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Lucro da Zilor cai pela metade na safra 2022/23, para R$ 350,82 milhões

Resultado bruto também registrou queda de 20,1%, enquanto moagem cresceu 7% no período

NovaCana 7 min de leitura

Depois de uma temporada com lucro recorde, o resultado líquido da Zilor caiu pela metade em 2022/23. No período, foram contabilizados R$ 350,82 milhões, uma retração de 50,7% em relação aos R$ 711,41 milhões da safra anterior, maior montante visto na série histórica, iniciada em 2015.

Os dados divulgados pela própria companhia abrangem suas três usinas – Barra Grande, Quatá e São José, todas localizadas em São Paulo – e a empresa de biotecnologia do grupo, a Biorigin.

Por outro lado, a companhia conseguiu aumentar em 7% o volume de cana moída entre as duas temporadas, saindo de uma moagem de 9,86 milhões de toneladas para 10,55 milhões de toneladas.

Ainda de acordo com o relatório de resultados, houve uma expressiva alta de produtividade na região de Quatá (SP). Segundo a empresa, isso ocorreu por conta de investimentos e mudanças em processos que foram implantadas nos últimos anos.

A Zilor também aproveitou o bom momento do mercado de açúcar, tendo voltado o seu mix para a produção do adoçante, que representou 35% do seu faturamento no período, alta de 5 pontos percentuais ante a safra anterior. O etanol, por outro lado, sofreu uma retração de 5 pontos na fatia, para 40%.

No texto completo, exclusivo para assinantes NovaCana, você confere gráficos e análises completas com:

- Resultado líquido da Zilor
- Composição da receita do grupo
- Relação entre receitas e custos
- Lucro bruto dos últimos anos
- Resultado financeiro
- Posição das dívidas

Depois de uma temporada com lucro recorde, o resultado líquido da Zilor caiu pela metade em 2022/23. No período, foram contabilizados R$ 350,82 milhões, uma retração de 50,7% em relação aos R$ 711,41 milhões da safra anterior, maior montante visto na série histórica, iniciada em 2015.

O lucro mais recente também está 18,8% abaixo do resultado visto em 2020/21, de R$ 431,9 milhões.

Os dados divulgados pela própria companhia abrangem suas três usinas – Barra Grande, Quatá e São José, todas localizadas em São Paulo – e a empresa de biotecnologia do grupo, a Biorigin.

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Por outro lado, a companhia conseguiu aumentar em 7% o volume de cana moída entre as duas temporadas, saindo de uma moagem de 9,86 milhões de toneladas para 10,55 milhões de toneladas.

Do total processado, 31,9% vieram de cana própria, de acordo com o relatório de resultados da Zilor. A região de Lençóis Paulista (SP) foi responsável por 7,48 milhões de toneladas (+3,3%), enquanto a de Quatá (SP) gerou 3,07 milhões de toneladas (+17,2%).

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Ainda segundo o documento, a alta de produtividade registrada em Quatá se deu por investimentos e mudanças em processos que a administração implantou nos últimos anos.

Receita do grupo

A Zilor, em seu relatório de resultados, explicou que sua produção de açúcar teve um acréscimo anual de 5,2%, com o mix voltado para o adoçante devido à boa rentabilidade da commodity. Desta forma, o volume total fabricado nesta safra chegou a 586,2 milhões de toneladas – acréscimo anual de 5,4%.

A receita líquida obtida com as vendas do produto totalizou R$ 1,19 bilhão, um aumento de 24,3% em relação à temporada anterior.

Desta forma, a commodity representou 35% da receita total do grupo – alta de 5 pontos percentuais. A variação, segundo a empresa, foi resultado do aumento de 17,9% no preço do açúcar durante o ciclo 2022/23.

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Os ganhos com etanol, por sua vez, apresentaram uma retração de 7,2%, indo para R$ 1,35 bilhão. Desta forma o biocombustível foi responsável por 40% da receita total da Zilor, queda de 5 pontos percentuais.

Ao todo, foram fabricados 446,8 milhões de litros do biocombustível, um leve aumento de 1,7% em relação à safra anterior.

Já o faturamento com a Biorigin totalizou R$ 680,3 milhões. Com a alta anual de 0,6%, a empresa correspondeu a 21% do obtido pelo grupo. No período, a unidade teve uma queda de 10,5% em sua produção, que chegou a 34,2 milhões de toneladas.

Além disso, a comercialização de créditos de descarbonização (CBios) rendeu R$ 44,3 milhões. Os títulos foram vendidos a um preço médio unitário de R$ 96,40 e representaram 1,3% da receita da Zilor.

Os créditos compõem a categoria “outros” junto com os ganhos de R$ 26,7 milhões referentes ao recebimento de créditos de ICMS outorgado. Eles representaram 0,8% do faturamento, segundo a companhia.

Com isso, a receita líquida da Zilor atingiu um recorde histórico de R$ 3,41 bilhões, alta anual de 5,1%. Já os custos subiram 10,2%, alcançado também o maior número registrado na série histórica, com R$ 2,57 bilhões.

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Assim, a relação entre receitas e gastos da Zilor registrou o segundo acréscimo consecutivo, fechando em 75,2%. Na temporada anterior, o índice estava em 71,8%.

Por sua vez, o lucro bruto da companhia viu um decréscimo de 20,1%, para R$ 778,43 milhões. No ano anterior, a Zilor registrou o seu recorde, com R$ 974,64 milhões.

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Com esta retração em seu resultado operacional, o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) da empresa teve uma queda de 14,7%, passando de R$ 1,89 bilhão na safra anterior, para R$ 1,61 bilhão em 2022/23.

Além disso, o Ebitda ajustado ficou em R$ 961,1 milhões, queda anual de 11,9%.

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Balanço financeiro

Indo além dos resultados operacionais, as despesas financeiras do grupo chegaram a R$ 593,59 milhões, um aumento de 42% em relação à temporada anterior. Dentro deste quesito, o principal aumento veio de juros apropriados sobre empréstimos e financiamentos, que totalizou R$ 416,29 milhões – alta anual de 67,7%.

O gasto com instrumentos financeiros derivativos, por outro lado, registrou uma queda de 74,3% e somou R$ 18,64 milhões. Da mesma forma, as despesas bancárias da Zilor caíram 40,7%, saindo de R$ 15 milhões, para R$ 8,9 milhões.

Por sua vez, as receitas financeiras tiveram uma retração de 3,9%, para R$ 227,17 milhões. A maior parte foi oriunda de recebimento de juros sobre aplicações financeiras, que totalizou R$ 172,74 milhões – acréscimo de 123,5% ante a safra anterior.

Entre as receitas financeiras da companhia, o maior acréscimo veio do recebimento de juros sobre operações com a Copersucar, que somou R$ 6,83 milhões, alta de mais de 1.000% em relação aos R$ 550 mil recebidos na safra anterior.

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Para completar, a companhia ainda registrou perdas de R$ 5,38 milhões com a variação cambial. Assim, o resultado financeiro da Zilor ficou negativo em R$ 371,79 milhões, o prejuízo mais expressivo das últimas três safras.

O valor só é maior do que o visto em 2019/20, quando as perdas chegaram a R$ 390,32 milhões.

Posição das dívidas

Em seu relatório de resultados, a companhia também declarou que realizou sua terceira emissão de debêntures simples, não conversíveis em ações, em agosto do ano passado. Os papéis emitidos somaram R$ 450 milhões e terão prazo de vigência de doze anos.

Ao longo da temporada, a dívida bruta da Zilor com empréstimos, financiamentos e debêntures subiu 11,4%, totalizando R$ 3,51 bilhões.

A maior parte do total, ou R$ 2,66 bilhões, referia-se a débitos de longo prazo, alta de 7,7% em relação a março de 2022. Os R$ 856,49 milhões restantes são dívidas com vencimento no decorrer da safra, acréscimo anual de 24,5%.

“Como parte de sua estratégia, a companhia vem aumentando o perfil da dívida de longo prazo”, afirma em seu relatório de resultados. A Zilor exemplifica que, em sua última emissão de debêntures, a captação teve um prazo médio de oito anos.

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Em relação à dívida líquida do grupo, houve um aumento de 35,8%, totalizando R$ 1,86 bilhão. Desta forma a alavancagem, resultado da relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado, chegou a 1,94 vez, uma elevação em relação ao ano anterior, quando o índice estava em 1,26 vez.

A companhia explica, em seu relatório de resultados, que este aumento é atribuído ao incremento nos investimentos do grupo em cogeração de energia.

Entre os projetos da Zilor para cogeração de energia, a expansão da usina São José foi entregue em abril deste ano. Já as obras na unidade Barra Grande – que receberam isenção fiscal – têm conclusão prevista para a safra 2024/25. A unidade foi uma das vencedoras do leilão A-3, realizado em julho de 2021.

Giully Regina – NovaCana

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