Receita líquida com a venda de energia elétrica teve alta de 142,8%
A sucroalcooleira São Martinho registrou um lucro líquido de R$ 115,2 milhões no segundo trimestre da safra 2014/15. O valor é 89,2% maior dos R$ 60,8 milhões realizados no mesmo período da safra 2013/14.
Com preços melhores para energia no mercado spot e capacidade adicional de cogeração disponível, com a consolidação total da Usina Santa Cruz, a São Martinho conseguiu um salto de 142,8% na receita líquida de energia elétrica comparado ao mesmo intervalo do ciclo anterior, alcançando R$ 61,9 milhões.
A sucroalcooleira São Martinho registrou um lucro líquido de R$ 115,2 milhões no segundo trimestre da safra 2014/15. O valor é 89,2% maior dos R$ 60,8 milhões realizados no mesmo período da safra 2013/14. Os resultados foram divulgados na noite de segunda-feira (10), após o fechamento do mercado.
Com preços melhores para energia no mercado spot e capacidade adicional de cogeração disponível, com a consolidação total da Usina Santa Cruz, a São Martinho conseguiu um salto de 142,8% na receita líquida de energia elétrica comparado ao mesmo intervalo do ciclo anterior, alcançando R$ 61,9 milhões.
Em volume, a bioeletricidade comercializada no trimestre foi 44% maior, perfazendo 233,9 mil MWh, e o preço médio 69% mais elevado, passando de R$ 156,8/MWh para R$ 264,8/MWh na comparação com igual período de 2013/14. Segregados os mercados, o preço médio da companhia no spot é de R$ 600 o MWh, enquanto no mercado regulado é de R$ 170 MWh.
Receita menor e estoques altos
A receita líquida da companhia totalizou R$ 526,2 milhões, uma redução de 14,4% em relação ao mesmo período da safra anterior. O encolhimento está relacionado com a retenção de açúcar e etanol durante a acentuada desvalorização dos produtos. A São Martinho aguarda, assim como outras companhias que adotaram a mesma estratégia no primeiro trimestre da safra, por preços melhores para só então reduzir seus estoques.
“A redução é resultado do menor volume de vendas de açúcar e etanol no período, em linha com a estratégia da empresa de carregar maiores estoques destes produtos, principalmente açúcar devido ao elevado spread entre as telas Julho/14 e Março/15”, justificou a companhia.
No trimestre a receita com açúcar recuou 15,6%, para R$ 249,8 milhões. No acumulado da safra, a receita líquida de açúcar totalizou R$ 453,6 milhões, redução de 13,6% em relação ao mesmo período do ciclo passado. Nestes seis meses o preço médio da commodity foi R$ 870,10 por tonelada (R$/ton), ante R$ 902,9/ton registrados em 2013/14.
Com o etanol hidratado a receita recuou 0,5%, a R$ 81 milhões, enquanto a obtida com anidro caiu 40,3%, para R$ 87,3 milhões. No acumulado da safra, a receita proveniente das ventas de etanol anidro diminuiu 10,1%, totalizando R$ 277,6 milhões. Segundo a são Martinho a redução foi resultado do menor volume de exportações devido às “poucas oportunidades de acessar o mercado externo, diferente da safra anterior”.
No trimestre os estoques praticamente dobraram. Para o açúcar a variação foi de R$ 82,6%, para 357,7 mil toneladas; a armazenagem de etanol hidratado cresceu 140,5%, para 165,3 milhões de litros, e de anidro aumentou 118,3%, a 155,1 milhões de litros.
Com a retenção dos principais produtos fabricados, a participação de produtos secundários ganhou maior relevância no trimestre passando de 15% no mesmo período do ano passado para 21% neste ano.
Especialmente pela alta do faturamento com a bioeletricidade, a São Martinho conseguiu um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) 7,6% maior no trimestre, em relação a igual período de 2013/14, de R$ 256,9 milhões. Esse resultado também foi positivamente impactado com venda da empresa Agropecuária Boa Vista – como parte da transação para aquisição do controle da usina Santa Cruz, que agregou uma receita não recorrente de R$ 50 milhões.
Moagem 30% maior no semestre
Apesar da estiagem que reduziu a oferta de cana da companhia, no acumulado da safra a moagem cresceu 30%, na comparação com o mesmo período da safra2013/14, totalizando 15,1 milhões de toneladas até setembro último.
O crescimento nos seis primeiros meses de safra está relacionada à aquisição da Usina Santa Cruz, do processamento integral do canavial da Usina São Carlos e também do tempo seco que acelerou o esmagamento dando mais eficiência à operação. A moagem acumulado representa 77% do guidance apara a safra 14/15.
Dívida com alta de 55,4%
No trimestre encerrado em 30 de setembro, o grupo São Martinho apresentou dívida líquida de R$ 2,4 bilhões, aumento de 55,4% em relação a dívida em 31 de março/14. No trimestre a alavancagem (indicador Dívida Líquida/EBITDA) ficou em 2,28 vezes.
As principais razões para o aumento do endividamento foram a aquisição da Santa Cruz, concluída em agosto por R$ 550 milhões, entre assunção de dívidas e pagamentos ao antigo controlador, e, o aumento no capital de giro no período em decorrência da estratégia de segurar açúcar e etanol para comercialização nos próximos trimestres.
Amanda SchArr – NovaCana


