A São Martinho fechou o segundo trimestre da safra 2023/24 com lucro líquido de R$ 418,1 milhões, o que representou um aumento de 96,7% em relação ao mesmo período do ciclo anterior. Segundo balanço que a companhia divulgou nesta quinta-feira, 9, contribuíram para resultado o recebimento de um precatório da Copersucar e os preços favoráveis no mercado de açúcar.
Os direitos da Copersucar, no valor líquido de impostos de R$ 502,8 milhões, contribuíram com R$ 331,6 milhões para o lucro líquido do período. “O recebimento do precatório é recorrente, mas ele foi parcelado em cinco vezes. Essa foi a penúltima parcela”, afirmou o diretor financeiro da São Martinho, Felipe Vicchiato.
O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) da companhia recuou 16,9% em comparação com o segundo trimestre da temporada anterior, para R$ 654,96 milhões. A receita líquida, por sua vez, caiu 3%, a R$ 1,53 bilhão. O etanol pressionou tanto o faturamento quanto o Ebitda, enquanto o açúcar ajudou a limitar o recuo desses indicadores.
A receita da companhia com as vendas de açúcar somou R$ 840,3 milhões no segundo trimestre de 2023/24, um montante 47,9% maior que o do mesmo intervalo da safra anterior. O volume cresceu 27,3%.

O presidente da São Martinho, Fabio Venturelli, disse que a expectativa é que os preços do açúcar continuem favoráveis no mercado internacional, já que a oferta do produto recuou em países concorrentes do Brasil. Ele vê boas perspectivas também para o biocombustível.
“O custo do etanol continua muito vantajoso para o consumidor e a recuperação da demanda deve se consolidar até o fim de novembro”, afirmou.
Essa expectativa de reação do consumo do biocombustível está em linha com a estratégia de carregamento de estoques da São Martinho. Na primeira metade da safra, a empresa vendeu somente um terço da produção de etanol. Ela deve comercializar os outros dois terços na metade final, quando, a se confirmar a projeção de crescimento da demanda, os preços podem estar melhores.
Segundo Venturelli, muitas usinas produziram bastante etanol durante o ano, mas não têm grande capacidade de estocagem. Isso fez com que essas empresas acabassem aumentando a oferta do produto em um momento em que o consumo não estava muito aquecido, o que pressionou os preços.
A receita líquida com as vendas de etanol caiu 36,3% no segundo trimestre da safra, para R$ 504,7 milhões. Em comparação com o mesmo intervalo de 2022/23, os preços recuaram 29,8% e os volumes de comercialização, 9,2%.

A companhia processou 17,5 milhões de toneladas de cana no primeiro semestre da safra, um volume 4,6% maior que o da temporada anterior. A produção de açúcar aumentou 12,3% e a fabricação de etanol, 6,7%.
O etanol de milho, que a São Martinho não produzia no ano passado, respondeu por 82,2 milhões de litros no primeiro semestre da safra atual. Já o volume de etanol de cana recuou 4,2%, para 719,1 milhões de litros.

Nayara Figueiredo