Financeiro

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Lucro da São Martinho cai 25% no 3º trimestre da safra 2024/25, para R$ 157,92 milhões

Companhia deixou de contabilizar precatórios do IAA e já sente os impactos das maiores taxas de juros


NovaCana - Publicado: 10 Fev 2025 - 08:52

A São Martinho divulgou nesta sexta-feira, 7, um lucro líquido de R$ 157,92 milhões referente ao terceiro trimestre da safra 2024/25, recuo de 25% na comparação com o mesmo período de um ano antes. A empresa atribuiu o resultado, principalmente, ao término do recebimento das parcelas do precatório referente ao Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA), que eram repassadas pela Copersucar.

Ainda de acordo com a sucroenergética, o menor resultado também está relacionado à marcação a mercado das taxas de juro de sua dívida. Conforme apuração do Globo Rural, embora não tenha efeito no caixa, a alta das taxas futuras teve impacto contábil de R$ 200 milhões no trimestre.

“Se as curvas [de juro] tivessem se comportado de forma relativamente estável, o lucro contábil teria sido até melhor do que no ano passado, mesmo com a cana queimada [pelos incêndios] e o capex para tratar as áreas queimadas”, disse o CEO da São Martinho, Fabio Venturelli, ao Globo Rural.

Segundo a companhia, esse desempenho foi parcialmente compensado pela expansão do Ebitda ajustado (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, descontando também fatores tidos como relevantes pela empresa), que somou R$ 1,06 bilhão no trimestre, avanço anual de 50,4%.

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A receita líquida da São Martinho, por sua vez, cresceu 14,6% no trimestre, para R$ 1,85 bilhão. Dentro deste montante, a maior parte é derivada do comércio de etanol, que rendeu R$ 927,38 milhões no trimestre, alta de 49,2% na base anual. Já o açúcar correspondeu a R$ 760,02 milhões, com queda de 8,3%.

A São Martinho ainda comercializou energia elétrica (R$ 64,1 mi), farelo de milho (R$ 37,84 mi), CBios (R$ 13,48 mi) e leveduras (R$ 9,17 mi), além de outros produtos não especificados (R$ 33,01 mi).

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No acumulado dos primeiros nove meses da safra 2024/25, o lucro líquido da São Martinho totalizou R$ 451,69 milhões, 46,8% inferior ao da temporada anterior, enquanto o Ebitda ajustado foi de R$ 2,67 bilhões, crescimento de 39,5%. Já a receita alcançou R$ 5,46 bilhões, aumento de 21,4%.

Ainda conforme os números apresentados, a São Martinho contabilizava uma dívida líquida de R$ 5,13 bilhões ao final de dezembro, com aumento de 54,9% ante a posição vista no início da safra de cana, em março de 2024. Já a dívida bruta teve alta de 29,4% no mesmo comparativo, para R$ 8,46 milhões.

“O maior endividamento líquido reflete, principalmente, a maior necessidade de capital de giro, comportamento típico para este período da safra”, justifica a sucroenergética, em relatório.

Com isso, o indicador de alavancagem da companhia – medido pela relação entre a dívida líquida e o Ebitda ajustado – era de 1,34 vez ao final do terceiro trimestre, frente a 1,08 vez no início da temporada.

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Moagem e produção

A São Martinho encerrou a moagem da safra de cana 2024/25 com 21,79 milhões de toneladas, queda de 5,5% ante o recorde contabilizado na temporada anterior. O impacto foi concentrado na cana própria, que registrou uma queda de 8,1% no volume devido ao impacto dos incêndios, para 14,69 milhões de toneladas.

“A menor moagem também está relacionada à ocorrência de chuvas entre os meses de outubro e dezembro de 2024, o que resultou na redução dos dias disponíveis para moagem, e ao contingente de cana bisada para a safra 2025/26”, complementa a empresa, em relatório.

Além disso, embora a concentração de açúcar total recuperável tenha aumentado 4,3% na comparação anual, para 142 kg/t, o rendimento dos canaviais caiu 6,8%, para 79 t/ha.

Ainda assim, a produção de etanol aumentou 8,9% na comparação anual, chegando a 1,18 bilhão de litros. O crescimento foi puxado principalmente pelo maior processamento de milho, de 402,4 mil toneladas no acumulado de abril a dezembro, alta de 21% ante um ano antes.

Já a fabricação de açúcar caiu 9,5% no mesmo comparativo, para 1,33 milhão de toneladas. Considerando apenas as operações com cana, a São Martinho destinou 45% da matéria-prima para a fabricação da commodity, ante 49% na safra anterior.

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Em 31 de dezembro, as fixações de preço de açúcar da São Martinho para a safra 2024/25 totalizavam cerca de 170 mil toneladas, a um valor em torno de R$ 2.399 por tonelada, disse a companhia. Para a safra 2025/26, estão fixadas cerca de 499 mil toneladas a, aproximadamente, R$ 2.556/t.

Operações com milho

A São Martinho ainda apresentou o desempenho de seus negócios com milho. Segundo a empresa, as operações com o grão reverteram o quadro negativo de um ano antes e registraram um Ebitda positivo de R$ 74,09 milhões.

“Ao longo do terceiro trimestre, a operação de milho continuou sustentando níveis de moagem alinhados à capacidade plena da planta e ao guidance para a safra 2024/25”, complementa a empresa.

Por sua vez, a receita trimestral com as vendas de etanol de milho, grãos secos de destilaria com solúveis (DDGS) e óleo de milho subiu 70,4%, para R$ 198,13 milhões.

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No acumulado da temporada 2024/25, o Ebitda das operações de milho chega a R$ 129,15 milhões, ante perda de R$ 16,71 milhões um ano antes. Já a receita líquida soma R$ 476,24 milhões, alta de 48,2% na comparação anual.

Além disso, em 31 de dezembro, a São Martinho já havia comprado, para processamento na safra 2024/25, cerca de 98 mil toneladas de milho ao preço aproximado de R$ 53,50 por saca, líquido de impostos. Para a próxima temporada, a companhia conta com o estoque físico de 151,9 mil toneladas do grão.

NovaCana
Com informações da Reuters e do Globo Rural