,86 milhões de toneladas de cana na região Centro-Sul, volume 27,09% superior ao do mesmo período da safra 2009/10 (73,85 milhões). O mix de produção apontou 58,09% da cana destinada à produção do etanol, contra 41,91% à do açúcar. O Açúcar Total Recuperável (ATR) foi de 118,30 kg/t, 0,83% acima do obtido até 16 de maio do ano passado (117,32 kg/t).

A produção de açúcar totalizou 4,43 milhões de toneladas no acumulado da safra até 16 de maio, volume 38,66% superior ao do mesmo período no ano passado, quando haviam sido produzidas 3,2 milhões de toneladas, também segundo dados da Unica.

ETANOL

ANÁLISE CEPEA – Os Indicadores mensais de hidratado e anidro fecharam em queda em maio. Para o anidro, o recuo foi 7,62% frente ao de abril, fechando a R$ 0,8392/litro (sem impostos) em maio. O Indicador CEPEA/ESALQ do hidratado teve forte queda de 9,43% sobre abril, a R$ 0,7243/litro (sem impostos) em maio.

Segundo pesquisadores do Cepea, o avanço da moagem de cana-de-açúcar e o menor interesse de algumas distribuidoras continuaram pressionando as cotações do etanol no mercado paulista. Do lado das usinas, algumas ofertaram maiores volumes, no intuito de fazer caixa para quitar dívidas de início de mês e de safra, como contratação de pessoal e custos relacionados à manutenção da indústria. Distribuidoras, por sua vez, parcelaram suas compras, que foram realizadas em pequenos volumes; muitas à espera de novos recuos nos preços.

Cálculos do Cepea sobre a paridade de preços entre os produtos do setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo mostraram que, ao se comparar os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 9% a mais que o hidratado no período considerado.

Nos estados do Nordeste, os preços do etanol subiram em maio. As altas nos preços estiveram atreladas à escassez do produto, principalmente no estado de Alagoas. Nesse último, o Indicador CEPEA/ESALQ do anidro foi de R$ 1,1207/litro (com impostos) em maio, alta de 5,08% em relação ao de abril; o Indicador do hidratado fechou a R$ 0,9671/litro (com impostos, exceto ICMS) em maio, elevação de 0,9% sobre o do mês anterior. Em Pernambuco, o Indicador CEPEA/ESALQ do anidro foi de R$ 1,1358/litro (com impostos) em maio e o do hidratado, de R$ 0,9514/litro (com impostos, exceto ICMS), aumento de 3,42% e de 1,19%, respectivamente, sobre a média do mês anterior.

No acumulado desta temporada (até 16 de maio), foram moídas 93,86 milhões de toneladas de cana ante 73,85 milhões até o final da primeira quinzena de maio de 2009. De açúcar, também no acumulado da safra e conforme dados da Unica, foram produzidas 4,43 milhões de toneladas, volume 38,7% maior que o produzido no acumulado até 16 de maio do ano passado. Na mesma base comparativa, a produção de anidro está 74,6% maior, chegando a 829 milhões de litros; para o hidratado, o aumento é de 11,54%, com volume de 2,95 bilhões de litros.

Quanto ao mix de produção, a atual safra se mantém alcooleira, mas com aumento do percentual destinado ao açúcar. Dados da Unica mostram que 41,91% da cana moída até 16 de maio foi alocada para a produção de açúcar e 58,09% para a do combustível. Quanto ao ATR (Açúcar Total Recuperável) por tonelada de cana, houve uma melhora de apenas 0,83%, com a média de 118,30 quilos de ATR por tonelada de cana.

Em relação à paridade de preços entre os produtos do setor sucroalcooleiro no estado de São Paulo, cálculos do Cepea mostram que o açúcar cristal remunerou 54% a mais que o etanol anidro e 69% a mais que o hidratado na última semana. Comparando-se os dois tipos de etanol, o anidro remunerou 9% a mais que o hidratado.

Quanto às exportações, em maio, o Brasil embarcou 93,5 milhões de litros, volume 170% superior ao de abril passado, segundo dados da Secex. Apesar dessa expressiva alta nas vendas externas, a quantidade embarcada em maio deste ano ainda foi 70% inferior ao do mesmo período de 2009.

No último dia 1º de maio, a mistura de etanol anidro na gasolina A voltou a ser de 25%, após a redução para 20% no início de fevereiro. A expectativa do governo é de manutenção da mistura ao longo da safra 2010/11.

Cepea/Esalq - Pesquisadoras responsáveis: Heloisa Lee Burnquist, Mirian Rumenos Piedade Bacchi, Lilian Maluf de Lima, Ivelise Rasera Bragato, Mariana Pessini e Andressa Cristina Galdi.
cepea@esalq.usp.br

II - Séries Estatísticas Cepea
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III – Gráficos

CEPEA – AÇÚCAR
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CEPEA - ÁLCOOIS ANIDRO E HIDRATADO
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