Política

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Sem Lula, Brasil é representado pelo agronegócio na China


Isto É Dinheiro - Publicado: 28 Mar 2023 - 08:19

Uma broncopneumonia atrapalhou os planos do aguardado encontro entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Xi Jinping, presidente da China. Enquanto o presidente brasileiro se recupera da doença em casa, a comitiva paralela de empresários escalados para ir a Pequim já se encontra no país asiático, com nomes como Joesley e Wesley Batista, donos da JBS. Outros atores do agronegócio se somam aos irmãos.

Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderado pelo ministro Carlos Fávaro, que representa o alto escalão do governo na viagem, a pasta mantém as reuniões e visitas técnicas previstas para o setor até quarta-feira, 29.

“Nós antecipamos a vinda do Mapa porque tínhamos as questões técnicas do agronegócio, principalmente acerca da liberação das exportações da carne bovina, o que já conseguimos responder e os demais acordos importantes serão assinados quando for remarcada a agenda presidencial”, comentou o ministro.

Fávaro disse que o cancelamento da visita adiou a assinatura de acordos de cooperação entre os países. O Itamaraty havia informado a expectativa de ao menos 20 acordos serem firmados, em setores distintos da economia.

O governo da China informou que mantém contato com o governo brasileiro para o reagendamento da visita de Lula. A segunda quinzena de maio é uma das datas estudadas para a nova viagem. “Nós compreendemos e respeitamos essa decisão”, disse um porta-voz da chancelaria chinesa.

“Enviamos nossos calorosos pensamentos ao presidente Lula da Silva e desejamos-lhe uma rápida recuperação”, afirmou a diplomacia da China.

Agenda

Nesta segunda-feira, 27, a equipe técnica do Mapa participou do evento China-Brazil Momentum e do Fórum China – Brasil de Desenvolvimento Sustentável; na terça-feira, 28, estão programadas visitas técnicas para reforçar as parcerias e cooperações técnico-científicas voltadas para o desenvolvimento sustentável do agronegócio brasileiro; na sequência, ocorre o Seminário Brasil-China e encontros setoriais.

Uma das ações de Fávaro já ocorreu na última semana, com a decisão do governo chinês de levantar o embargo à carne bovina brasileira. As importações do Brasil estavam suspensas desde fevereiro após a confirmação de um caso isolado e atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (doença da “vaca louca”).

“Tenho certeza de que isso é um passo para que o Brasil avance cada vez mais com o credenciamento de plantas e oportunidades para a pecuária brasileira”, disse Fávaro, ao final da reunião com o ministro da Administração Geral da Aduana Chinesa (GACC), Yu Jianhua, na última quinta-feira, 23.

Outro foco do ministro desde que desembarcou em Pequim foi a principal empresa chinesa de investimentos no agronegócio brasileiro, a Cofco – maior compradora de soja, milho, cana-de-açúcar e o maior trader (comerciante) do agronegócio chinês que opera no Brasil.

“Fomos levar a eles nossas mensagens de reciprocidade, de intensificar nossos negócios em agricultura com sustentabilidade, falamos de infraestrutura logística – e eles já estão investindo no Porto de Santos para ajudar nossa infraestrutura ficar mais competitiva para ganharmos mais espaço no mercado chinês”, disse Fávaro.

Na comitiva empresarial, seguem 102 nomes representando nove setores do agronegócio: carne bovina, carne suína e de aves, algodão, celulose, arroz, insumos, óleos vegetais, reciclagem e multissetoriais. A relação inclui o presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), André Nassar.

Quem não foi

Rodrigo Pacheco, presidente do Senado, cancelou a ida à China como parte da missão brasileira. Além de Pacheco, a delegação do Senado contava com os senadores Renan Calheiros, Randolfe Rodrigues, Jaques Wagner, Eliziane Gama e Jussara Lima.

Além do presidente do Congresso, os ministros que seguiriam com Lula permanecerão no país, como Fernando Haddad (Fazenda), Marina Silva (Meio Ambiente), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Juscelino Filho (Comunicações).

Já a ex-presidente Dilma Rousseff, então escolhida para assumir o Novo Banco de Desenvolvimento do Brics, formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, manteve a ida. Inicialmente, sua posse teria uma cerimônia, adiada por Dilma, que se mudará para Xangai.